Quase esquecido – Hiran Murbach

ISBN-13: 9788594170071
ISBN-10: 8594170076
Ano: 2017 / Páginas: 251
Idioma: português
Editora: Soul Editora

O que você faria se um dia descobrisse que toda a sua existência está em risco e, pior ainda, não há muita coisa que você possa fazer para evitar isso? É exatamente isso que acontece em “Quase Esquecidos”, uma obra de ficção que mistura fantasia e realidade e tem início no momento em que algumas criaturas do folclore brasileiro constatam um fato aterrador: as novas gerações estão deixando de conhecer a mitologia brasileira e, por causa disso, estes personagens folclóricos estão desaparecendo pois eles só podem existir enquanto lembrados.

Muito do nosso folclore já desapareceu nos dias atuais e os poucos que ainda sobrevivem precisam dar um jeito de reverter este quadro. A pergunta, no entanto, é como eles conseguirão fazer isso? E se conseguirão a tempo.

RESENHA

ATENÇÃO NETFLIX!
Um mergulho na história do Brasil.

Essa é a primeira impressão que a obra do escritor Hiran proporciona.

Murbach nasceu na cidade de Americana – SP. É formado em Direito, atuou como advogado e há 15 anos se especializou na área de negócios e marketing. Atualmente, trabalha como consultor de startups e novos negócios, mas não desiste do sonho de se tornar escritor em tempo integral. Matéria completa sobre sua carreira Clique Aqui

“Quase Esquecidos” é uma obra que viaja na história com personagens do folclore do nosso país. Existem poucas falhas, mas nada que atrapalhe a leitura e a profundidade que obra traz. É notório que sejam problemas de edição. Também encontramos uma crítica do autor à sociedade ou mesmo aos leitores pelo ato do esquecimento.

A narrativa é em terceira pessoa, onisciência interpretativa. E a cada capítulo há novas explicações que motivaram tal o esquecimento. Um mundo fantasioso que, no entanto, faz todo sentido.

Tudo principia com a convocação de uma reunião urgente entre os membros do folclore. Os que ainda permanecem “não esquecidos” recebem uma mensagem com o seguinte dizer...

“Encontre-nos no dia primeiro, você sabe onde”.

Quando o último convocado recebe, logo em seguida a reunião acontece. Alguns perdidos, outros assustados e muitos irritados por conta da Líder nada simpática.

Simpatia passa longe da personagem, mas mesmo com toda petulância ela convence a todos com seus argumentos e alerta sobre a gravidade da situação.

“Bem, como eu estava dizendo, o problema não é que as pessoas pararam de acreditar em fábulas e mitologia. A grande questão é que elas acreditam em outras, que não a gente. Elas acreditam em seres e criaturas que nem estão aqui. Alguém aqui já viu um dragão?” (p. 80)

Um trecho da leitura onde a personagem expõe os novos gêneros literários, sendo dominados como: fantasia e distopia. Categorias que, segundo o autor, estão sendo dizimadas da memória do novo leitor e dissipando-se da imaginação folclórica, a qual reinou por décadas.

Os membros do folclore convocados foram: Negrinho do Pastoreio, Curupira, Boto, Potira, Iara, Lobisomem e integrantes do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

“A data, 8 de agosto, apontava que ela tinha reunião com seu orientador, para validar um dos capítulos da tese, que falava sobre a transmissão oral do folclore e sua aplicação nos dias atuais. Marcava ainda que ela teria, às 19:45, uma disciplina de Literatura Brasileira no curso de Letras da UFRJ”. (p.192)

Outro personagem é o Pedro. Este tem uma ligação por meio da família com o passado folclore. Por este motivo, todos os personagens se reúnem para ir à caça dele com o objetivo, de que ele tenha algo ou material que possa preservar a memória das pessoas, os personagens que fizeram parte da história narrativa, ou seja, destes personagens folclore presente na narrativa.

“... não deu a mínima na época, mas agora que ele já não tinha mais a mãe, entendia o quanto ela se sentia solitária e daria tudo para poder voltar no tempo e ter ido com a mãe naquele casamento”. (p.192)

O medo de todos é serem esquecidos e em toda a obra essa será a batalha central. Mas, claro!,o narrador conta um pouco acerca da vida particular de cada um, suas histórias, vida, suas inseguranças e lutas.

“Mas agora cá estava ele, sendo obrigada por uma boneca de pano, um lobisomem e uma sereia sem cauda a revirar as coisas da mãe, na companhia de um espiga de milho usando cartola, madrugada dentro. A situação era tão surreal...”.(p.205)

A surpresa fica por conta do final, o desfecho de cada personagem folclore, os vivos  continuam com suas rotinas e outros que não apareceram na narrativa foram ressuscitados e citados, ganhando nova oportunidade de viver.

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