O Ritual dos Chrysântemos - Celso Kallarrari


ISBN-13: 9788580880816
ISBN-10: 8580880815
Ano: 2013 / Páginas: 281
Idioma: português
Editora: Reflexão

Sinopse

O Ritual dos Crisântemos conta a história amorosa e trágica de Eurico, filho de pai sírio e de mãe índia guarani, e Poliana, filha de pai japonês e mãe paraguaia. Desde a infância, os dois fizeram um pacto de castidade, de fidelidade até o seu casamento, ritualizado numa inscrição num pé de erva-mate, num morro de uma cidadezinha no interior do Mato Grosso do Sul. A história se desenvolve a partir da morte de Poliana, na Avenida Paulista, num apartamento, onde Eurico, o namorado, residia. A morte de Poliana é envolvida por mistério, isto é, pela simbologia dos crisântemos (planta que acompanha misteriosamente a vida do casal), que são despetalados e semeados no corpo de Poliana (primeira vítima) e depois, durante um período de três anos, nos corpos das outras seis vítimas encontradas mortas nos parques de São Paulo. Nesse ínterim, a causa mortis de Poliana, a primeira vítima, torna-se um suspense, principalmente porque o narrador deixa o leitor a todo o momento em dúvida, sem saber, ao certo, se Poliana fora assassinada ou se suicidou. E, ainda, se fora morta, quem, possivelmente, seria o autor do homicídio e, consequentemente, dos outros assassinatos que envolvem, misteriosamente, a planta crisântemos. No momento da morte das sete jovens virgens nos parques de São Paulo, os crisântemos fazem parte desse ritual macabro. Torna-se necessária à polícia a investigação dos crimes e à associação com o primeiro crime, o de Poliana, acontecido no apartamento de Eurico. Desde então, Eurico é o principal suspeito e, por conta de um mandado judicial, é solto da delegacia, porque seu advogado, a partir de exames médicos, comprovou que Eurico sofria de esquizofrenia. A princípio, não se sabe, pois, se Poliana fora assassinada ou se cometeu suicídio e o leitor só irá descobrir se conseguir adentrar o jogo narrativo que o autor faz com maestria. 

RESENHA

Imagem do livro

“Você sabia, poli, que Khusánthemon é um nome do grego e que no latim se chama 
chrysanthemum? Ele é cultivado na China há mais de 2.500 anos? Foi levado pelos budistas para o Japão e, por isso, ficou conhecido lá como um dos símbolos do país chamado Sol Nascente.” (p.171)

Ao iniciar a leitura desta obra, de imediato, surgiu um questionamento:

Qual o limite do conhecimento que a leitura lhe proporciona?

Com esta obra iniciei este questionamento e finalizei a leitura sem resposta.
Motivos?
  1.  O conhecimento que a obra propicia é muito além do esperado que, se for pontuar aqui, a resenha ficaria extensa, podendo resultar em fadiga no leitor. Então, só lendo para se deliciar com a obra.
  2. A narrativa é não linear, mesmo todas as cenas contendo registro de período. O autor brinca bastante com o texto, com idas e vindas entre o presente e pretérito.
  3. Tem elementos básicos de um romance, claro, como: tempo, espaço, enredo e personagens. Mas cada elemento tem suas peculiaridades próprias na escrita de Kallarrari.
  4.  Quanto ao estilo da narrativa, logo no início o autor deixa claro que quem narrará a história é o “Eulíricus” e aí fica uma dúvida: o Eulíricus é um narrador Onisciente ou é mais uma “brincadeira” do Kallarrari?

“Depois da sua morte, eu assumi, quase que, psicograficamente, as vontades de Eurico e, por isso, escrevi, de modo biográfico.”(p.18)



Vamos por partes.
O conhecimento é algo que você encontra em todas as páginas de “O Ritual dos Chrysântemos”. Desde a explicação e origem da planta, que leva o título da obra, até a cultura de vida dos índios e japoneses, já que todos os personagens têm seus descendentes bem ativos.

Poliana dimana de uma família japonesa. Neste trecho, o leitor pode sentir como a cultura e as tradições são fortes.

Apreciando esta leitura, rememoro um outro Livro, o “Nihonjin” de Oscar Nakasato, vencedor do prêmio Jabuti de 2012, onde narra com muita riqueza, detalhes da cultura japonesa (Resenha NIHONJIN – OSCAR NAKASATO - Clique aqui), Poliana é uma jovem que ama Euricus, porém ela é obediente a seus pais e a sua cultura, isso dificulta a relação amorosa entre os protagonistas.

Já Euricus tem sua descendência: sírio com índia guarani.

“... ele se tornou um mito, no nosso mundo secular e desigual, aos índios guaranis, um grupo desprovido, afavelado, ilhado pela metrópole paulistana” (p.18)

Com os personagens, temos longos trechos de leitura com consideráveis informações culturais, cheias de detalhes, em cada cena.
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Mas a obra vai muito além da cultura dos personagens, tem variados fatos históricos como:

      História de Ponta Porã (cidade de Eurico e Poliana);
Rios: Paraguai; Rio Miranda; Rio Aquidauna (uma boa oportunidade de ser curioso e pesquisar sobre cada rio mencionado);
      Final dos anos 70 à história “Trem do Pantanal”.

Isso tudo e muito mais é encontrado apenas na primeira parte da obra “PREAMBULA”, onde é apresentada toda a vida de Eurico.

“...o Brasil era visto como terra das oportunidades, porque passava por um período de urbanização e industrialização, oportunizando a muitos as atividades comerciais...”. (p.127)

Em CENARIUS – Avenida Paulista, somos apresentados:
 Zaqueu;
Guerra Guasú (1864-1870);
Júlio Prestes – Presidente recém-eleito em 1930;
E muito mais...

“Mas o tempo tem lá os seus tempos pretéritos, não se interessa conosco, com as coisas amiúdes, com as cartas descartadas do baralho da vida, com a garrafa na sarjeta.” (p.189)

A morte de Poliana se dá com intenso mistério em cada página, a forma como o autor escolheu de narrar este enigma supera alguns livros policiais contemporâneo.

A terceira e última parte fica com EPILOGA – Os crimes do Chrysãntemos, contando um pouco da vida de Poliana e o desfecho trágico do casal, mencionado no início do livro.
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Nesta resenha, não mencionei nem a 1/3 da metade do que esta obra oferece, em termo de conhecimento e cultura.

No início fiquei confusa com a narrativa, pois existem muitos fatos narrados “entre linhas”, existem cantigas da tradição cultural do índio, de difícil leitura.

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Não é uma leitura comum, com clímax, narrativa e final clichê, mas é uma leitura que você encontra um momento de virada surpreendente e o melhor é exposto apenas no final da obra. Fazendo a narrativa dar uma guinada, deixando qualquer leitor aturdido, conforme a história e o assassinato vão se revelando em cada página.
Imagem do livro

A última parte é de muito suspense, instigando, o apreciador da leitura devorar cada testemunho. Entram personagens figurantes que enriquecem o drama dos protagonistas.

Por fim, é uma leitura erudita, escrita com maestria, recomendada a todo e qualquer leitor que aprecia suspense, história de amor, narrativa inerente, que gosta de conhecer história, cultura, tradições peculiares de um determinado povo.

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Celso Kallarrari nasceu no Mato Grosso do Sul, em 1973, e vive na Bahia desde 2000. É escritor, professor titular da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Licenciado em Letras e graduado em Teologia, mestre em Educação e doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica – PUC-Goiás. É autor de três livros de poesia: A Porta Remendada (2003) e As Últimas Horas (2009) e As Últimas Palavras, (2013), e estreou no gênero romance no mesmo ano com o livro O Ritual dos Chrysântemos (2013). (Fonte: Skoob)
Site Autoral: http://www.celsokallarrari.com/
Mais sobre o escritor - Clique Aqui





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By: Patrícia Brito





2 comentários:

  1. Gente! Que leitura difícil, mas muito desafiadora, gostei!
    A primeira vista, a capa, parecia de um livro de colorir, mas depois eu vi que tem muito conteúdo ali, fiquei super curiosa para conhecer o desfecho.
    Parabéns pela resenha.
    Bjos
    Vivi

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    Respostas
    1. Vivi, é uma leitura para tirar você do comodismo. Tem que ler com muita atenção, é super desafiador, diferente, mas ainda assim, admirável, fico arrepiada com a criatividade e talento de certos escritores.
      Amo sua visitinha.
      Beijos

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