A Última Dança 3 - Marcos A. Junior







Aquele poderia, com certeza, ser o fim da relação, não fosse o sentimento tão grandioso que Eli guardava em seu coração. 

A relação dos dois fora sempre muito honesta. Nunca houvera dado motivos para desconfiança, mas, naquele momento, o ciúme tomou conta de Mário. Os olhos encharcados da namorada fizeram com que ele sentisse uma dor que nunca houvera sentido em toda sua vida. O sentimento em seu coração, nesses momentos, marcava presença e se mostrava vivo, como na primeira vez em que avistou os passos de dança daquela bailarina. A tentativa de ir atrás de Eli foi em vão. Quando finalmente caiu em si e correu para tentar alcança-la era tarde demais. Seu cheiro não estava mais no ar. As várias ligações e mensagens foram rejeitas quase que em sincronismo com as lagrimas que caiam do rosto dela. 

Os dias passavam e, nem na escola de dança, ninguém, além dos pais, conseguia avistar Eli. As tentativas de ao menos ouvir a voz dela foram frustradas pelas palavras ríspidas da mãe: “Ela não está! Por favor, não volte a ligar.”. 

Os dias passavam lentamente e o sofrimento silenciou sua boca durante quase todos os dias. Já era época de natal quando o telefone de Mário finalmente tocou para trazer uma notícia animadora. Exatamente um mês após aquela briga, as vozes se reencontraram uma vez mais. A voz calma e doce de Eli acalmava o coração de qualquer um que a ouvisse. Passaram exatos quatro minutos entre o fim da ligação e o alto estrondo ouvido, quando a porta da frente da casa de Mário bateu violentamente. A velocidade que saiu de casa foi tão grande que sua mãe pensou que alguém estivesse precisando de socorro, mas, naquelas condições, nada faria Mário perder um só segundo se explicando. 

A pequena motocicleta 50 cc não auxiliara com velocidade, mas fazia seus pensamentos viajarem além. Eli já o esperava na portaria de casa quando finalmente apontou no início da rua. Nunca houvera avistado beleza tão natural quanto à daquele dia. Não sabia se era real ou só fruto da saudade que sentia. A saudade também maltratava o coração da jovem, e foi isso que havia a motivado aquela ligação. A conversa entre os dois não tomou muito tempo, nem muitas desculpas. O sentimento que os dois tinham tomou conta dos momentos que seguiram. Os beijos trocados nunca haviam sido tão quentes como os daquele dia. As explicações só roubaram alguns minutos daquele inimaginável e esplendoroso encontro. O perdão foi dado e as antigas promessas recuperadas. Parecia que aquele mês nunca houvera acontecido. Uma pausa benéfica para o amor. 

Apesar da saudade que apertava o peito de ambos, Eli precisava ensaiar para a apresentação de fim de ano, a última dela na escola de dança local. Havia passado em um teste para uma escola muito importante no exterior. Apesar de ainda não ter contado nada a Mário, achava que o namorado a apoiaria naquele sonho. As mãos entrelaçadas na barriga do namorado enquanto ele a levava para o ensaio mostravam que todo o amor havia sido retomado e nada poderia os atrapalhar naquele momento. Pela primeira vez vira o sorriso do namorado no início de um ensaio. Fato que não se repetira no final. A dança era feita com um par, o mesmo que havia sido motivo daquela atitude de ciúme no mês anterior. A apresentação de fim de ano prometia revolucionar todos que estivessem presentes naquele espetáculo. 

A promessa, feita pela escola, era da execução de algo nunca visto por ninguém daquela cidade. Os ingressos já estavam esgotados uma semana antes da apresentação. A noite havia chegado e a única concorrente à atenção de todos seria a Lua. A esfera amarelada brilhava em um céu totalmente estrelado. A noite de despedida da bailarina mais antiga daquela escola. A noite de maior brilho em seu início de carreira. A noite em que muita coisa ia mudar e o fim teria explicações.



Marcos Jr.

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