Quantos segredos cabem em um metro quadrado? By: TMartins




Foi numa noite sem muitas expectativas que ensaiamos uma dança ao som de um rock melódico que já nem me lembro mais do que falava. Eu, feito a mais estabanada bailarina, tentava na ponta dos pés em “vãos” me enroscar em ti, num abraço travestido de amasso, ou vice-versa. Você, impetuoso, fingia ter decorado todos os passos de nossa coreografia, embora não tivéssemos ensaiado. Sabia muito bem onde colocar as mãos, dedos, língua...
Aquilo pareceu um blues marcante, cheio de graves calmos e envolventes. Acho que por isso esses momentos são efêmeros, pois o sexo casual é uma dança de desejos... Baila comigo, baby!

O quarto estava com decoração de casa de praia em fim de temporada, o clima de liberdade era censurado por um silêncio desavergonhado. Ofuscado pela falta de intimidade. Quebrado pelos pedidos ao pé do ouvido. No criado-mudo uns livros fechados e empilhados. É bem verdade que diante de tudo que aconteceu descaradamente sobre os seus lençóis me parece injusto o criado ser mudo e os livros não poderem contar nossa tórrida história de aventuras nos quatro quantos de uma cama, desbravando posições ao passo que desafiávamos os limites de minha envergadura e a flexibilidade de um músculo rígido.

E passado a curiosidade de outrora, e agora já sem muita conversa ou enrolação,restou o tesão pelo proibido desse nosso crime consentido. Quem vai saber que rodopiando na sua cama fui feita refém? Tendo que suportar todos os tipos de castigos; por cima, por baixo, de ladinho, me empinando de quatro. Sem dó você abusa e mete fundo. Me toma no jeito, bate, morde, bagunça meu cabelo... Sussurrando me come inteira e acaba comigo, porque sabe que ninguém vai desconfiar do que aconteceu, muito menos vão descobrir quantos segredos cabem em um metro quadrado.


By: TMartins

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