Nós matamos o Cão Tinhoso! – Luís Bernardo Honwana

ISBN-13: 9788568846308
ISBN-10: 8568846300
Ano: 2017 / Páginas: 145
Idioma: português
Editora: Kapulana
Livro de contos do moçambicano Luís Bernardo Honwana.
Inclui os contos: Nós matamos o cão tinhoso! e Rosita, até morrer.

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RESENHA

“O volume é composto por sete contos que, de modo geral, recriam a atmosfera asfixiante vivida pelos trabalhadores colonizados e suas famílias e acabam por operar uma denúncia da violência material e simbólica, do racismo e de toda a sorte de injustiça a que era submetida a população moçambicana pobre em meados do século passado.”
(p.134 – Vima Lia de Rossi Martin – Doutora em Letras).


Ler Nós matamos o Cão Tinhoso! é uma oportunidade de estudo - única - para entender a escrita e uma época delicada da história de um país, ou mesmo mundial. Não é uma leitura simples, e sim um verdadeiro ensinamento.

Peculiar, a obra pode ser apreciada de duas formas.

O leitor pode começar do início e, no decorrer da leitura ir descobrindo em cada conto as mensagens “entrelinhas” e até mesmo mensagens escancaradas.

Ou simplesmente ir para página 133 e compreender do que se trata a obra, assim apreciar a leitura com mais entendimento de cada conto exposto e de como a realidade de uma era é relatada em meio a ficção.

Nós matamos o Cão Tinhoso! é de autoria de Luís Bernardo Honwana, um marco  na literatura moçambicana. Publicada em Moçambique em 1964 em uma edição própria do autor.

LUÍS BERNARDO HONWANA nasceu em 1942, na cidade de Lourenço Marques (atual Maputo), e cresceu em Moamba, cidade do interior onde seu pai trabalhava como intérprete.

Em 1964, ano da primeira publicação de Nós matamos o Cão Tinhoso!, Honwana tornou-se militante da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). No mesmo ano, foi preso por suas atividades anticolonialismo de Portugal, e permaneceu encarcerado por três anos.

Em 1970, foi para Portugal estudar Direito na Universidade Clássica de Lisboa. Após a Independência de Moçambique, em 1975, foi nomeado Diretor de Gabinete do Presidente Samora Machel, e participou ativamente da vida política do país a partir disso: em 1982, tornou-se Secretário de Estado da Cultura de Moçambique e, em 1986, foi nomeado Ministro da Cultura. (Fonte:  http://www.kapulana.com.br/biografia-de-luis-bernardo-honwana/)

Os contos da obra são:
  1.  Nós matamos o Cão Tinhoso!
  2. Inventário de imóveis e jacentes
  3. Dina
  4. A velhota
  5. Papá, cobra e eu
  6. As mãos dos pretos
  7. Nhingutimo
  8. Rosita, até morrer
A idiossincrasia fica por conto da narrativa. A maioria em primeira pessoa, contendo em dois âmbitos, narrador-protagonista e personagem-observador, às vezes em um único conto contém os dois estilos de narrativa.

O destaque da narrativa fica por conta do Português personalizado,

“... Honwana optou por representar o contexto sociocultural a partir da incorporação de palavra, expressões e modos de fala tipicamente moçambicanos...”
 (p. 135 - Vima Lia de Rossi Martin – Doutora em Letras).

Encontra-se palavras características da população do país, fazendo a leitura ficar interessante. Porém, supera com as “brincadeiras” que o autor faz com algumas palavras, obrando junção do português com outros idiomas que África tem como influência.

Cada conto tem seu traço, uma mensagem mais específica. O contexto da obra trabalha uma época difícil do colonialismo e que o próprio autor sofreu as consequências. 

Cada leitor terá seu conto predileto.

Aqui, pode-se destacar o que leva o nome do título, trabalhando bem a rejeição, prejulgamento, perversidade e o comportamento diferenciado de cada personagem. E também destaca-se a delicadeza do “Inventário de imóveis e jacentes”

“O ar está pesado neste quarto, porque além de estar tudo fechado, dorme aqui, incluindo-me, 5 pessoas. Às vezes somos 6 e isso dá-se mais frequentemente, porque a cama agora ocupada pelo Papá é normalmente ocupada pela Tina e pela Gita, que agora dorme com a Mamã no outro quarto” (p.51)

E a realidade do conto Dina,

“Dobrado sobre o ventre e com as mãos pendentes para o chão, Madala ouviu a última das doze badaladas do meio-dia. Erguendo a cabeça, divisou por entre os pés de milho a brancura esverdeada da calça do capataz, a dez passos de distância. Não ousou endireitar-se mais porque sabia que apenas devia largar o trabalho quando ouvisse a ordem traduzida num berro. Apoiou os cotovelos aos joelhos e esperou pacientemente.” (p.57).

Leitores precisam conhecer ou reler esta obra; a nova edição encontra-se bem trabalhada e perceptível, contendo uma extensa biografia do autor e uma análise rica de Vima - Doutora em Letras.

Estudantes de Letras precisam reler ( ou mesmo conhecer), não por ser uma simples clássico de uma era importante, mas ainda mais, por ter uma narrativa e escrita bem característico de Honwana, amadurecendo qualquer estudioso da literatura.

                                                                                       BY:
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