Semana Escritor: Entrevista Valéria Martins




Valéria Martins Leitora

Viajar é uma das coisas que Valéria mais ama e prioriza fazer. Este portal escavado nas rochas pelo mar fica em Big Sur, Califórnia, onde esteve em março de 2015.

Conte para nós como surgiu seu amor pela leitura? Alguém incentivou?

Meu pai era jornalista e sempre me incentivou a ler. Mas como meus pais se separaram quando eu tinha cinco anos, essa influência permaneceu, mas à distância, e como uma cobrança. Na minha casa, morando com minha mãe, não havia o hábito da leitura, mas mesmo assim eu comecei a ler. Li muitos gibis – tinha uma caixa enorme cheia deles no meu quarto -, li muitos best sellers de adultos – livros com conteúdo nem sempre adequado a minha idade, mas ninguém ligava -, me apaixonei por alguns livros indicados pela escola. E assim tudo começou.

Qual foi o primeiro livro que leu? Como foi a Experiência?

Não me lembro do primeiro livro, mas lembro das Edições de Ouro, uns livrinhos com clássicos recontados por grandes escritores da época. Assim, li “Moby Dick” recontado por Carlos Heitor Cony e outros. Mas o que eu mais gostei, nessa época, foi “Sofia, a desastrada”, da Condessa de Ségur, recontado por Herberto Sales. É a história de uma menina muito levada que faz arte atrás de arte, é castigada, mas não aprende. Hoje em dia, ela seria diagnosticada com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção) hehe. Eu li e reli esse livro mais de dez vezes, fui atrás das continuações – “As meninas exemplares” e “As férias”, da mesma autora – e, quando me tornei mãe, reli novamente com meus dois filhos.

Qual livro mais emocionante que você leu? Conte essa experiência. 

Um dos livros mais emocionantes que eu li certamente foi “Sobrevivi para contar” (Fontanar/Objetiva), de Immaculée Ilibagiza. É o relato real, em primeira pessoa, de uma mulher que sobreviveu ao massacre de Ruanda enquanto toda a sua família foi exterminada. Ela se escondeu no minúsculo banheiro da casa de um padre junto com outras três ou quatro mulheres, durante três meses. Ao sair de lá ainda conseguiu perdoar os assassinos de sua família e reconstruir a vida.


     Já teve algum livro que você leu e decepcionou? Conte sua experiência.

Sim, vários. Alguns livros são tão falados que a gente espera demais, e quando lê, vê que não era tudo aquilo. Um deles, que os fás me perdoem, é “Crime e castigo”, do Dostoiévski. É bom, mas não é o que eu esperava. No entanto, Dostoiévski é tão bem falado que eu não teria coragem de divulgar isso, se não fosse, também, da mesma opinião, outro imenso escritor russo que admiro demais: Vladimir Nabokov, autor de “Lolita”. Ele não acha Dostoiévski nada demais. Mas,falando nos russos, meu favorito, sempre é Tchekhov, um dos maiores e melhores de todos, na minha opinião.


    Qual gênero você curte e que você não curte?

Gosto de ler romances de variados estilos e autores. Amo ler os clássicos e sempre volto a eles entre uma e outra leitura contemporânea. O mais recente que li foi “1984” do George Orwell, e amei. Atualíssimo. Não curto muito não-ficção, é raro eu ler – apesar de ser jornalista. Livros policiais tampouco são meu forte.

 Você lê todos os livros que compra?

Não, nem sempre. Comprei há pouco tempo “Holocausto brasileiro”, da Daniela Arbex, porque assisti a uma palestra dela e fiquei muito impressionada com o tema, mas é tão pesado e baixo astral que larguei no meio. Comprei, certa vez, “Uma vida interrompida”, da Alice Sebold, que depois foi transformado em filme por Peter Jackson, diretor de “O senhor dos anéis”, e parei no meio. Não gostei nem do livro nem do filme – só entendi que o livro e o filme eram a mesma coisa quando estava dentro do cinema. (Argh).

Qual sua leitura atual?

Estou lendo “Treze contos” do Tchecov. Fazia tempo que não o lia e estou adorando voltar a estar na companhia dele. Ler um livro é como estar em companhia do autor. Uma luxuosa companhia que independe de tempo e espaço. É algo mágico, mesmo, ter Tchecov falando dentro da minha cabeça, contando histórias que me emocionam e me inspiram. Essa é a magia da leitura.

Carreira

  Em outubro de 2008, após trabalhar 5 anos em editoras como Campus/Elsevir e Grupo Editorial record, Valéria Martins abriu sua própria empresa, a agencia literária Oasys Cultural: 

Qual foi seu primeiro texto  publicado?

Meu primeiro livro foi de não-ficção, mas flertava com a ficção: era um livro sobre a menopausa, escrito em parceria com um ginecologista e um psicanalista muito conhecidos no Rio de Janeiro. Criei cinco personagens fictícios, mulheres na menopausa, para discutir as questões relativas a esse processo.


Qual a maior dificuldade você encontrou para escrever o primeiro livro?

Eu era uma jovem jornalista de 23 anos, trabalhava em uma revista feminina e escrevia o livro nos fins de semana. Aliás, meu trabalho como escritora ainda se resume aos fins de semana, que é quando tenho algum tempo para mim. A maior dificuldade foi ficar em casa trabalhando no livro enquanto os amigos ligavam chamando para ir à praia, beber, etc.


Você é formada em Jornalismo e trabalhou muito tempo com a revista feminina Marie Claire, você acha que sua formação e experiência profissional facilitou você a lançar  A pausa e o tempo?

Sim, o trabalho como jornalista ajudou, pois me obrigou a criar familiaridade com a escrita, a ter rotina para escrever e, principalmente, me obrigou a escrever bem, e direito. Não se pode ser escritor sem dominar a técnica, e isso o jornalismo trouxe para mim. O lado ruim é que o jornalismo poda a poesia da escrita. Isso se reflete no meu trabalho como escritora também: sou muito direta, objetiva, sem floreios. Às vezes eu acho que deveria me permitir ‘viajar’ mais na forma.


Fala um pouco do seu livro. Ele é um livro com textos de sua autoria?

A Pausa do Tempo é uma coletânea de textos do blog que mantenho na internet desde 2007. Hoje em dia escrevo menos, mas volta e meia, escrevo. São crônicas reflexivas sobre fatos corriqueiros do dia a dia, sempre tratando de extrair uma visão ou percepção incomuns de algo comum. Resumindo, são textos sobre a beleza e o aprendizado contido nas pequenas coisas, fatos, situações.

Valéria com a família no lançamento de A Pausa do Tempo (setembro 2013). A partir da esquerda, a filha Clarissa, o namorido Flavio e o filho Gabriel.

Tem vontade de escrever um romance?

Sim, sim. Já tenho um quase terminado e a ideia para começar outro. "Vamo que vamo!"


O que fez você sair da carreira jornalística e migrar para carreira editorial?

Eu simplesmente queria muito isso e fui atrás. Queria trabalhar com livros, me aproximar dos livros, do que eu amava. Realização pessoal. Acredito nisso e acho que quando temos um sonho, os caminhos se abrem naturalmente para realização dele. Mas não pode ficar parado, tem que ir atrás.


Você acha possível sobreviver da escrita no nosso país?

Difícil, mas alguns conseguem. Possível, é.

Valéria entre Tico Santa Cruz (esquerda), escritor e vocalista da banda de rock Os Detonautas, e Raphael Montes, autor do best seller policial "Os suicidas" no Fórum das Letras de Ouro Preto 2014.

Quanto a marketing e editora, qual dificuldade você encontra para lançar e divulgar livros e textos?

Não penso nas dificuldades – nada é fácil nesta vida – mas em como driblá-las, sempre. Não podemos ficar parados à mercê das situações, temos que analisá-las, ver o que é possível fazer e partir para a ação. Os escritores, atualmente, tem variadas opções para se lançar e se divulgar na internet. Tem que pesquisar, ver o que os outros, que se deram bem, fizeram, e ir atrás.


Quais autores são referências para o seu trabalho?

O escritor gaúcho João Gilberto Noll é uma referência. Só consigo me lembrar dele nesse momento.


O leitor é a peça primordial para o sucesso de um escritor. Como você cultiva a relações com seus leitores? Você procura saber dos resultados das leituras dos seus livros?

Sim, sim! Outro dia entrei na página da Pausa do Tempo no Skoob e vi que tem quatro resenhas, todas positivas, e que alcança quase 5 estrelas. Fiquei muito feliz! Cultivo com carinho e atenção as parcerias com blogs. E sou muito grata a blogueiras como a Paty, do Leituras Plus, por entrevistas como esta que respondo agora.


Como você avalia o cenário dos e-books no Brasil?

Crescendo, e ganhando velocidade neste crescimento. Mas vão conviver juntos, papel e ebook. Não competem entre si.

Clica na foto e conheça o livro pelo Skoob

Você crê que existe preconceito contra algum gênero literário no Brasil?

Sim, contra livros de auto ajuda. Eu leio auto ajuda, de vez em quando. Alguns são ótimos, como “Você pode curar sua vida”, da Louise Hay. Todo mundo deveria ler.

Como você vê as feiras literárias? O que isso beneficia no mundo dos escritores?

Claro! É uma maneira de o escritor se encontrar com seu público leitor. E de divulgar sua obra para quem não conhece. E de vender livros, principalmente. Sou fã das feiras, trabalho com elas, amo viajar e conhecer as feiras em todo o Brasil.


Hoje a febre entre o mundo da comunicação são os blogs. Os blogs/vlogs literários são cada vez mais crescentes e sempre cheios de novidades. No seu ponto de vista, como escritora, como você analisa os blogs literários?

Grandes incentivadores e divulgadores da obra dos escritores. Com a crise do jornalismo impresso, os blogs e vlogs são a salvação da lavoura, (hehe). Temos se ser muito gratos a eles.


Quais são seus próximos projetos como escritora? Podemos esperar novidades?
Um livro de contos literários a sair pela 7Letras no inicio de 2016. Um romance de amor que vou publicar na Amazon em esquema de auto publicação. Este não terá noite de autógrafos, mas vou fazer intensa divulgação em blogs como o Leituras Plus.


Muito obrigada, Paty!!!


Eu fiquei fã da Valéria nesta entrevista, pela vida, pela escolha profissional (duas que amo: Jornalismo e literária)  e mais ainda após concluir a leitura A Pausa do tempo. Estarei na torcida pela sua carreira, e espero que esses novos livros de sua autoria, não demorem de ser publicados. 

Amanhã teremos mais sobre A Pausa do Tempo

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