Habeas asas, sertão de céu - Arthur Martins Cecim #lva 2


Ano: 2011 
Páginas: 272
Idioma: português 

Editora: Record

Os personagens principais não são humanos, embora se pareçam com eles. São pássaros, mas não os mais nobres entre eles. Ao contrario, são aqueles que aqueles que provocam certo mal-estar entre nós, por anunciarem a morte. O espaço em que acontece não é a terra exatamente, pois se passa do ponto de vista do céu, seu habitat natural. Porém, mais importante do que inovar nos personagens e no contexto este livro acontece e inova na linguagem, na trama entre as palavras, que é o lugar certo de um livro acontecer. Uma Linguagem inovadora que, visivelmente, se alimentou das dicções mais inovadoras, como a de Guimarães Rosa, Haroldo de Campos, Paulo Leminski, Mia Couto e da poesia de Manoel de Barros. Mas que consegue ser prosa poética de voz própria e voo pessoal.


RESENHA

Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2010.

“ Viviam do mesmo jeito que falavam. Falavam do mesmo jeito que viviam. Como as ondas batiam igual à forma que elas tinham ruídos”. (p.18)

Arthur Martins Cecim nasceu em Belém do Pará, em 1971. Professor e tradutor do inglês estudou filosofia, e sua estreia como escritor foi com Habeas asas, sertão de céu!

Criatividade pode ser umas das melhores definições para esta obra. Não só por ser um livro fantasioso, onde a imaginação surreal é bem relatada, mas também as posições nas palavras, o cálamo bem rebuscado, e personagens nada convencionais.

Escrita poética, o escritor foge do romance convencional e mergulha na erudição literária.

“Aprendi desde cedo, por sinais da fala de minha mãe Aurora, que queria me ensinar a baixa sabedoria dos meio-altos, que as árvores, assim que eu crescesse, não eram árvores, mas que antes eram como palácios:...”. (p. 44)

O grande gancho dessa obra são as infinitas vozes, que autor apresenta; como, por exemplo, o mais mencionado e principal é: um urubu.  Sem deixar de referir os outros, que aparecem no decorrer da leitura, como: vento, peixe, mar, sol.

“Ver vento nascer é como ter olhos do mundo”. (p.93)

O enredo prende o leitor com a sagacidade de um parágrafo e página, mas às vezes a leitura pode ficar dispersa, já que a leitura é bem utópica. Este tipo de história ou narrativa pode causar estranhamento ao leitor não adaptado ao estilo; pode estranhar a narrativa e contexto; pode desistir ou não! E pode ocorrer o contrário, ficar tão curioso com o que está sendo apresentado, com as loucuras das vozes/personagens, que não se importará em ir até o final, debruçando na excentricidade da obra.

A literatura tem disso, ora é uma leitura comum, normal; ora é uma leitura poética, delicada; ora é uma leitura singular.

“ Minha alma vilarejo
     Ressente tudo que me deserta
            Sei das praças do céu
                 E dos séculos que habitam as casas
                          Minha casa me clama por amor
                                   Aquela velha cancela
                                          Que torceu sua idade por mim
                                                  Fez-me ver a vida vereda”
(p.95)

Diferente de tudo que já consumi na arte de ler, sugando todas as forças, que nem mesmo Saramago, com seu peculiar devaneio ou simbólica escrita; este, em particular, o segundo do Projeto #lva conseguiu proporcionar tanta estranheza e ao mesmo tempo vontade de saber, que desfecho o livro dispusera, ou mesmo, o que o autor quer dizer, com as vozes inquietantes encontrada nesta obra.

Leitura para raros,

Leitura para arquitetar,

Leitura para refletir,

Leitura para devorar, ou o contrário, ela que te devora,

Leitura para divertir-se,

Literatura.



O projeto é em parceria com Cilene, veja o parecer dela no site literário:  http://www.meuvicioliterario.com.br/  

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O Próximo livro a ser estudado


Hideo Inabata é um japonês orgulhoso de sua nacionalidade, que chega ao Brasil na segunda década do século 20 com o objetivo de enriquecer e cumprir a missão sagrada de levar recursos ao Japão, conforme orientação do imperador.

O trabalho no campo, a adaptação ao Brasil, a morte da primeira esposa e os conflitos com os filhos Haruo e Sumie são um teste para a proverbial inflexibilidade do nihonjin (japonês). O narrador, neto do protagonista e filho de Sumie, empresta voz e visão contemporânea à transformação do avô e do seu sonho de voltar rico para casa. 





Patrícia Brito

2 comentários:

  1. Oie, que leitura diferente, não sei se eu conseguiria acompanhar, mas já li livros que pela sinopse achei que não conseguiria, mas no final a leitura foi bem prazerosa. É bom sairmos da rotina um pouquinho.
    Adorei a dica, parabéns pelo projeto.
    Bjos

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    Respostas
    1. Ei Vivi!
      Confesso que tem leitura (deste projeto) que está sendo um desafio enorme. Não somente por amadurecimento como leitora, mas por retirar da zona de conforto. Este livro por exemplo, foi árduo, mas aí lembro que é do projeto, então toco o barco.
      No final fica sendo válido, pois eu posso dizer, que uma leitura ao menos me provocou...rs..
      Obrigada pelo carinho de sempre
      Beijão

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