Quiçá – Luisa Geisler. LVA 4


Ano: 2012 / Páginas: 240
Idioma: português 
Editora: Record


Arthur aparece na casa de Clarissa como um parente do interior, quase desconhecido. Jovem problemático, tentou suicidar-se, foi internado e, agora, irá passar um ano letivo com seus tios e com a prima de 11 anos. O primo desajustado vai mostrando, no seu tom monocórdio uma crescente humanidade em relação à Clarissa. Compartem da mesma solidão, num medo, talvez, de perder-se, de diluir-se, sem que ninguém os veja. O romance foi vencedor do prêmio Sesc de Literatura 2011. 







RESENHA:

"Full HD, conexão à internet, com 3D, 52 polegadas" 
Quase um mantra, tendo em toda obra.

Ao finalizar a leitura desta obra, fica uma singela pergunta: É mesmo necessário seguir todas as regras, disciplina e padrões? Não só aqueles padrões louváveis, mas também aqueles insurgentes ou lastimáveis.

Esta obra é a quarta leitura do Projeto Literatura Verde Amarela, na qual eu e Cilene do Blog Meu Vício Literário estamos estudando e tentando entender o que tem de especial nos livros vencedores do Jabuti e Sesc.

Quiçá foi premiado pelo SESC de literatura 2011 e muito bem aceito pelos críticos.

O enredo tem confrontos de personalidades dos personagens principais. Enquanto, Clarissa é uma filha exemplar, cumprindo exigências que ela mesma impõe, nos seus poucos 11 anos, tem uma rotina puxada com estudos, aula de natação, piano e  zelo com seu gatinho.

Seguindo a linha oposta, o seu primo Arthur é um ex-suicida, fumante e tatuado, não tem hora para nada e não leva os estudos a sério.

O conflito maior surge quando Arthur passa a morar com a prima Clarissa e o pais dela Lorena e Augusto. Profissionais ocupados, dono de agência de publicidade, que só chega em casa depois da 20h, assim deixa a desejar com a responsabilidades de pais educadores, exigindo da própria Clarissa o comportamento adequado.

"Clarissa sorriu para mãe, a linda mãe, a mãe que dormiar três horas por noite. Esqueceu-se de Arthur, da ausência do pai, das conversas que Arthur tinha com a família, com Augusto, esqueceu-se das caronas, das vezes que espera pelos pais acordada, das vezes que pediu que chegassem cedo para que pudessem jantar juntos e eles não puderam. Era linda, a mãe". (p. 189)

Seria uma obra simples, básica, se não fosse: a criatividade da autora e fazer uma narrativa não linear. A leitura é dividida em três momentos: 1. Os capítulos principais; 2. Entre um capítulo e outro uma reflexão, mensagem, ou texto solto; 3. E o almoço de Natal.

Além de não ser linear, encontra-se a simplicidade da escrita, as brincadeiras com as palavras e frases fazendo a leitura seja rápida. Alguns momentos você pode ler em voz alta, resultando em momentos divertidos com a narrativa.

A ONU estima que 4,4 pessoas nasçam por segundo no planeta e 1,8 pessoa morra por segundo no planeta
tique, 4,4
taque, 1,8
E agora você é mais velho do que jamais foi.
tique
taque
E agora você.
(p. 29)

Com este projeto LVA venho questionando cada vez mais as leituras premiadas, as exigências dos jurados ou críticos literários. A cada leitura fica evidente que a escrita mais surreal, inexplicável tem voz vencedora. Até agora, apenas um romance profundo e bem trivial foi vencedor que apreciei com entusiasmos, os outros até este, percebo que a criatividade é um preceito destemido.

Porém, ficam aqui algumas ponderações a serem ressaltadas como leitora. Cada obra tem sua singularidade, neste especifico, a leitura fluiu, mas alguns impasses e indagações foram encontrados, como: Uma família de classe média alta, onde tem a filha pequena, por qual motivo não tem uma secretária no lar? Um primo na qual tem sérios problemas de personalidade e comportamento, com apenas 18 anos fica totalmente responsável pela prima ao ponto de frequentar as reuniões escolares. Questões com “verossímil” que como leitora compulsiva fiquei questionando.

Mesmo com estes enigmas, a leitura é deliciosa, tranquila, tem leveza. Foi uma descoberta/estudo bem prazerosa, assim como conhecer e acompanhar carreira da autora. 

E o final? O que falar? Tem final? Leiam e me contam. 

Foto: Site Sesc

Autora: Luisa Geisler (17/06/1991) nasceu em Canoas (RS), mas passa dois terços de seu tempo em Porto Alegre, estudando Relações Internacionais. Contos de mentira é seu livro de estreia, mas conquistou o prêmio Sesc de literatura. Para alguém que nasceu em 1991, não é pouco o que já fez: ganhou prêmios literários, publicou contos em antologias, revistas e na internet, traduziu, lecionou inglês, arrancou os sisos, tentou fugir de casa, estudou cinco idiomas estrangeiros e somou outros tantos feitos afins. (Fonte: Skoob)

Um comentário:

  1. Gostei de conhecer esse projeto que estuda o que o que tem de especial nos livros vencedores do Jabuti e Sesc. Esse eu não conhecia, confesso. Não tenho muito interesse em ler, mas aparenta ser uma boa obra. A autora parece bem inteligente.

    Abraço!!

    Meu blog: Palavra Pensada (:

    ResponderExcluir


© BOLG DA MARY - 2015-2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: MARY DESGN.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo