Ribamar - José Castello - Jabuti - Literatura Verde Amarela #1

Ano: 2010
Páginas: 280
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil


SINOPSE

Esse é o mais recente livro de José Castello: Ribamar. Autor de João Cabral de Melo Neto: O Homem sem Alma, ensaio biográfico sobre o poeta pernambucano, Castello experimenta, dessa vez, um caminho híbrido, que mistura vários gêneros literários. Transita, assim, entre vários estilos – sem deixar, contudo, que as fronteiras entre eles se tornem nítidas. O leitor nunca saberá ao certo onde está pisando – se em uma biografia, ou um ensaio, ou um relato de viagens, ou se em uma ficção.

O livro parece ser uma biografia do pai do autor – José Ribamar (1906-1982) –, mas não chega a ser, pois alterna algumas histórias reais com muitas outras inventadas, ou, pelo menos, livremente recriadas. A fronteira entre a verdade e a invenção nunca se revela.


RESENHA
Ainda não lhe disse, pai: escrevo um romance. Não sei se chegará a ser isso. O mais correto é falar de notas para o livro que, um dia, escreverei. Ribamar, ele se chamará. Eu o dedicarei a você. (P.12)
O primeiro livro do projeto Literatura Verde e Amarela (#LVA) foi uma leitura delicada, de um autor, crítico literário e jornalista do Jornal Rascunho. A Obra foi vencedora do Jabuti em 2011.

Ribamar tem narrador-protagonista e uma narrativa deprimida. Ele conta os conflitos entre filho e pai.


"... estamos em um mundo que fracassa. Um mundo atulhado de objetos inúteis e de pedidos sem significado. Andamos por um deserto. E cabe a mim, com este coração cheio de sombras, ser o seu sol". (p.20)


O livro não tem um enredo linear. Sendo assim, em alguns momentos estamos no presente; em outros estamos no passado; ou mesmo nos pensamentos do protagonista com seu passado.

A relação de Ribamar com seu pai não é das melhores e, volta e meia, ele tenta pesquisar os motivos para essa relação frágil e hostil. Em todo o livro somos induzidos para momentos deprimidos, brigas ou palavras duras.


O livro é bem escrito, a arte também é caprichosa, dividindo cada capítulo com trecho da música Cala Boca, canção de ninar do pai para seu filho.

"Em você, nada me incomoda mais que o silêncio"(p.63)

Mas o mais impressionante no decorrer da obra é a referência sempre mencionada ao escritor Franz Kafka, mas especificamente Carta ao pai.  Kafka não é só citado, mas guarda alguma semelhança (obra e vida) com Ribamar. A adoração do protagonista ao famoso escritor chega a ser fastidioso, mas a leitura flui, meio melancólica, meio desabafo, deixando os leitores sem saber se é história biográfica ou literatura.


“Assim Franz Kafka defina a brutalidade das certezas: “estaria em um mundo no qual não poderia viver.” O mesmo mundo reto e vazio em que você me escapa, meu pai. (p.112)


Não é uma leitura simples, é uma obra para sentir, refletir, mergulhar nos pensamentos conturbados do personagem. É possível viajar com ele pro Piauí, sentir o luto, se irritar com o estilo hostil de um pai. Mas, no final meditar como atitudes simples ou a falta delas podem mudar relacionamentos, enfim, uma vida.

"Todo escritor é um náufrago. Um Robinson" (p.116)

Uma leitura que nos ajuda a olhar para dentro e questionar o “eu”, inclusive lírico. Claro que recomendo. 

Cilene: 
Meu Vício Literário
"Cala a Boca" como canção de ninar; comparação com um peixe (que morre asfixiado - pela boca); "Carta ao pai" de Kafka ... entre outros, esses paralelos exprimem a angústia do personagem de Ribamar ao não conseguir expressar sua frustração com relação ao relacionamento que tinha com seu pai. Passeando no tempo entre as lembranças familiares essa história não nos deixa fugir da reflexão: todo pai já foi um filho e todo filho tem no seu íntimo, um pai em potencial. E todo o medo do que isso representa.".


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Patrícia Brito

2 comentários:

  1. Que projeto bacana!
    Vou tentar participar tbe.
    Este está na minha lista, há tempos...
    Bjs

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    Respostas
    1. Oi, Claudia!
      Que maravilha lhe ver por aqui.
      Obrigada pela força com o projeto. Este livro especifico foi uma leitura bem profunda, é uma daquelas leituras que faz você questionar. Caso venha ler este, depois me conta.
      O projeto tem muito livros bacanas, venha fazer CIA.
      Beijão!

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