Academia Teixeirense de Letras - Cristhiane Ferreguett



Cristhiane Ferreguett, para alguns, é a pesquisadora talentosa no universo das letras; para outros, a protetora dos animais.

Formou-se em Letras em Teixeira de Freitas, quando existia apenas este curso no município. Depois viram as especializações, o mestrado e o doutorado.

A sua defesa de mestrado foi bem produzida e elogiada no universo acadêmico como também pela mídia, resultando no lançamento da sua dissertação em livro pela editora Baraúna, SP, 2009, com título “A criança consumidora, propaganda, imagem e discurso”.

“Sou professora de cursos de licenciatura na Universidade do Estado da Bahia e sempre percebi a ausência da leitura e discussão de textos midiáticos por parte do professor do Ensino Fundamental e Médio. Gostaria que meu estudo servisse de apoio para o trabalho do professor do Ensino Fundamental junto às crianças no processo de discussão de textos midiáticos – em especial o texto publicitário – e para o embasamento de uma leitura crítica de revistas que circulam em nosso meio social. O diálogo e o debate permanente dentro dos diversos espaços sociais da criança é o caminho mais adequado para que ela tenha um olhar crítico sobre os diversos discursos que circulam no meio midiático”.
(Entrevista à Revista Ponto com)


Cristhiane Ferreguett é secretária-geral da Academia Teixeirense de Letras (ATL), ocupando a Cadeira 03, desde o nascimento da instituição em 2016. Ela é, portanto, um dos fundadores da ATL.

O mundo das letras fascina a acadêmica que é autora de contos e participa da antologia “ATL em Verso e Prosa!” com a narrativa “A Navalha”, devendo reunir sua produção em um livro solo.

Além do magistério superior e das letras, Cristhiane também se destaca em Teixeira de Freitas como protetora dos animais, desenvolvendo um trabalho efetivo e reconhecido há muitos anos.

“... nenhum dos prefeitos eleitos, desde a emancipação da cidade (1985), teve a preocupação de implantar políticas públicas em prol dos animais”.


Sendo assim, em 1995 ela edificou um acanhado canil no fundo da sua casa e foi resgatando animais abandonados, mutilados e em situações de maus-tratos. Aos poucos essa linda atitude foi ganhando entusiasmo até que em 2002 a ONG SER LUZ brotou, visando profissionalizar nas questões de estudos e conhecimento. Mais tarde com novos conhecimentos obtidos em Porto Alegre (RS), onde fez seu doutorado em linguística na PUCRS, ela fundou a ONG NOSSA ARCA com o apoio da população e voluntários. 

Graças a essa ação proativa e comprometida com a causa animal, Cristhiane Ferreguett recebeu a Medalha Personalidade 2012, categoria Ativismo Cultural, concedida pela Academia de Artes de Cabo Frio (ARTPOP). A honraria lhe foi entregue durante a III Conferência de Cultura de Teixeira de Freitas pelo então prefeito João Bosco, pelo diretor de Cultura Ramiro Guedes e pelo delegado cultural da ARTPOP para a Bahia, Almir Zarfeg.

Profissional competente e artista sensível, Cristhiane Ferreguett segue fazendo história em Teixeira de Freitas e região.


O próximo acadêmico será Celso Kallarrari

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By: Patrícia Brito
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Estrada Real - Marlon Moraes


Ano: 2013 
Páginas: 341
Idioma: português
Editora: Templo


Onde o destino se desenhou? Sem uma resposta sequer, inspirado por um amor maior, o Autor se aventurou em um outro caminho: a Estrada Real. Das montanhas em Minas Gerais, entre as matas por São Paulo, ao mar de um Rio de Janeiro; redescobrem-se nos passos das páginas as antigas vilas, o circuito das águas, a Serra da Mantiqueira, a Garganta do Embaú... Paraty! Passeando pela História cultural e religiosa das cidades que compõem o magnífico Caminho do Ouro, poeticamente, Marlon Moraes apresenta o destino onde duas vidas em uma se encontraram.



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Nihonjin – Oscar Nakasato. Projeto LVA #3



Ano: 2011
Páginas: 176
Idioma: português
Editora: Benvirá

SINOPSE:
Hideo Inabata é um japonês orgulhoso de sua nacionalidade que chega ao Brasil na segunda década do século 20 com o objetivo de enriquecer e cumprir a missão sagrada de levar recursos ao Japão, conforme orientação do imperador.
O trabalho no campo, a adaptação ao Brasil, a morte da primeira esposa e os conflitos com os filhos Haruo e Sumie são um teste para a proverbial inflexibilidade do Nihonjin (japonês). O narrador, neto do protagonista e filho de Sumie, empresta voz e visão contemporânea à transformação do avô e do seu sonho de voltar rico para casa.


RESENHA

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Nihonjin = Japonês

Se toda história fosse estudada no período colegial, por meio de livros romanceados, com certeza muitos interessariam em aprofundar no conhecimento e poderiam ir muito além que obrigações.

A colonização japonesa é uma história rica, profunda e delicada no contexto biográfico do Brasil.

Vocês entenderão nesta resenha, em poucas linhas, como ocorreu e os fatores que impulsionaram a era Japão X Brasil.

A chegada dos japoneses aos países americanos, mais exatamente ao Brasil, começou oficialmente no início do século XX, no ano de 1908, em 18 de junho. Em São Paulo, foram desembarcados no porto de Santos, interior paulista, 781 lavradores em busca de trabalho nas fazendas dos cafezais. O último navio foi só em 1973. Portanto, por mais de 60 anos, o Brasil recebeu a população oriental em busca de novas oportunidades.

Esse anseio da imigração ocorreu por dois fatos. Primeiro: o Brasil estava no auge da plantação de café, sendo este o grande estímulo da economia da época. Porém, mesmo com bom desenvolvimento econômico, existia a falta de mão de obra. O segundo fato é exclusivo do Japão que, por se encontrar em período de grande crescimento populacional, a sua economia não conseguia gerar empregos suficientes para toda a população. Sendo assim, suprindo necessidade de ambos os países, decidiu-se por selar o acordo imigratório.

Mas os problemas dos nipônicos estavam apenas iniciando, pois a adaptação foi difícil, os sonhos eram grandes e as condições sempre desfavoráveis.

É justamente tudo isto que iremos encontrar na obra do escritor Nakasato. Este escritor, neto de imigrantes japoneses, Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade Estadual Paulista, é professor de literatura e linguagem na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Estado no qual reside atualmente. Tem outros escritos, contos premiados; e este livro, o quarto a ser estudado pelo Projeto Literatura Verde e amarela, é o grande vencedor do Jabuti 2012.

Um livro curtíssimo, de apenas 175 páginas, mas de uma essência incomparável, causando em qualquer leitor muito além de conhecimento a peculiaridade da cultura. Costumes diferentes que, no decorrer da leitura, os julgamentos mudam para compaixão e compreensão. São tradições chocantes, mas intrínsecas.

Quem narra a história é o neto de Hideo, e a proposta do personagem é mostrar a dor do avô Hideo, ao chegar ao Brasil com um plano e ver tudo sendo sufocado por uma cultura diferente, sem nenhuma expectativa de crescimento, assistindo a seu sonho de retornar ao seu país escapar.

A obra se inicia na casa do tio Hanashiro, onde Ojiichan explana a sua decepção em não ter conseguido retornar para o Japão. Sendo assim, passamos a conhecer toda a história de Hideo.

A partida, despedida no Japão, a chegada ao Brasil, o sonho de fazer riqueza e poder voltar ao país, a mulher frágil, a decepção com o amigo, o trabalho pesado (passa o tempo e o trabalho ainda mais pesado). Se fosse dividir o livro em duas partes, essa seria a primeira.
A segunda fica por conta da família que Hideo construiu: os filhos, a luta pelo sustento e para manter a tradição cultural na educação em um país totalmente diferente.
Um livro muito delicado, sutil, profundo. A cultura japonesa é forte e às vezes severa. Sentimos isso com muita firmeza na escrita de Oscar Nakasato. O escritor mantém bem de leve as denominações do país, como:

Hahanokai
Gaijin
Ojiichan
Okanchan
Nihon

Outra elegância e solidez da obra – é como a personalidade de cada personagem é exposta no decorrer da narrativa. Os leitores conhecerão por meio de comportamentos e sobrelevação das batalhas diárias.

Muitas cenas tristes e dolorosas, algumas superações. Duas cenas são uma pancada na alma: 1. Imagine uma criança ser expulsa de casa por mau comportamento. 2. Na reta final a parte chocante atende por Kachigumi. Spoiller? Acho que não, pois vocês precisam ler, para compreender e sentir cada angústia no livro.

Encontramos todos os requisitos de uma obra campeã: boa escrita, enredo cativante, personagem bem descrito, narrativa leve, mesmo em cenas delicadas, sem falar no conhecimento proporcionado. Nihonjin é um livro que nos ensina, propiciando muito mais conhecimento, que uma simples leitura informativa ou de lazer.

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Autor: Oscar Fussato Nakasato nasceu em setembro de 1963 em Maringá-PR. Seus pais tinham um sítio em Floresta, cidade próxima a Maringá, onde morou até completar 8 anos. A partir de então, passou a residir em Maringá. Posteriormente em Apucarana-PR, na Vila Agari. Professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Graduou-se em Letras na Universidade Estadual de Maringá depois de uma dolorosa experiência de dois anos e meio no curso de Direito. Também mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual Paulista. (Skoob)



"Temos literatura, filmes, novelas e peças teatrais em muito maior quantidade explorando a história da imigração italiana, a exploração do negros e até mesmo sobre as colônias alemãs no sul do país. No entanto, sabemos pouco sobre a formação das colônias japonesas no Brasil, e olha que nosso país é o que mais abriga japoneses fora o seu país de origem.

Neste romance, história e ficção se confundem torneados por belíssimas cenas de amor, paixão, resiliência e tristeza, chocando-nos ao perceber que tem menos de 200 páginas, posto que tão grande é seu conteúdo." 
 Cilene Resende

Resenha completa de
Cilene Resende
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By: Patrícia Brito
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