Ribamar - José Castello - Jabuti - Literatura Verde Amarela #1

Ano: 2010
Páginas: 280
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil


SINOPSE

Esse é o mais recente livro de José Castello: Ribamar. Autor de João Cabral de Melo Neto: O Homem sem Alma, ensaio biográfico sobre o poeta pernambucano, Castello experimenta, dessa vez, um caminho híbrido, que mistura vários gêneros literários. Transita, assim, entre vários estilos – sem deixar, contudo, que as fronteiras entre eles se tornem nítidas. O leitor nunca saberá ao certo onde está pisando – se em uma biografia, ou um ensaio, ou um relato de viagens, ou se em uma ficção.

O livro parece ser uma biografia do pai do autor – José Ribamar (1906-1982) –, mas não chega a ser, pois alterna algumas histórias reais com muitas outras inventadas, ou, pelo menos, livremente recriadas. A fronteira entre a verdade e a invenção nunca se revela.


RESENHA
Ainda não lhe disse, pai: escrevo um romance. Não sei se chegará a ser isso. O mais correto é falar de notas para o livro que, um dia, escreverei. Ribamar, ele se chamará. Eu o dedicarei a você. (P.12)
O primeiro livro do projeto Literatura Verde e Amarela (#LVA) foi uma leitura delicada, de um autor, crítico literário e jornalista do Jornal Rascunho. A Obra foi vencedora do Jabuti em 2011.

Ribamar tem narrador-protagonista e uma narrativa deprimida. Ele conta os conflitos entre filho e pai.


"... estamos em um mundo que fracassa. Um mundo atulhado de objetos inúteis e de pedidos sem significado. Andamos por um deserto. E cabe a mim, com este coração cheio de sombras, ser o seu sol". (p.20)


O livro não tem um enredo linear. Sendo assim, em alguns momentos estamos no presente; em outros estamos no passado; ou mesmo nos pensamentos do protagonista com seu passado.

A relação de Ribamar com seu pai não é das melhores e, volta e meia, ele tenta pesquisar os motivos para essa relação frágil e hostil. Em todo o livro somos induzidos para momentos deprimidos, brigas ou palavras duras.


O livro é bem escrito, a arte também é caprichosa, dividindo cada capítulo com trecho da música Cala Boca, canção de ninar do pai para seu filho.

"Em você, nada me incomoda mais que o silêncio"(p.63)

Mas o mais impressionante no decorrer da obra é a referência sempre mencionada ao escritor Franz Kafka, mas especificamente Carta ao pai.  Kafka não é só citado, mas guarda alguma semelhança (obra e vida) com Ribamar. A adoração do protagonista ao famoso escritor chega a ser fastidioso, mas a leitura flui, meio melancólica, meio desabafo, deixando os leitores sem saber se é história biográfica ou literatura.


“Assim Franz Kafka defina a brutalidade das certezas: “estaria em um mundo no qual não poderia viver.” O mesmo mundo reto e vazio em que você me escapa, meu pai. (p.112)


Não é uma leitura simples, é uma obra para sentir, refletir, mergulhar nos pensamentos conturbados do personagem. É possível viajar com ele pro Piauí, sentir o luto, se irritar com o estilo hostil de um pai. Mas, no final meditar como atitudes simples ou a falta delas podem mudar relacionamentos, enfim, uma vida.

"Todo escritor é um náufrago. Um Robinson" (p.116)

Uma leitura que nos ajuda a olhar para dentro e questionar o “eu”, inclusive lírico. Claro que recomendo. 

Cilene: 
Meu Vício Literário
"Cala a Boca" como canção de ninar; comparação com um peixe (que morre asfixiado - pela boca); "Carta ao pai" de Kafka ... entre outros, esses paralelos exprimem a angústia do personagem de Ribamar ao não conseguir expressar sua frustração com relação ao relacionamento que tinha com seu pai. Passeando no tempo entre as lembranças familiares essa história não nos deixa fugir da reflexão: todo pai já foi um filho e todo filho tem no seu íntimo, um pai em potencial. E todo o medo do que isso representa.".


BLOG: http://www.meuvicioliterario.com.br/
FACEBOOK: @porCileneResende
INTAGRAM: Meu Vício Literário - Cilene Resende
SKOOB: 2690364-cilene.resende


Clique Aqui e veja todas edições do projeto

Patrícia Brito
Leia Mais ››

Projeto Literatura Verde e Amarela


Banner - autoria - Anya Cecilia - Blog Entre um livro e outro.

Em 2017 é tempo de renovar energias e colocar em prática novos projetos.
Literatura Verde e Amarela (#LVA), nasceu no anseio em unirmos literatura nacional com a escrita. 
A parceria é com o Blog Meu vício Literário - autora Cilene Resende.
Site, clique aqui.

Explicamos melhor neste vídeo.

OBS: Áudio baixo. 


Edição de vídeo - Breno Brito         


  Livros mencionados e que não foram ao vídeo.

Ano: 2016 
Páginas: 158
Idioma: português 

Editora: Oito e Meio
Esta edição reúne os contos da terceira turma do curso Escritor Profissional, curso online cuja proposta é auxiliar escritores de todo Brasil em suas trajetórias rumo à publicação e projeção dos seus livros no mercado. Ao final do curso, os alunos são desafiados com a proposta de escrever um conto de tema livre para ser publicado em uma coletânea.




Como se pode imaginar, o resultado é o mais diverso possível (em temática, gênero, linguagem), uma vez que se trata de uma coletânea que reúne autores com trajetórias as mais diferentes, e cujo ponto em comum, a princípio, é o fato de terem cursado o Escritor Profissional. Entretanto, coincidência ou não, em todos os textos encontramos vitalidade, singularidade e a promessa de um caminho prolífico, fazendo com que esta compilação apresente-se ao mesmo tempo como uma boa amostra da atual versatilidade e potência da atual produção literária brasileira.
Contos / Literatura Brasileira
MEUS LIVROS
SINOPSE
Livros, livros e mais livros. Livros de cortesia, brindes literários, contato direto com autores famosos, eventos e muita coisa legal dentro da literatura. Sim isso faz parte do dia-a-dia de um blogueiro literário.
Mas tem também as críticas, os problemas, o tempo dedicado, parcerias problemáticas e muitos entraves que fazem de um blog literário um desafio constante na divulgação da literatura.
Como será que esses blogueiros conseguem coordenar tempo, vida e livros?
Qual terá sido o melhor dia ou o pior momento de suas carreiras como blogueiros literários? Será tudo sempre flores ou também tem pedras?
Venha descobrir o que se passa nos bastidores de um blog literário e conheça histórias engraçadas, dramáticas, alegres e surpreendentes.
Dez blogueiros, dez histórias e muita coisa revelada sob os bastidores da literatura nacional.


Organização: Rô Mierling

Co-autores:

Beatriz Andrade
Lorena Caribé
Ricardo Biazotto
Mione Le Fay
Viviani Xanthakos
Patrícia Brito 
Nuccia De Cicco
Vanessa Vieira
Juliana Rovere
Giuliana Sperandio




SINOPSE
Ano de 2002 foi inesquecível para o tímido e romântico Mark Broomer. Ele conhece Lara Brandão, estudante de intercambio em Londres, que sonha em ser médica. Apesar do romance, ela precisa voltar ao Brasil para realizar o sonho de se tornar médica e cuidar da irmã caçula. Mark fica arrasado, mas segue com a vida investindo na carreira esportiva. 
Uma década depois, Mark se tornou piloto de Formula 1 consagrado, três campeonatos mundiais conquistados, cercado de belas mulheres. Quando ela retorna à Inglaterra para receber uma premiação médica, o reencontro evoca sentimentos imensuráveis guardados em seus corações. 
Com vidas muito diferentes, novas decisões e novas escolhas serão necessárias para conseguirem ficar juntos. E só o tempo dirá se o Amor vai vencer.

Livros do Projeto

Por qual motivo, a obra ganhou este prêmio?
Por qual motivo, este escritor foi considerado revelação?
Os livros que serão estudados, são:

 1.  Ribamar – José Castello – Bertrand Brasil – Jabuti 2011.

Ano: 2010 / Páginas: 280
Idioma: português 
Editora: Bertrand Brasil
SINOPSE: Esse é o mais recente livro de José Castello: Ribamar. Autor de João Cabral de Melo Neto: O Homem sem Alma, ensaio biográfico sobre o poeta pernambucano, Castello experimenta, dessa vez, um caminho híbrido, que mistura vários gêneros literários. Transita, assim, entre vários estilos – sem deixar, contudo, que as fronteiras entre eles se tornem nítidas. O leitor nunca saberá ao certo onde está pisando – se em uma biografia, ou um ensaio, ou um relato de viagens, ou se em uma ficção.
O livro parece ser uma biografia do pai do autor – José Ribamar (1906-1982) –, mas não chega a ser, pois alterna algumas histórias reais com muitas outras inventadas, ou, pelo menos, livremente recriadas. A fronteira entre a verdade e a invenção nunca se revela.

2. Habeas Asas Sertão do céu – Arthur Cecin – SESC 2010/2011.

Ano: 2011 
Páginas: 272
Idioma: português
Editora: Record
SINOPSE
Os personagens principais não são humanos, embora se pareçam com eles. São pássaros, mas não os mais nobres entre eles. Ao contrario, são aqueles que aqueles que provocam certo mal-estar entre nós, por anunciarem a morte. O espaço em que acontece não é a terra exatamente, pois se passa do ponto de vista do céu, seu habitat natural. Porém, mais importante do que inovar nos personagens e no contexto este livro acontece e inova na linguagem, na trama entre as palavras, que é o lugar certo de um livro acontecer. Uma Linguagem inovadora que, visivelmente, se alimentou das dicções mais inovadoras, como a de Guimarães Rosa, Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Mia Couto e da poesia de Manoel de Barros. Mas que consegue ser prosa poética de voz própria e vôo pessoal

 3. Nihonjin – Oscar Nakasato – Jabuti 2012

Ano: 2011
Páginas: 176
Idioma: português 
Editora: Benvirá
SINOPSE
Hideo Inabata é um japonês orgulhoso de sua nacionalidade, que chega ao Brasil na segunda década do século 20 com o objetivo de enriquecer e cumprir a missão sagrada de levar recursos ao Japão, conforme orientação do imperador.

O trabalho no campo, a adaptação ao Brasil, a morte da primeira esposa e os conflitos com os filhos Haruo e Sumie são um teste para a proverbial inflexibilidade do nihonjin (japonês). O narrador, neto do protagonista e filho de Sumie, empresta voz e visão contemporânea à transformação do avô e do seu sonho de voltar rico para casa. 

4. Quiça – Luisa Geisler – SESC 2011/2012

Ano: 2012 
Páginas: 240
Idioma: português
Editora: Record

SINOPSE
Arthur aparece na casa de Clarissa como um parente do interior, quase desconhecido. Jovem problemático, tentou suicidar-se, foi internado e, agora, irá passar um ano letivo com seus tios e com a prima de 11 anos. O primo desajustado vai mostrando, no seu tom monocórdio uma crescente humanidade em relação à Clarissa. Compartem da mesma solidão, num medo, talvez, de perder-se, de diluir-se, sem que ninguém os veja. O romance foi vencedor do prêmio Sesc de Literatura 2011. 



O mendigo que sabia de cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam – Evandro Affonso Ferreira – Jabuti 2013


Ano: 2012 
Páginas: 128
Idioma: português
Editora: Record

SINOPSE
O premiado Evandro Affonso Ferreira escreve sobre um homem atormentado que experimenta a proximidade dolorosa do mundo. O romance emociona pela forma como fala da loucura, do amor, do abandono e da solidão, enquanto espera - andando e observando os escombros da vida urbana em detalhes - o retorno de sua amada, a que lhe deixou bilhete dizendo ACABOU-SE, - ADEUS.






O evangelho segundo Hitler – Marcos Peres – SESC 2012/2013
Ano: 2013 
Páginas: 352
Idioma: português
Editora: Record

SINOPSE
Este é um romance notável de um leitor obcecado por Jorge Luis Borges a ponto de imputar-lhe uma infâmia que nem o próprio teria inventado: a de ter engendrado, com sua imaginação infernal, o fermento profético que possibilitou Adolf Hitler e o nazismo. O evangelho segundo Hitler faz aquilo que o borgiano Pierre Ménard fez com o Quixote de Cervantes: reescreve produzindo diferença.

Romance vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013 e primeiro livro publicado pelo autor.

“O evangelho segundo Hitler foi vencedor do Prêmio Sesc justamente por ser uma literatura de risco, onde o autor preferiu juntar alhos com bugalhos — o Hitler com o Jorge Luis Borges com o (anti)Cristo — do que escrever o texto bem escritinho, curtinho, objetivozinho, de comunicaçãozinha facilzinha com o leitorzinho.” – André Sant’Anna

Reprodução – Bernado Carvalho – Jabuti 2014

Ano: 2013 
Páginas: 168
Idioma: português 

SINOPSE
Um homem, referido como 'o estudante de chinês', se envolve num estranho imbróglio quando se preparava para embarcar para China no mesmo voo de uma de suas antigas professoras desse idioma. Detido por um delegado da Polícia Federal, desanda a desfiar toda uma série de preconceitos tenebrosos - contra negros, árabes, judeus, gays, pobres, gordos -, prejudicando-se ainda mais aos olhos da lei. Acontece que esse 'estudante de chinês', sujeito que chegou a trabalhar no mercado financeiro, é um típico personagem da nossa época - leitor de revistas semanais, comentarista de blogs (onde vitupera em caps lock contra as minorias), com um saber supostamente enciclopédico (graças à Wikipedia) e um ethos reacionário, parece encarnar um tipo anti-intelectual que iria ganhar força graças ao espaço relativamente livre da internet. Mas a confusão em que o personagem de Bernardo Carvalho se envolve é apenas a ponta do iceberg - o próprio delegado tem uma estranha história envolvendo paternidade, assim como uma de suas colegas, uma agente infiltrada numa igreja neopentecostal. Sem falar na própria professora de chinês, que está tentando retornar à China para replicar, através da vida de uma menina órfã, a sua própria infância devastada. São personagens, vigorosamente construídos pelo autor, às voltas com suas próprias buscas de identidade e procura por um sentido. Enquanto o estudante de chinês embarca numa espécie de delírio, o mundo à sua volta parece igualmente destituído de um sentido maior. Porque cada um tem sua versão da realidade. E é do choque dessas diversas versões que 'Reprodução' ganha força e profundidade, sem abdicar da fluência e do humor corrosivo. É deste modo, trazendo à tona uma série de 'reproduções' - do discurso da imprensa aos sites da internet, da reprodução sexual à própria imitação da vida - que este romance poderoso do início ao fim ganha relevância.

Enquanto Deus não está Olhando – Debora Ferraz - SESC 2013/2014
Ano: 2014
Páginas: 368
Idioma: português 

Editora: Record

SINOPSE
O romance de estreia de Débora Ferraz, Enquanto Deus não está olhando, narra a história de Érica, uma jovem artista plástica em busca do pai, que fugiu do hospital que estava internado. Érica procura possíveis rastros que ele possa ter deixado e a partir de pequenas memórias tenta entender a relação com o pai. Enquanto Deus não está olhando é sobre o que a autora chama de instante modificador, aquele ínfimo de segundo que pode transformar completamente a trajetória de alguém. Também é sobre a perda e a insegurança de ingressar na idade adulta sem preparo.

O livro é não linear, como um fluxo de pensamento, composto de pequenas histórias, recordações e sonhos que vão revelando, aos poucos, a solidão e o desamparo da protagonista. • Escreveu seu primeiro livro de contos, Anjos, aos 13 anos e publicou aos 16 de forma independente. O conto O filhote de terremoto foi publicado na edição online da Revista Cult e serviu de base para o curta-metragem Catástrofe. O texto também foi publicado na coletânea do Prêmio Sesc de Contos Machado de Assis – Edição 2012, em que ela foi uma das 13 finalistas. • Enquanto Deus não está olhando é um romance que coloca Débora Ferraz na seleta estante dos autores que merecem com que lhes prestemos a atenção.” – Luiz Ruffato


Quarenta dias – Mária Valéria Rezende – Jabuti 2015

Ano: 2014 
Páginas: 248
Idioma: português 

Editora: Alfaguara
SINOPSE
“Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe.

Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade.

“Eu não contava mais horas nem dias”, escreve Alice em Quarenta dias, um relato emocional e profundo. “Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia (...) Onde andaria o filho de Socorro?, a que bando estranho se havia juntado, em que praça ficara esquecido?”


 Desterro – Sheila Smanioto – SESC 2014/2015


Páginas: 304
2015
SINOPSE
Primeiro romance de Sheyla Smanioto, Desesterro é feito de muitas vozes, de sonhos, de fotografias imaginárias, de uma menina sem nome e de uma avó cansada. O cenário de pobreza e de carência de Vila Marta e Vilaboinha – cidades fictícias – deixa na pele de Maria de Fátima, personagem principal, as marcas das gerações que se sucederam neste universo duro e de fome que ecoa um arquétipo de Brasil profundo. Carregado de dramaturgia, feito de torções gramaticais e desorganização temporal e espacial, Desesterro dá ao leitor a impressão de transitar entre realidade e sonho.



A resistência – Julian Fuks – Jabuti 2016


Ano: 2015 
Páginas: 144
Idioma: português 

SINOPSE
“Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado.”, escreve, logo na primeira linha, Sebastián, narrador deste romance. Como em diversas obras que tematizam a Guerra Suja — o regime de terror inaugurado em 1976 na Argentina —, A resistência envereda pela memória pessoal e nacional.


Sebastién é o filho mais novo, e seu irmão adotado, o primogênito de um casal de psicanalistas argentinos que logo buscarão exílio no Brasil. Os pais conhecem bem as teorias sobre filhos adotados e biológicos (Winnicott, em especial), mas a vida é diferente da bibliografia especializada. Cabe então ao narrador o exame desse passado violento e a reescritura do enredo familiar. O resultado, uma prosa a um só tempo lírica e ensaística, lembra belos filmes platinos como O segredo dos seus olhos.

Céus e Terra – Franklin Carvalho (baiano) – SESC 2015/2016


Ano: 2016 
Páginas: 208
Idioma: português 

Editora: Record
SINOPSE
Com uma linguagem colorida, lírica e densa, Céus e terra conta a história de três mortes ocorridas em 1974: um cigano, um menino e um lavrador. O menino, chamado Galego, filho de família muito humilde, é decapitado por acidente logo no início da obra, quando então descobrimos que é esse pequeno defunto o narrador de toda a história. Sem piedade pela própria morte e sem sofrimento algum, o fantasma mirim acompanha a vida da cidade: o restaurante que se inaugura no velho casarão, o movimento da barbearia e da farmácia, a morte dos habitantes, os casamentos, a chegada e partida do circo. Nesta trama conduzida com leveza e agilidade, acompanhamos a trajetória do menino sem cabeça que vai se tornando um mito dentro da cidade e um sábio dentro dele mesmo, como se a morte pudesse, de fato, conter a chave de todos os mistérios.


Os vencedores de 2017, assim que anunciados, acrescentaremos neste post.

Então, vamos aos trabalhos 2017

Patrícia Brito
Cilene Resende
Leia Mais ››

ATL – Academia Teixeirense de Letras




A leitura é uma arte para poucos, não pelo suposto acesso difícil, mas pela falta de interesse das pessoas. A cidade que incentiva a prática da leitura – através de bibliotecas, livrarias, sebos e campanhas – proporciona uma infinidade de oportunidades para impulsionar a cultura local e regional por meio do conhecimento.

Mas não são todas as cidades que se preocupam com isso. Teixeira de Freitas, até alguns anos atrás, não dispunha sequer de uma biblioteca pública. Felizmente hoje o poder público oferece esse bem inestimável à comunidade.

Contudo, a melhor novidade ficou para 2016, ano em que a ATL foi fundada e instalada por um grupo de artistas liderados pelo poeta e jornalista Almir Zarfeg.

Academia Teixeirense de Letras – conhecida como ATL – despontou em 14 de março de 2016 como uma associação sem fins lucrativos, com a missão de incentivar a produção literária em Teixeira de Freitas e, também, nos municípios que compõem o chamado Território de Identidade do Extremo Sul.

Como todos sabem, 14 de março é a data do nascimento do poeta baiano maior Castro Alves, escolhido patrono-geral da ATL.
“Além de incentivar a produção literária entre os confrades, confreiras e público em geral, a ATL prima pela preservação da Língua Portuguesa e pela divulgação da Literatura Brasileira”, informou Zarfeg, que ocupa a Cadeira 01, cujo patrono é Sady Teixeira Lisboa.

Zarfeg ainda informou que, entre as conquistas da instituição literocultural, está a edição da antologia “ATL em verso e prosa!” e o “Prêmio Castro Alves de Literatura”. Os quais são anuais.
“Desde já, todos estão convidados a prestigiar as sessões solenes da ATL e a participar das atividades e ações acadêmicas. Quanto a você, amiga e parceira Patrícia, meu muito obrigado por este espaço valioso”, concluiu.
RELAÇÃO DOS MEMBROS EFETIVOS DA ATL:


Almir Zarfeg (Cadeira 01) presidente

Athylla Borborema (Cadeira 02) vice-presidente

Cristhiane Ferreguett (03) secretária-geral

Celso Kallarrari (04) tesoureiro

Carlos Andrade (05) conselheiro

Marcus Aurelius (06) conselheiro

Ramiro Guedes (07) conselheiro

Silvio Castro Rosas (08)

Érico Cavalcanti (09)

Carlos Mensitieri (10) diretor de eventos

Fernando Lago (11)

Jomar Ruas (12)

João Santos (13)

Nildo Lage (14)

Armando Azevedo (15)

Jean Albuquerque (16)

Haroldo Carvalho de Morais (17)

Edinar Cerqueira (18)

Fabiano Novais (19)

Fabiana Pinto (20)

Orley Silva (21) membro efetivo

João Rodrigues Pinto (22)

Gisele Ellen (23)

Edla Almeida (24)

João Faustino (25)

Oséas Moreira Lisboa (26)

João Carlos de Oliveira (27)

Cássia Oz (28)

Valci Vieira (29)

Maria Leôncio (30)

Rubens Amaral (31)

Samuel Alves Silva (32)

Elias Botelho (33)

Luiz Brandão (34)

Joselito Souza Leite Júnior (35)

Amaro Vicente Sant’Anna (36)

Luiz Carlos de Assis Júnior (37)

Ademar Bogo (38)

Rubens Floriano Santos (39)

Paulo Américo (40) 

Em tempo: No decorrer dos anos de 2017 e 2018, o Leituras Plus irá dedicar posts especiais aos membros da ATL, um por um, a começar pelo presidente Almir Zarfeg. 

Fiquem ligados.

Patrícia Brito
Leia Mais ››

Eu não sei ter – Marcelo Candido



Ano: 2011 

Páginas: 204

Idioma: português 

Editora: VIRGILIAE


Eu Não Sei Ter' discute as relações familiares e coletivas pelo olhar de um narrador controversamente sincero. Mais do que um homem com dificuldades de se relacionar e de encontrar uma trajetória que lhe traga paz na vida, Justiniano é um homem disposto a encarar seus erros e a questionar os valores da amizade e da fidelidade. Quando o seu grande amigo, Gregório, sofre um grave acidente, Justo vê-se impelido a ir cada vez mais fundo em seus questionamentos, que envolvem não só o amigo, mas também Cândida, esposa de um e amante do outro.







Marcelo Candido de Melo, é escritor e editor, fundador da Livros de Safra. Formado em administração, já cursou matemática mas, apesar de gostar de números, se achou mesmo nas palavras. 






RESENHA

“No começo dói um pouco, vem uma sensação de fuga, porém em silêncio, sem contar a ninguém, o mais sensato é olhar para o obtido, esquecer o ausente e celebrar o acumulado, por menor que seja.”. (p.18).

O prazer da literatura não é somente gracejar com a história, extasiar-se com mocinho ou sentir fúria do personagem mal. A literatura proporciona rescindir tabu, entender a dicotomia sobre as regras da vida.  Regras estas, impostas na maioria das vezes, por uma sociedade sem compaixão ou extremista.

Eu não sei ter é mais uma obra do escritor Marcelo Cândida, pelo selo Virgilia. 

Justiniano é um personagem que foge dos padrões convencionais. Sua conduta nada crível, o faz remeter a meditações, protótipos da vida, sociedade e comportamento.

Beirando os 50 anos, sem família, galanteador assumido, gosta do prazer de ter companhias sem compromissos. Mas também é homem de sentimentos, mesmo que estes, sejam fora do arquétipo. O enredo apresenta um protagonista que se vê em uma situação delicada e, ao mesmo tempo inusitada. Pois seu melhor amigo, o Gregório, está em coma, quase vegetando, por culpa de um acidente.

“O casamento é cruel para as amizades – e a amizade também pode ser cruel para o casamento, depende da escolha que se faça.”.(p. 22).

E a surpresa maior, é quando ele descobre que seu amigo não é muito diferente dele. Muito pior: está em coma e não tem como afirmar nada.

Sarcástico, Justiniano em todo momento não tem medo de expressar sua indignação com condutas comportamentais do próximo. Agro pela solidão que ele mesmo cultivou; ácido com uma perda dolorosa; demasiado até quando é irônico para escolher a “mulher de sua vida”, como oferecer um bonsai, para aquela namorada, depois de alguns meses juntos. A filosofia de Justiniano como o bendito é: Se bonsai fosse cativado, a moça era a mulher ideal. Mas é óbvio que isso não funcionou.


Bonsai
CADA UM COM SUA MANIA
"Bonsai é uma palavra japonesa que em português significa “plantando em uma bandeja”. São árvores madurasminiaturizadas através de podas contínuas de galhos e raízes e amarrações com arame.". Fonte: Significados, Clique e conheça sobre o Bonsai

A narrativa é peculiar ao autor. Narrada em primeira pessoa, algumas vezes me fez lembrar o livro As intermitências da morte de José Saramago, talvez por ter tema forte, mas o certo mesmo é a lembrança do estilo de escrita. Cada um com suas peculiaridades, ao mesmo tempo ambos fugindo do convencional.  


“Ela não disse nada, me puxou para o sofá e me pôs no seu colo. Fiquei assustado, mas gostei. Fez carinhos na minha cabeça e depois de uns dez minutos disse: Na vida não dá para estender tudo. A única certeza é que para quem está vivo a vida tem que continuar, nem que não seja vivida.”. (p.33).

O personagem Justiniano descreve em tom de desabafo, como se encontrasse em um divã. O interessante e que marcou a leitura, é ver o pensamento do protagonista mesmo quando é outro personagem o dono da voz. Explicando: Não existe diálogo padrão, mas existem diálogos intensos e tão enternecedores ou mais entre os integrantes da história. É bem escrita, tem palavras bem posicionadas, o que facilita o ritmo da leitura.

“Não nos colocar na posição dos outros é a nossa falha mais comum, a razão da maioria dos desencontros.”. (p.36)

Os personagens secundários proporcionam mistério em todo o decorrer da narrativa. Gregório, Cândida, permitindo momentos conturbados e Lygia, que entra devagar e sai silenciosamente.

As escolhas e filosofia de vida de Justiniano podem causar repulsa ao leitor mais recatado. Entretanto ler, compreender as escolhas do mesmo, sem julgar, sem hostilidade, foi o que senti com essa obra.

“... as pessoas próximas da gente perdoam tudo, menos ser ignoradas... Na leitura, também concordei que a amizade é o mais nobre dos sentimentos, o mais intimo dos sentimentos, e por isso tão raro.”. (p.196).

Pessoas de erros e acertos, isso ocorre o tempo todo. 

Errar...
               uma, 
                      duas, 
                               três... 
                                         sempre errar, aprender e consecutivamente.

A vida é uma constante faculdade, você pode escolher, mas jamais estará imune dos erros.


Nota máxima. Leitura recomendada.




Leia Mais ››


© BOLG DA MARY - 2015-2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: MARY DESGN.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo