EU SOU MALALA - Malala Yousafzai

Com Christina Lamb


Título original: I AM MALALA: THE GIRL WHO STOOD UP FOR EDUCATION AND WAS SHOT BY THE TALIBAN
Tradução: George SchlesingerLuciano Vieira MachadoDenise Bottmann e Caroline Chang
Capa: Ploy Siripant e Mario J. Pulice
Páginas: 360
Formato: 14.00 X 21.00 cm
Peso: 0.443 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 25/10/2013
ISBN: 9788535923438
Selo: Companhia das Letras
SINOPSE: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.

RESENHA

            Meus amados hoje venho aqui indicar essa maravilhosa biografia “EU SOU MALALA”. Escrito pela jovem Malala que é a mais jovem ganhadora de um Nobel na história, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação", com a colaboração da jornalista Christina Lamb. Aos quinze anos Malala quase teve sua vida ceifada por extremistas do Talibã pelo simples fato de lutar pelo direito de ter uma educação digna. Em uma história comovente podemos sentir toda a força de uma menina que apesar da tenra idade, tem uma maturidade absurda e consegue nos mostrar quão poderosa é a educação e toda sua disposição em lutar para garantir às meninas o direito a ter uma educação equiparada com a dos meninos na sociedade paquistanesa.
           
“Venho de um país criado à meia-noite. Quando quase morri, era meio-dia. Há um ano saí de casa para ir à escola e nunca mais voltei. Levei um tiro de um dos homens do Talibã e mergulhei no inconsciente do Paquistão. Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém.”
           
Assim iniciamos a leitura dessa obra arrebatadora, nascida em uma pequena aldeia no Paquistão, o vale do Swat, em uma sociedade onde o nascimento de um menino é celebrado e o dia em que nasce uma menina é considerado sombrio, sem motivo para qualquer comemoração “(...) Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar. (...)”, a pequena Malala foi abençoada por ter nascido em um lar onde foi muito amada desde o nascimento - o qual foi muito comemorado – e por ter um pai com a mente aberta, professor, que por sua vez valorizava de forma grandiosa a educação e fundou várias escolas na região em que vivia.

Malala recebeu esse nome em homenagem à Malalai de Maiwand. Considerada a maior heroína do Afeganistão, suas palavras de incentivo e sua coragem inspiraram o exército afegão a vencer o britânico durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã no século XIX. Malalai de Maiwand foi morta com um tiro, porém sua história permanece viva no coração de muitos muçulmanos, como um ícone. O avô de Malala considerava seu nome triste por lembrar o sentimento de luto. Seu pai, por outro lado, o via como o nome de uma mulher guerreira e corajosa, que luta pelos seus ideais e sonhos. E foi sob estes ideais que Malala foi criada.

Influenciada pelo espírito libertador do pai, que a criou para ser tudo que sonhasse ser, para que pudesse alçar altos vôos e conquistar grandes coisas. Contudo, com o crescente domínio Talibã e sua interpretação errônea e extremista sobre o Islã, meninas foram proibidas de freqüentar as escolas e as execuções publicas tornaram-se cada vez mais comuns. Centenas de escolas foram alvo, sofrendo explosões.

“Eu lia livros como Ana Karêmia, de Leon Tolstói, e os romances de Jane Austen. Confiava nas palavras de meu pai: ‘Malala é livre como um pássaro’. Quando ouvia as histórias sobre as atrocidades que aconteciam no Afeganistão, eu celebrava o Swat. Aqui uma menina pode ir à escola, eu dizia. Mas o Talibã estava logo ali, na esquina, e era patchum como nós. Para mim, o vale era um lugar ensolarado. Não pude ver as nuvens se juntando atrás das montanhas. Meu pai costumava falar: ‘Vou proteger sua liberdade, Malala. Pode continuar sonhando".
   
Apesar de todas as ameaças, de todo o terror, o sonho por uma educação melhor continuava, a luta pelo ideal de uma nação mais igualitária que proporcionasse às meninas uma chance de se instruírem e serem participativas prosseguia. Tudo mudou para Malala em uma terça-feira de 2012, quando foi baleada no ônibus escolar que a levava para casa depois de uma manhã de aulas.

A história de Malala tornou-se a partir desse terrível fato, conhecida internacionalmente, e apesar de ter sobrevivido ao atentado, a jovem garota ainda leva no rosto as seqüelas daquele tiro que mudou seu sorriso, antes largo e expansivo, hoje tímido e envergonhado por conta do nervo atingido. Todavia Malala continua a sorrir, tornando-se a voz daquelas meninas cujo único desejo era estudar, adquirir conhecimento. O livro nos traz toda a realidade daquele pedaço de mundo que nós conhecemos tão pouco, em uma linguagem direta e objetiva. Alguns termos utilizados, ora específicos da cultura patchum, ora termos islâmicos podem nos confundir de início, mas são devidamente explicados no decorrer do livro e por fim, há um glossário ao final do livro que acaba por dirimir qualquer dúvida.

É uma leitura inspiradora e impressionante. Quando analisamos sob o ângulo de que se trata de uma garota tão jovem, uma adolescente que poderia facilmente ter se resignado, baixado a cabeça para o terror que assolava, sua força torna-se admirável. Seu espírito questionador, sua vontade de viver é apaixonante. Tamanha sua coragem chega-se a pensar que ela não tinha noção da dimensão do perigo que corria. Em nenhum momento foi desencorajada por seus pais, que sempre a incentivaram.

Muitas vezes não temos noção da real dimensão da nossa força, do quanto nós mulheres somos importantes, de como a educação é uma arma poderosa, e para finalizar nas palavras de Muhammad Ali Jinnah, fundador do Paquistão, que Malala menciona na obra e uma das minhas passagens preferidas “Há duas forças no mundo: uma é a espada e a outra é a caneta. Há uma terceira força, mais poderosa: a das mulheres”. Recomendo fortemente a leitura, é impressionante e com certeza agrega demais aos nossos corações.

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