Quando a vida imita a arte - Hiran Murbach

Ano: 2003 / Páginas: 200
Idioma: português 
Editora: Independente
SINOPSE
O amor acontece repentinamente e de formas inusitadas. Eduardo, 20 e poucos anos, advogado em início de carreira, entende a premissa de paixões avassaladoras; antes de sua vida mudar completamente, sua rotina era dividida em "dia e noite". Enquanto o céu está claro, Eduardo trabalha para firmar-se na carreira, provando ao pai - também advogado que é um bom profissional. Quando a noite cai, e todos os gatos são pardos, ele é apenas mais um dos rapazes, farreando com os amigos e sendo um típico mulherengo. O dia-a-dia de Eduardo era apenas sequência de atos rotineiros, até Roberta aparecer em sua vida. Uma ruiva de visual exótico e agressivo, que proporcionou um misto de atração de confusão em Eduardo.

RESENHA

“...pois a manhã de domingo fora feito para dormir.” (126)
Porém, hoje é quarta dia 28/02/2018 - dia de resenha.
Um dos prazeres da literatura é - descobrir escritores contemporâneos. Principalmente, aqueles que se arriscam para realizar um sonho. É louvável ver escritores não intimidados com as grandes editoras e lançar seu trabalho, em um mercado competitivo. Sem medo, com erros e acertos.

Por séculos passamos por escolas literárias, onde um tema eram assuntos primordiais, na escrita dos autores. Hoje, não existe (ou ainda não existe), mas se o leitor for observador, os escritores contemporâneos atuais são: liberais de sentimentos e, o cotidiano é um assunto primordial em boa parte dos seus escritos.
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Assim, o autor Hiran, que tem a obra “Quando a vida imita a arte” em formato independente, apresenta este tema como um enredo central, por meio dos seus personagens.

Eduardo é o protagonista, filho de pais que pouco aparecem na história, mas que proporcionam uma imagem de pais respeitadores. Todavia, a paciência tem limite e, quando, seu pai percebe o filho levando a vida muito na brincadeira, resolve chamar atenção. Assim, Eduardo começa ou tenta melhorar o seu comportamento.

Como o pai, Eduardo também é advogado. Ambos trabalham em um escritório bem conceituado. A mãe é professora de química e a irmã Carla uma roqueira, com estilo próprio, sem medo de ser quem realmente é; sua vida é dividida entre rock e os estudos de jornalismo. Uma família normal, com cotidiano tranquilo, sem grandes surpresas.

A irmã Carla, que no início, o leitor sentirá uma relação hostil, será, mais na frente, a grande aliada de Eduardo em uma “missão desesperada”. Fazendo-o entender o mundo peculiar dela, porém não necessariamente gostar. Apenas respeitar suas escolhas.

O livro tem uma peculiaridade na narrativa.

A narrativa é em primeira pessoa, às vezes pode se confundir com um diário e ainda tem a peculiaridade do autor ou às vezes o próprio personagem  conversar com o leitor.

“Engraçado como a vida da gente consegue mudar em um curto espaço de tempo, sem que nós possamos dar conta disso. E, assim, anos e anos de dogmas e convicções caem por terra, como um frágil castelo de cartas, como uma simples brisa que entra por uma janela que esquecemos aberta, por descuido”. (181)

Um estilo bem trabalhado, do início até o final, não deixando a leitura cansativa.

O momento de destaque é quando, Eduardo, farrista, mulherengo, se deslumbra com uma morena, que nada tem haver com seu gosto, na primeira impressão. 

Uma jovem madura, bem mais vívida nos seus 20 anos; muito mais que Eduardo nos seus 25.

Sua vida muda da água ao vinho e o leitor acompanhará este momento delicado de transformação. Onde pensamentos divagam; deixando-o perturbado; inseguro com seus sentimentos; lamúrias em toda narrativa ao leitor.

É neste momento, que também, descobrem todas as respostas dos seus comportamentos “errantes”. Passando assim, a compreender suas atitudes não muito aceitas na sociedade.

Traumas ou bullying são relatados com discrição pelo personagem.

Uma obra envolvente, com uma narrativa peculiar e um final sem ser clichê. Vale muito apreciar e conhecer.

Ainda sobre o trabalho autor, encontra-se aqui resenha de outra obra.

Resenha do livro

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Poemas ao Desabrigo - Raul de Taunay

FALANDO DE LIVROS

ISBN-13: 9788542105223
ISBN-10: 8542105222
Ano: 2016 / Páginas: 112
Idioma: português 
Editora: 7 Letras

Poeta de uma singularidade lírica exclusiva, personagem forte e marcante, Raul de Taunay, com sua imensa sensibilidade, emerge definitivamente nesta obra como uma das grandes revelações da poesia brasileira contemporânea. Seguindo o caminho das margens que percorreu pelo mundo inteiro à procura de uma fonte para as suas palavras, este poeta intenso faz da poesia um deleitoso momento de prazer e revela, nestes poemas ao desabrigo, a perfeita harmonia entre forma, beleza, crueza e liberdade numa sequência de odes, elegias, trovas, baladas e sonetos marcantes e inesquecíveis.

Recebo de parceria da Agência Oasys Cultural - Site: Clique Aqui 

Intangível

O pensamento não dá descanso:
De onde venho, para onde vou,
Quando o remanso?

A balbúrdia que em mim canta,
Me encanta, me alevanta,
Me abraseia a lança.

A visão do mundo me arrasta;
Vou pela estrada, como cigarra,
A vibrar com a jornada.


Raul de Taunay é diplomata de carreira, autor dos livros Poética do novo bardo (poesia, 1972), O menino e o deserto (romance, 1982), A opressiva inconstância da felicidade (romance, 1985), Meu canto aberto (poesia, 1993), Meu Brasil angolano (romance, 1995), Rosas da infância ou da estrela (poesia, 2005) e A invasão da Amazônia (romance, 2007). Escreveu inúmeros ensaios, artigos, conferências e análises do cenário mundial vistos do ângulo das possibilidades e dos interesses nacionais.


Poeta na contramão das tendências literárias, o escritor e diplomata Raul de Taunay, classificado por Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras, como um ‘parnasiano erudito de vanguarda’,... Em março será publicado o romance distópico de sua autoria, A lucidez da lenda. A protagonista, Antônia dos Anjos, espécie de ‘Joana D’Arc’ ribeirinha, defende a Amazônia das megacorporações que desejam se apropriar das nossas riquezas.
Entrevista completa com escritor, link:  Oasys Cultural - Clique Aqui

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No Seu Olhar - Flávia Pimenta

SBN-13: 9788542808636
ISBN-10: 8542808630
Ano: 2016 / Páginas: 272
Idioma: português
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira



Dono de uma beleza e uma fortuna invejável, Tony tem tudo o que um homem deseja, menos a felicidade. Ele esconde uma dor profunda de culpa, é um sonhador dominado e oprimido pelo pai. Cansado de todas as imposições que o dinheiro lhe faz, Tony abdica de tudo e sai em busca da felicidade, compondo suas músicas e sendo livre. Porém, a vida coloca o amor em seu caminho, na forma de tudo aquilo que ele despreza: arrogância, dinheiro e poder. Assim é Lívia, a mulher que faz com que novamente ele tenha que escolher. Uma linda história de recomeços, perdão e amor!


RESENHA

“Não mesmo, senhor Otávio Videiro! Quem não quer mais sou eu! Não sou a porra do filho que quer. Não sou assim. Vou correr atrás dos seus sonhos, compor e até cantar se preciso for, com ou sem o seu consentimento!” (p. 14)


Escolhas – Erros – acertos
Amadurecimento – equilíbrio – Perdão

São essas palavras que definem a leitura da obra No Seu Olhar.

“É preciso coragem para sair da zona de conforto e descobrir quem somos” 
(Revista Vida Simples p. 22, ed 191)
É com essa matéria que percebo a essência desta obra, da autora Flávia.

Flávia Pimenta Formada em Administração de Empresas tornou-se escritora por vocação. Sua predileção por livros a fez se aproximar do mundo mágico da literatura. Para saber mais da escritora - Página Flávia Pimenta

O livro conta a história de Tony e Lívia, com a intermissão da personagem Marina elevando o humor da leitura.

Tony é um personagem frustrado com a vida; desde seu passado triste, até o seu presente acomodado. Trabalha por obrigação e intimação do pai; a vida de luxo que não o deixa completamente feliz; compositor que tem um sonho - quer ser músico, porém é desacreditado por quem ama.

O motivo de toda adversidade familiar é, uma dor não superada, resultando o desencontro afetivo.

“Quer dizer que só sou seu filho se fizer do seu jeito? Você é um ditador, que nunca nos deu carinho…” (p.14)

Lívia é aquela típica mulher independente, sem tempo para as coisas supérfluas. Para ela o amor é desnecessário. Também tem um passado sombrio; tem muitas relações rasas e poucos amigos. Trabalha o tempo inteiro como herdeira de uma gravadora; Um tio e um amigo são seus únicos alicerces.

As vidas dos dois se cruzam, quando Tony joga o trabalho “chato” na empresa do pai para o alto e, com ajuda de um amigo, ele consegue sair de Caxias para São Paulo, sendo mais novo hóspede do apartamento de Marina.

Marina é típica amiga que ama todos, quer ver as pessoas que rodeiam felizes, preserva uma boa amizade, mas também tem seus defeitos exorbitantes, como todo e qualquer ser humano; se apaixona fácil e ás vezes sonhadora.

“Saiu cambaleando daquela boate, cego e sem rumo. Não acredito no que fiz com Marininha. É uma mulher linda, mas não sinto nada por ela, a não ser amizade. Não podia ter me aproveitado dessa maneira...Fui um cafajeste…” (p.72)

A primeira proeminência da obra é a construção dos personagens. Com a narrativa em primeira pessoa, a autora conduz com zelo cada capítulo, sem deixar a leitura cansativa. Importante destacar que os capítulos são separados por personagens, alternando em sua maioria por Tony, Marina e Lívia. Apenas o final fica sendo um personagem bônus, um convite para continuar lendo “No seu sorriso”.

Outro destaque são os capítulos bem curtos, a página 74 e 75 é um bom exemplo, deixando assim, o leitor mais estimulado, descrevendo  qualificações e defeitos  dos personagens por meio do diálogo.
  
É marcante este estilo de narrativa, pela riqueza de sentimento transmitido ao apreciador, não ficando oprimido por uma única personagem, deixando a imaginação vivenciar a dor, erros, acertos de todos os envolvidos na prosa.

É uma leitura sensual, com muita intimidade exteriorizada, mas sem ser frívola, ao contrário, ajudando a compreendê-los melhor em seus comportamentos.

“Gosto dessa distância pós-sexo, porém, senti-me estranha...” (p.66)

O Ambiente é outro encanto, porém não muito explorado. Passa no eixo Sul-São Paulo, com algumas viagens rápidas. A contextualização com as músicas selecionadas (músicas internacionais e delicadas) são também atrativos da leitura. No final, é possível você ter  uma nova playlist para escutar.

Amadurecimento dos narradores é notável a cada capítulo, a cada escolha, a cada escorregadela. Da mudança de Tony para São Paulo, novo trabalho, novas amizades e do seu retorno ao Sul, não só por suas cabeçadas, mas  por circunstâncias da vida, são situações que magnetiza o leitor.  

Uma fatalidade muda todo o rumo de Tony, é aquele momento de virada, já que sua temporada em São Paulo até então estava “bem”.

“Eu amo meu pai, queria que tudo fosse diferente, mas amor a gente não pede, não implora; deve ser espontâneo. Cansei de ver em seus olhos a rejeição, por isso resolvi sair…” (p.88)

Entre protagonistas errantes, com uma gratificação no final, Flávia Pimenta, assim como editora Novo Século – Talentos da Literatura brasileira acertam no ponto do enredo até o capricho da arte.  

Segundo Prem Baba viver um propósito é na verdade uma mudança interna, um salto de consciência, é este legado que herdamos com a leitura da obra "No Seu Olhar", com Tony e Lívia descobrimos que as mudanças às vezes são necessárias para um propósito maior.

                                                                                     BY:













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