O Menino de Boa Esperança - Sérgio Douglas

ISBN-13: 9788551803851
ISBN-10: 8551803859
Ano: 2017 / Páginas: 282
Idioma: português
Editora: Autografia



O romance conta a história de um garoto da periferia do Rio de Janeiro que lutou para vencer a barreira da miséria. Filho de mãe solteira, o rapaz não teve referências familiares em que pudesse se inspirar. Ao longo da vida, foi conhecendo pessoas e passando por situações que o fizeram acreditar que tinha inteligência suficiente para conseguir ir longe. Dotado de uma determinação implacável, este herói popular teve a audácia de determinar claramente, ainda na adolescência, seus ambiciosos objetivos pessoais. Munindo-se de muita coragem, força de vontade e fé no que não podia ver, ele usou toda sua garra e talento para deixar de lado os mais duros empecilhos da vida e tornar-se um homem realizado.

RESENHA
“... se o que você escreve é autobiografia, você não é um artista. Eu penso o contrário; a autobiografia (busca obstinada da verdade) pode ser uma arte...”
(Entrevista com Philippe Lejeune – teórico e crítico – pai do pacto autobiográfico)

Se um livro é considerado literário quando há teor crítico dentro da narrativa; então, pode-se dizer que a leitura autobiográfica é considerada literatura? Já que em toda apreciação biográfica, existem fundamentos, comprovações de uma realidade, existindo assim, fatos históricos vivenciados em um determinado momento.

Antes existiam escolas literárias, hoje existem gêneros literários, escritores contemporâneos. Biografia é um gênero bom para ser apreciado quando buscamos adquirir lucidez, vivenciar uma realidade, emocionar com experiências, a labuta do autor e de quem conviveu; afinal, para decidir escrever sua história, pessoas admiráveis ou não, passaram pelo autor e algo importante foi vivenciado, marcando assim, a sua vida  ao ponto de querer compartilhar sua existência.

Apreciar este estilo literário é adentrar na vida real de uma pessoa na qual fez diferença na sociedade, em um determinado espaço de tempo. Um bom amante da leitura aprende e adquire  grandiosos conhecimentos com obras sobre "a vida".

“A diferença entre eles não estava no próprio texto, mas no que Gérard Genette chamou de paratexto, no compromisso do autor com o leitor em  dizer a verdade sobre si mesmo. É completamente diferente do compromisso do autor com o leitor em dizer a verdade sobre si mesmo...”
 (Entrevista com Philippe Lejeune – teórico e crítico – pai do pacto autobiográfico, falando da diferença de leitura ficcional e autobiográfica)

Sérgio Douglas nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1979. Cresceu no bairro Boa Esperança, na Baixada Fluminense, Nova Iguaçu. Estudou em escolas públicas conhecidas como “brizolões” e se formou em técnico em contabilidade no ensino médio. Em fevereiro de 2000 ingressou como funcionário de carreira no Banco do Brasil, no cargo de escriturário. Formou-se em Direito graças a uma bolsa de estudo e, na sequência, fez pós-graduação em gestão Empresarial. Posteriormente especializou-se em Economia e Finanças e Gestão de fortunas. Atualmente é consultor financeiro do Banco do Brasil Private.

O Menino de Boa Esperança é um livro que narra os de percursos difíceis de um jovem, uma leitura de superação e desafio, uma obra com erudição e compreensão sobre “saber viver”.

Na primeira parte da obra o autor explana o histórico dos seus ascendentes, começando pela “A Vó” - Marieta, passando pelos filhos  até chegar aos momentos de conquistas. Entretanto a verdade é que a cada capítulo, é uma provocação da vida conquistada, quase um convite para sua desistência.

“Apesar de dedicada filha, apanhava bastante. Como todo aprendiz, fazia coisas erradas e erros nos afazeres não eram considerados parte do processo, mas sim, desobediência passível de exemplar punição para não voltar a repeti-los” (p.18)

Por causa da vida um pouco desumana que Marieta foi educada, sua frieza acabou passando adiante, aos seus filhos. Ela não foi uma mãe amorosa, não por maldade, mas sim pela circunstância da vida. Fazendo assim, que seus filhos, ao menos os mais velhos, escolhessem em batalhar pelo seu destino, almejando sair daquela vida mediana. 

Foi o que ocorreu com Benedita ou Bené, moça de pouco amor pelos estudos, mas de afinco, corajosa, firme no caminhar da vida. Sem grandes opções, começando labutar cedo.
 
“Ela era uma pessoa conformada com a vida que levava até os 16 anos, momento em que tudo começou a mudar na sua percepção.” (p.20)

Neste ciclo enfrentado com muita coragem e nenhuma alternativa, surgem as consequências. Vida doméstica, mulher de bar, paixões, dois filhos, faxineira. Mas ao contrário do exemplo de D. Marieta, sua mãe, Bené seguiu na educação e zelo com seus filhos, mesmo que, precisasse entregar aos cuidados de terceiro e ficar dias sem vê-los.

Os leitores irão encontrar uma vida difícil, de muitos desafios nesta primeira parte da obra.

“A casa era infestada de ratos, que se aglomeravam entre uma quantidade enorme de carretéis de linha de crochê e tricô...” (p.42)

Se a vida de Bené não foi fácil, imagine como foi a vida de Chico e seu irmão mais velho. 
Assim começa o segundo momento da obra; chegando assim, na metade. Momento em que o enredo centraliza a tenacidade em Chico.

Chico tem também uma vida sofrida. Entretanto, foi uma criança amável, um jovem esforçado, um adulto persistente.

“Afinal, de tudo se deve tirar algum aprendizado” (p. 212)

Uma criança assídua, família, estudiosa e diferente. Desde cedo percebendo que sua vida não seria nada fácil, ele fez escolhas árduas e no seu entendimento necessário, como por exemplo: deixar de brincar para ler.

A vida continua e Chico cresce cada vez mais focado. Na adolescência vêm as responsabilidades -de  trabalhos informais ao primeiro trabalho formal.

Ao chegar na fase adulta, a labuta continua e a sede de crescer aumenta, seja profissionalmente, seja nos estudos.

“Tinha tido uma infância muito difícil e não estava muito interessado em aventuras de adolescente.” (p.195)

Este livro tem todo segredo de uma leitura enriquecedora. Proporcionando oportunidade a cada leitor, de aprender com o "saber viver". 

Narrativa romanceada da própria vida do autor. 

Um livro refinado, linguagem simples, com palavras bem posicionadas, fazendo a leitura ficar prazerosa.

Acreditar, saber escolher e dedicar-se ao seu objetivo, independente da condição vivenciada.  Este é segredo e o maior aprendizado que esta leitura deixa aos leitores.

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