Nihonjin – Oscar Nakasato. Projeto LVA #3



Ano: 2011
Páginas: 176
Idioma: português
Editora: Benvirá

SINOPSE:
Hideo Inabata é um japonês orgulhoso de sua nacionalidade que chega ao Brasil na segunda década do século 20 com o objetivo de enriquecer e cumprir a missão sagrada de levar recursos ao Japão, conforme orientação do imperador.
O trabalho no campo, a adaptação ao Brasil, a morte da primeira esposa e os conflitos com os filhos Haruo e Sumie são um teste para a proverbial inflexibilidade do Nihonjin (japonês). O narrador, neto do protagonista e filho de Sumie, empresta voz e visão contemporânea à transformação do avô e do seu sonho de voltar rico para casa.


RESENHA

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Nihonjin = Japonês

Se toda história fosse estudada no período colegial, por meio de livros romanceados, com certeza muitos interessariam em aprofundar no conhecimento e poderiam ir muito além que obrigações.

A colonização japonesa é uma história rica, profunda e delicada no contexto biográfico do Brasil.

Vocês entenderão nesta resenha, em poucas linhas, como ocorreu e os fatores que impulsionaram a era Japão X Brasil.

A chegada dos japoneses aos países americanos, mais exatamente ao Brasil, começou oficialmente no início do século XX, no ano de 1908, em 18 de junho. Em São Paulo, foram desembarcados no porto de Santos, interior paulista, 781 lavradores em busca de trabalho nas fazendas dos cafezais. O último navio foi só em 1973. Portanto, por mais de 60 anos, o Brasil recebeu a população oriental em busca de novas oportunidades.

Esse anseio da imigração ocorreu por dois fatos. Primeiro: o Brasil estava no auge da plantação de café, sendo este o grande estímulo da economia da época. Porém, mesmo com bom desenvolvimento econômico, existia a falta de mão de obra. O segundo fato é exclusivo do Japão que, por se encontrar em período de grande crescimento populacional, a sua economia não conseguia gerar empregos suficientes para toda a população. Sendo assim, suprindo necessidade de ambos os países, decidiu-se por selar o acordo imigratório.

Mas os problemas dos nipônicos estavam apenas iniciando, pois a adaptação foi difícil, os sonhos eram grandes e as condições sempre desfavoráveis.

É justamente tudo isto que iremos encontrar na obra do escritor Nakasato. Este escritor, neto de imigrantes japoneses, Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade Estadual Paulista, é professor de literatura e linguagem na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Estado no qual reside atualmente. Tem outros escritos, contos premiados; e este livro, o quarto a ser estudado pelo Projeto Literatura Verde e amarela, é o grande vencedor do Jabuti 2012.

Um livro curtíssimo, de apenas 175 páginas, mas de uma essência incomparável, causando em qualquer leitor muito além de conhecimento a peculiaridade da cultura. Costumes diferentes que, no decorrer da leitura, os julgamentos mudam para compaixão e compreensão. São tradições chocantes, mas intrínsecas.

Quem narra a história é o neto de Hideo, e a proposta do personagem é mostrar a dor do avô Hideo, ao chegar ao Brasil com um plano e ver tudo sendo sufocado por uma cultura diferente, sem nenhuma expectativa de crescimento, assistindo a seu sonho de retornar ao seu país escapar.

A obra se inicia na casa do tio Hanashiro, onde Ojiichan explana a sua decepção em não ter conseguido retornar para o Japão. Sendo assim, passamos a conhecer toda a história de Hideo.

A partida, despedida no Japão, a chegada ao Brasil, o sonho de fazer riqueza e poder voltar ao país, a mulher frágil, a decepção com o amigo, o trabalho pesado (passa o tempo e o trabalho ainda mais pesado). Se fosse dividir o livro em duas partes, essa seria a primeira.
A segunda fica por conta da família que Hideo construiu: os filhos, a luta pelo sustento e para manter a tradição cultural na educação em um país totalmente diferente.
Um livro muito delicado, sutil, profundo. A cultura japonesa é forte e às vezes severa. Sentimos isso com muita firmeza na escrita de Oscar Nakasato. O escritor mantém bem de leve as denominações do país, como:

Hahanokai
Gaijin
Ojiichan
Okanchan
Nihon

Outra elegância e solidez da obra – é como a personalidade de cada personagem é exposta no decorrer da narrativa. Os leitores conhecerão por meio de comportamentos e sobrelevação das batalhas diárias.

Muitas cenas tristes e dolorosas, algumas superações. Duas cenas são uma pancada na alma: 1. Imagine uma criança ser expulsa de casa por mau comportamento. 2. Na reta final a parte chocante atende por Kachigumi. Spoiller? Acho que não, pois vocês precisam ler, para compreender e sentir cada angústia no livro.

Encontramos todos os requisitos de uma obra campeã: boa escrita, enredo cativante, personagem bem descrito, narrativa leve, mesmo em cenas delicadas, sem falar no conhecimento proporcionado. Nihonjin é um livro que nos ensina, propiciando muito mais conhecimento, que uma simples leitura informativa ou de lazer.

***

Autor: Oscar Fussato Nakasato nasceu em setembro de 1963 em Maringá-PR. Seus pais tinham um sítio em Floresta, cidade próxima a Maringá, onde morou até completar 8 anos. A partir de então, passou a residir em Maringá. Posteriormente em Apucarana-PR, na Vila Agari. Professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Graduou-se em Letras na Universidade Estadual de Maringá depois de uma dolorosa experiência de dois anos e meio no curso de Direito. Também mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual Paulista. (Skoob)



"Temos literatura, filmes, novelas e peças teatrais em muito maior quantidade explorando a história da imigração italiana, a exploração do negros e até mesmo sobre as colônias alemãs no sul do país. No entanto, sabemos pouco sobre a formação das colônias japonesas no Brasil, e olha que nosso país é o que mais abriga japoneses fora o seu país de origem.

Neste romance, história e ficção se confundem torneados por belíssimas cenas de amor, paixão, resiliência e tristeza, chocando-nos ao perceber que tem menos de 200 páginas, posto que tão grande é seu conteúdo." 
 Cilene Resende

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Cilene Resende
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By: Patrícia Brito

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