No Reino Das Girafas – Jacqueline Farid


Ano: 2017 / Páginas: 110
Idioma: português
Editora: Jaguatirica

Uma mulher enfrenta o desejo da separação do companheiro e as dúvidas desencadeadas pelo desejo, tendo como cenário a exuberância da Namíbia. A solitária viagem de carro pelas cinematográficas paisagens namibianas são o pano de fundo para reflexões sobre o amor, a natureza, viagens e os hábitos contemporâneos. Jacqueline Farid mistura diário de viagem e ficção para contar a história de dois personagens que se apaixonaram e reforçaram os laços afetivos no país africano – o mesmo que, paradoxalmente, será o território do seu rompimento. Como ocorre em toda viagem a paisagens longínquas e aos próprios sentimentos, o que a espera é o inesperado.

RESENHA

“... a imaginação sempre o combustível do pânico...” (56)

A maioria dos leitores ao iniciar ou escolher uma nova leitura, os mesmo leem, releem, analisam e estudam a sinopse, para compreender o contexto da obra e saber o que a leitura lhe proporcionará no decorrer de alguns dias.

Fui apresentada a esta obra por meio da Agência literária – OASYS CULTURAL - http://oasyscultural.com.br/ e, de imediato, encantei-me, sentido, que a leitura prenunciava ser prazerosa.


Porém...
O choque vem nas primeiras páginas.
Não é uma leitura qualquer; a “história de amor” ou separação é apenas uma pincelada na leitura. 

Na verdade o que realmente encontramos na obra é o amor próprio, o encontro do “eu com o eu”.

"Uma década adiando o adeus, a despedida anunciada no instante primeiro"(7)

A obra é muito mais profunda, as reflexões densas fazem o leitor apreciar, questionando o tempo todo. Não questionamentos simples, do tipo: se fosse comigo? Mas reflexões de análises intensas dos fatos narrados, dos sentimentos expostos, das descobertas e até mesmo das aventuras vivenciadas na viagem.

Foto: http://www.smartplanet.com.br/paises/namibia/
Namíbia é o cenário do livro, da personagem/autora, que visita o local pela terceira vez, mas esta última com um deleite especial - ela e ela, em um país de muitas aventuras.

Um país da África limitado a norte por Angola e Zâmbia, segundo informações oferecidas em sites de pesquisas o território da Namíbia foi habitado desde os tempos antigos pelos povos Khoisan, Damaras e Namaqua, com uma notável imigração de Bantos a partir do século XIV. Dividida por 13 regiões, são elas:
Caprivi
Erongo
Hardap
Karas
Kavango
Khomas
Kunene
Ohangwena
Omaheke
Omusati
Oshana
Oshikoto
Otjozondjupa

É um destino comum para os interessados na caça esportiva e outras aventuras, já que, a paisagem é favorável geograficamente para viagens de observações de vegetação e animais exóticos. Tem parte dominada por Alemães, uma região mais organizada.

Faz-se necessário apresentar o cenário do livro, pois em todo decorrer da leitura, o leitor encontrará Namíbia e suas belezas.

"Vento que não move, apenas zomba" (7)

Bem escrito, com uma narrativa bem peculiar e própria, pois às vezes sentimos a história em primeira e terceira pessoa, mas às vezes sentimos dentro de um diário de reflexão, onde o “eu” se faz presente em todas as meditações.

A autora/personagem sempre tem um fiel caderno de anotações e dessas anotações emanam seus pensamentos, frases reflexivas, que mexe com o leitor.

"Olha para o lago em busca de placidez que falta ao seu desespero" (7);
"Quantas palavras neste imenso silêncio... separar exige uma coragem que a gente só conhece na hora."(10);
“A mentira traz embutida a verdade como um enigma” (91)
“As melhores coisas são inúteis” (73)

A leitura é dividida por: apresentação, mais 12 capítulos, mais epilogo. São eles: a mensagem; a estrada; a rede; a tribo; acampamento; o limiar; enfim etosha; a queda; fronteira; Rota do vento; odisseia no espaço; castelos de areia.

Cada capítulo uma reflexão, uma aventura, um desabafo. Em toda obra encontramos a dúvida da personagem, em colocar ou não o fim de uma relação e, a melhor parte deste, é o final, que resulta em boas risadas depois de infindos ensinamentos.

Não é uma leitura com momento de virada ou com enredo clichê. Mas é uma leitura cultural, histórica, onde passa por: Vilas; Ruacana; Namutoni; Kunene; Angola; povos regionais, como Himba; encontros e desencontros com animais “turísticos”, aqueles que observamos e tiramos fotos enquanto escutamos a história (leão, girafas, elefantes etc); anotações e observações.



Um capítulo inesquecível neste livro foi “A rede”.  Uma crítica do início ao fim, onde questiona a super exposição das pessoas nas redes sociais, ou por exemplo, a mania de viajar e querer alimentar  pratos caseiros.

"Viaja para não estar em casa, ora." (21)

Por fim, é uma leitura como guia de vida, de viagem e cultura. É para ler e reler, sentindo todas as palavras compenetrada. Mostrando que a vida é delicada, quando suas decisões são inseguras.


Uma obra literária, com edição caprichosa, contemporânea, que consiste em ler analisando da primeira à última página;

Um livro curto...
   que fala muito...

       e é merecedor estar em mãos de muitos leitores.  

***
Jacqueline Farid é jornalista nascida em Minas Gerais, mas escolheu o Rio de Janeiro para viver, há 17 anos. Trabalhou em diversos veículos de comunicação, sempre na editoria de Economia. Atualmente é assessora de comunicação. Viajou a Namíbia em 2009, 2010 e 2011. No reino das girafas foi escrito em 2012. 



BY: Patrícia Brito
www.patriciabritto.com

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