A Última dança - Capítulo 2 - Marcos Junior






O namoro dos dois só se tornou oficial quando Mario encontrou coragem para ir até a casa de Eli, conhecer os sogros. Os pais sempre trataram a filha como um tesouro, pois era exatamente isso o que sempre havia sido. Um verdadeiro tesouro.
O carinho com que tratava seus pais, o respeito e a calma que tinha, mesmo quando aqueles pequenos problemas lhe afetavam, era algo sobrenatural. Se existisse um campeonato para melhores filhos, com toda certeza do mundo, Eli seria a vencedora. Os pais sempre a retribuíram com a mesma intensidade, através de cada gesto, de cada palavra. Nunca a forçaram a fazer nada contra sua vontade. A relação entre os três era sempre aberta e as conversas eram sempre muito calmas. Nenhum assunto deixava os integrantes daquela família constrangidos quando cogitado, mesmo os que poderiam causar problemas em qualquer outra família, como a da primeira vez da filha em uma relação íntima. Eli sempre foi instruída com todas as informações importantes e a confiança que os pais tinham para com ela era inabalável. Tinha os pais como melhores amigos. E com eles podia se abrir para qualquer sentimento.
A primeira impressão sempre é a mais marcante e Mario sabia disso. Na primeira visita que fez à casa da namorada, fez algo que nunca havia feito em qualquer outro dia durante todo o tempo em que os dois começaram a se entender, se amarrar. O cabelo, sempre despenteado, agora tomava uma forma correta, penteada, até um pouco estranha. As calças rasgadas que costumava usar deram lugar a uma bermuda jeans e até o sapato parecia ter sido lavado pela primeira vez. Se alguém conhecesse Mario, saberia que essa foi a maior declaração de amor que poderia ter feito. Apesar dos olhares atravessados que recebeu dos sogros na primeira vez que o viram, conseguiu, com o tempo, dominar todo aquele ciúme que os dois tinham da filha.
Alguns meses após aquela primeira visita, a verdadeira face de Mario se mostrara para os pais de Eli, mas agora era um pouco tarde pra qualquer tipo de medo. O genro já havia ganhado a confiança deles.
Durante o tempo que se sucedeu, a relação dos dois foi muito sincera. Os carinhos trocados pelos dois eram visíveis e a cumplicidade que tinham um com o outro era notável quando os olhos se cruzavam, fazendo daquela relação algo muito marcante. Por mais que o destino quisesse afastá-los, naquele momento, já era tarde demais. Os corpos podiam estar distantes por quilômetros, mas os corações já estavam sincronizados. A dor de uma separação poderia findar a vida de ambos.
Mario já não frequentava as aulas com tanta frequência, mas Eli, sempre dedicada, ensaiava todos os dias, durante muitas horas. A relação entre os dois começou a esfriar quando, ao a vê-la dançando de corpo colado com um dançarino, coisa muito comum em danças clássicas, começou a desconfiar, indevidamente, de algum tipo de traição por parte da amada. As discussões aumentavam gradativamente e o ciúme, que nunca foi uma característica presente na personalidade de Mario, começara a tomar conta dos seus pensamentos.
As frequências nas aulas voltaram a aumentar, mas não pela obrigação que tinha, apenas para vigiar os passos da namorada. Mario estava se transformando em alguém psicótico. Enxergando situações improváveis. Deixando de viver para dar razão à insegurança alucinada que o acompanhara. Afastando a namorada que sempre esteve ao seu lado.
Por poucas vezes os dois se encontravam na escola durante a semana. Suas rotinas agora estavam mais árduas e os momentos juntos mais escassos. Enquanto Eli ensaiava para um teste em uma companhia de dança, Mario, agora já com dezenove anos, trabalhava para ajudar, minimamente, em casa. Por mais que os dois não fossem os mesmos de antes, as cobranças sempre existiam de forma injusta acerca dela, por mais momentos juntos.
Talvez, após mais de um ano de relacionamento, Mário a procurasse mais pela necessidade física, mas esse pensamento nunca havia passado pela cabeça dela. As transformações no ano que havia se passado foram muito benéficas para Eli. Todos enxergavam a bela mulher que estava se tornando. Os ensaios diários de dança a ajudaram a se tornar uma mulher muito desejada por todos que a avistavam passar, mas nunca pensou em outro homem senão seu namorado.
Os ensaios de Eli nunca haviam tirado a paciência de Mário até aquele dia. Uma situação ocorrida no trabalho havia lhe tirado do sério e aquele estado não era o melhor para encontrar com a namorada. Os nervos já estavam à flor da pele quando chegara à escola.
Mario permaneceu por alguns momentos só observando da porta da sala de aula. Os movimentos daquela dança pareciam um pouco mais verdadeiros que de costume. A confusão e os gritos começaram quando Mario partiu pra cima do bailarino e o acertou com um soco na altura do abdômen. A vergonha deu lugar ao desespero quando Eli o deixou falando só e, em meio a lágrimas, saiu correndo sem ao menos pronunciar uma palavra.






Agora A última dança  no blog, passou a ser uma mini novela do autor Marcos Junior.

Toda Quarta será liberado um capítulo, para que todos vocês possam conhecer, apreciar e compartilhar o trabalho do autor pernambucano

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Marcos - autor



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