Semana Escritor - Entrevista parte I - Eulálio Hereda



      Você tem formação em engenharia Civil e trabalha no serviço Público. O que fez você aventurar no universo da escrita?

Quando decidi retomar o projeto do livro Ambiguidade eu não queria que ele ficasse guardado num arquivo de computador, eu estava bastante motivado para publicá-lo, acredito que é um livro divisor de gêneros literários, possui aspectos religiosos, romance, um pouco de suspense e reflexão. Acredito tanto no sucesso desse meu livro que procurei editoras que se interessassem pela minha obra, mas a realidade para novos autores é bastante diferente da que idealizamos. Encontrei no Clube de Autores a oportunidade de vê-lo impresso com um bom acabamento e adquiri inicialmente dez exemplares para vender entre amigos, parentes e colegas.

Foi uma colega de trabalho, Ana Teresa, que fez grandes elogios ao livro Ambiguidade, contando com entusiasmo cada capítulo que lia e o que esperava da história. Com o retorno bastante positivo de outros amigos que também leram, decidi resgatar um livro escrito durante minha adolescência enquanto surgiam novas inspirações. Essa minha colega me incentivou a publicar novas obras, pois, com um leque maior de publicações as chances de mais pessoas se interessarem pelas minhas obras se tornam maiores. E gostando de um livro, com certeza despertará a curiosidade para ler o segundo, o terceiro, e por aí vai.

       Quais dificuldades encontradas na sua jornada como escritor?

São inúmeras as dificuldades. A principal delas é não desestimular, por vezes me questiono se realmente vale à pena continuar escrevendo, a elaboração de um título demanda tempo e dedicação que poderia estar utilizando para outros fins, mas que tenho aproveitado para imergir na criação de minhas histórias. Outra grande dificuldade é sempre buscar meios de divulgação dos meus livros e fazer com que leitores se interessem para adquirirem, não adianta sair por aí escrevendo e não ter quem leia e comente. Isso acaba provocando o desestímulo citado na primeira dificuldade. Outra, e não menos importante, é encontrar tempo para escrever as ideias que surgem à mente, muitas vezes é complicado conciliar o tempo que possuo para escrever e por vezes acabo perdendo aquilo que estava planejando para o novo capítulo. Querendo fechar num número quatro de dificuldades, a última é a questão financeira, se eu tivesse condições de investir em minhas publicações e divulgação eu tenho a certeza que aumentariam as chances de venda e reconhecimento.

      Como você concilia sua vida profissional com sua carreira de escritor?( Você faz planejamento do livro? Tem horário fixo? Rotina de escrita?)

Com relação a Ambiguidade, eu tinha a história toda desenhada em minha mente, já sabia como seria o início, o desenvolvimento da história e o final. A Forma Abstrata foi uma questão de adaptação do que já havia escrito, porém, com Chapada eu utilizei o sistema de linhas de fluxo (fluxograma) para “desenhar” a história inicial do livro e seu meio, o final ficaria de acordo com o que eu fosse achando conveniente. Tenho esse fluxo rabiscado em meus arquivos como recordação. Não possuo horário fixo, muitas vezes aproveito alguma hora ociosa ou então acabo parando para escrever a contragosto da família quando chego em casa.

Não consigo estabelecer uma rotina para escrever, tudo depende da musa, a inspiração, se eu escrever por obrigação com o principal objetivo de encher páginas sou capaz de deletar tudo depois. Tem vezes que fico semanas ou até mais de um mês sem tocar no livro e isso me força a revisar os capítulos que já escrevi para pegar o “fio da meada” e prosseguir com a ideia.

      Você relata que aos 10 anos já sentia necessidade de escrever, o que fez você escolher uma área acadêmica e profissional distinta da vida de escritor?

Será que um indivíduo possui mais de um dom ou mais de uma capacidade laboral? Eu me identifico bastante com a construção civil, entender todas as etapas construtivas de uma edificação, desde a concepção do projeto, iniciando a construção com a fundação e concluindo com a entrega das chaves ao cliente. É um modelo industrial em que a indústria se move para um canteiro e entrega o produto ao cliente, diferente de uma fábrica fixa que coloca partes de um produto no início da linha de montagem e lá no final você encontra o produto pronto.

Por outro lado, a mente de um engenheiro é bastante estimulada, é lidar com pessoas, com formas de reduzir custos, com erros e acertos, resolver problemas, desafios, tomar decisões e entregar seu trabalho superando as metas estabelecidas. É necessária uma válvula de escape para tanto estresse, a minha foi escapar criando histórias imaginárias e escrevendo-as.

      A forma abstrata você escreveu ainda adolescente. O que mais mudou no seu primeiro livro escrito para o último?

A Forma Abstrata eu havia escrito para mim, foi uma solução para criar um “mundo” que eu idealizava, de uma forma um tanto erótica, é claro. Quando reescrevi o livro me deparei com alguns conflitos, eu conseguia entender e reviver a emoção da história, porém, sabia que poderia ser melhorada. Foi minha esposa quem me guiou enquanto eu permanecia em dúvida se deveria mudar o sentido ou não e ela me pedia para que não mudasse.


Eu poderia escrever outros livros mais eróticos do que A Forma Abstrata, mas não seria da mesma forma. Ele só existe por que foi idealizado durante minha adolescência e tenho orgulho de tê-lo escrito, é um bom livro para ler e se descontrair, não para se apaixonar. Eu amadureci, mudei o ponto de vista, a forma de escrever, de descrever os personagens, suas emoções e formas de se relacionarem. E à cada livro com certeza estarei com uma forma diferente de pensar em relação ao anterior.


  Quais dificuldades encontradas por ti para lançar suas obras? (editora,  produção independente, parcerias, marketing).

Editora: infelizmente não tive a sorte ainda de encontrar uma editora que acredite e invista em minhas obras sem que eu precise dar uma contrapartida financeira. Geralmente o autor iniciante banca parte do investimento na primeira tiragem, que pode ser de mil exemplares, e se conseguir vender todos os livros no primeiro ano a segunda tiragem já é realizada sem custo. Eu não tive como investir cerca de R$15.600,00 que me pediram para os primeiros mil exemplares que uma editora conhecida me propôs.

Produção independente: além de escrever, preciso ser o próprio revisor de meu livro procurando erros de gramática e ortográfico, além de encontrar textos repetidos, sem sentido, etc. Preciso avaliar minha própria obra, gostar dela e perceber que existe um público alvo para ela. Tem a etapa da diagramação, estabelecer um formato de parágrafo, de diálogos, início de capítulos, índice e outras coisas. O mais difícil é pensar na capa, tenho algum conhecimento de edição de imagem e com a ajuda de minha esposa que também possui, vamos desenvolvendo algumas ideias, mas apenas para a capa principal. Poxa, não acaba por aí, tem ainda o número do ISBN que vou obtendo aos poucos, sempre atrasado, e a ficha catalográfica, que após muito esforço, descobri um tutorial de como fazer. Falei aqui apenas a etapa de produção, pois ainda tem que encontrar sites de livrarias que vendem e divulgam e-books além de buscar maneiras para divulgar o próprio livro.

Parcerias e marketing: essa é a mais nova etapa que estou adquirindo experiência. Tenho buscado parcerias em blogs para lerem, divulgarem e resenharem meus livros. Infelizmente, ainda só posso disponibilizar livros digitais e tem blogs que só aceitam livros impressos. Quem sabe no futuro eu não possa enviar meus livros impressos. Acredito que a parceria é uma das etapas de marketing mais importante, meus livros têm que ser bons o suficiente para que a resenha seja positiva e atraia o interesse de novos leitores ao lerem o que foi comentado do livro. Como marketing, criei um blog, uma página no Facebook, uso meu perfil no instagram e tenho procurado diversas formas de promover minhas publicações.

     Quantas obras já têm publicadas? Fala um pouco de cada uma. (como nasceu cada obra).

No total são seis obras:




Sonhos em Poesia, Volumes 1 e 2: não sei exatamente quando começou o gosto por poesias. Pertencem à minha fase adolescente, quando nas aulas de Literatura e de Redação começávamos a nos familiarizar com os tipos de escrita: Dissertação, Descrição, Narração, Poesia, etc. Minhas narrações por vezes saíam em tom de poesia, rimada ou cantada e foi quando decidi separar meus textos em versos e estrofes. As poesias foram separadas por volumes por orientação de minha colega, ninguém lê mais de cem poesias num livro só, pelo menos é o que ela diz. Futuramente penso escrever alguns contos intercalados e contando a história de cada poesia.

A Forma Abstrata de se Curtir a Vida: originalmente escrito na minha adolescência e reescrito em 2015, mantendo os aspectos originais da história. Comecei a idealizar como seria um adolescente inexperiente iniciando um relacionamento afetivo e sexual. Apesar de possuir verossimilhança, é uma ficção, um romance baseado num personagem: Marcos, um adolescente de 16 anos que começa a se relacionar afetivamente com Juliana, um ano mais velha, e descobre a sexualidade. Poderia ser um romance simples, se Marcos não sofresse influências dos amigos e inserisse em seu relacionamento uma terceira pessoa. Não é um romance meloso.

Ambiguidade – Quando um dom se torna conflitante: sabe quando você está na rua e se depara com um fanático religioso gritando “Jesus está vindo”? Foi quando comecei a me perguntar: “se ele estiver entre nós e não aparecer? Simplesmente quiser seguir sua vida normalmente”, vieram outros questionamentos do tipo “se ele não tiver conhecimento do poder que possui”, ou então “se quiser namorar e ter um relacionamento”. Isso deu margem para explorar bastante o tema, ele não deveria ser propriamente um “Jesus”, mas sim alguém que possua os dons da cura semelhantes ao que ele fez em sua passagem aqui na terra. Bem, daí já dá para imaginar o quanto essa história rendeu.

Chapada – Volume 1 (A descoberta de uma paixão) e Volume 2 (A Consolidação do amor): temos amizade com um casal de vizinhos que realizam algumas sessões de aventura bastante interessantes, coincidentemente eles fizeram um passeio à Chapada da Diamantina e mostravam algumas fotos quando comecei ter a ideia de criar uma história envolvendo uma cantora nacional (Pérola) que iria se apresentar no Festival de Inverno na cidade baiana de Lençóis e é sequestrada durante o percurso Aeroporto – Cidade ao mesmo tempo em que um aventureiro realizava uma trilha pela Chapada da Diamantina, próximo do local de cativeiro da cantora. Alguns eventos fazem com que os dois se encontrem e desenvolvam uma paixão (Volume 1) e os laços afetivos são consolidados (Volume 2). Ainda haverá a solução dos envolvidos no sequestro e mais eventos para o terceiro volume.




Mais Entrevista e curiosidade do escritor no decorrer da semana,
Fiquem ligados.
Semana Escritor retorna amanhã, com uma resenha

Beijos...
Paty O.B.S.

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