Semana Escritor - Entrevista II com Cristiane Broca






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"O leitor é um amigo com o qual compartilhamos um pedacinho de nossa alma através da escrita. Ele é o objetivo final de qualquer projeto literário, tudo é pensado para a sua felicidade."

Como surgiu seu amor por escrita?

Meu amor pela escrita foi como o meu amor pela leitura: algo muito natural. Na adolescência as palavras começaram a brotar de mim através de crônicas românticas e romances juvenis. Mas foi na vida adulta que esse amor se consolidou, quando escrevi Cinco Anos, meu primeiro romance publicado.

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Qual foi seu primeiro texto  publicado?
Foi o conto Amor antes do fim, da antologia O último dia antes do fim do mundo. É um conto que fala sobre a busca do amor em tempos de fim do mundo. Ele foi feito para o público YA, é leve e divertido.

Qual a maior dificuldade você encontrou para escrever o primeiro livro?

Acredito que tenha sido a falta de planejamento. Isso me fez entrar em um looping de revisão e lapidação que nunca terminava. Quando fiz um curso de estruturação de romances e aprendi a fazer esse planejamento, reestruturei toda a história e a deixei do jeito que eu queria, pronta para ser publicada.

Quanto tempo você demora em escrever um livro?

Bastante (risos). Como tenho muitas obrigações, dentro e fora da literatura, e por ser viciada em revisão, sempre demoro mais de um ano para escrever um livro. Um aspecto bom dessa demora é que tenho tempo de trabalhar bem a obra e inserir muitos detalhes para enriquecer não somente a trama, como também as personagens. Quanto mais tempo você passa na criação de uma história, mais rica ela tende a se tornar. Dito isso, venho tentando reduzir meu tempo de escrita sem perder a qualidade do trabalho. Meu primeiro livro, Cinco Anos, levou 3 anos para ser escrito. O segundo, Cinco Anos - Os desafios da vida a dois, levou 2 anos e meio e está na fase final da revisão. O terceiro eu comecei a apenas alguns meses e já se encontra na reta final da escrita.

Você tem alguma preferência? Contos, romances ou não ficção. Se sim, qual? E qual estilo você não gosta de trabalhar?

Meu estilo preferido é o romance. Tenho mais facilidade para escrever um livro inteiro do que para escrever um conto curto, de apenas algumas páginas. Como participei de várias antologias, desenvolvi o hábito de escrever contos também, mas se puder escolher, sempre optarei por uma narrativa mais longa.

 
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Você tem uma rotina para escrever? Sendo, Como é a rotina de compor os personagens? Você observa suas amizades? Tem um pouco de você?

Gosto de escrever no silêncio do meu quarto, na minha mesa de trabalho. Pego um copo de café, ou de água, sento na frente do meu notebook, e deixo a criatividade fluir. De vez em quando coloco algumas músicas que eu gosto ou que tenham a ver com a história. A música ajuda, mas em vários momentos eu prefiro o silêncio.
Quando estou longe do meu note gosto de levar um caderno para anotar ideias, pensamentos, e escrever cenas da história.
Em relação à rotina da criação de personagens, não costumo me inspirar diretamente em conhecidos, mas vez ou outra acabo inserindo características deles, e até mesmo minhas, que se unirão a outras para formar a personalidade de uma personagem. Gosto de pensar nas personagens como pessoas reais, com qualidades, defeitos, e características próprias. Isso faz com que o leitor se sinta próximo a elas e os dilemas que enfrentam.

Paralela à profissão de escritor, você tem outra profissão como fonte de renda?

Sim. Eu sou formada em TI e trabalho como Tecnóloga em Informática em uma Organização Social. Meu trabalho não tem nada a ver com literatura, exceto que é preciso estar sempre estudando e se aperfeiçoando. Apesar de gostar, e de tirar da profissão o meu sustento, meu coração ainda bate mais forte pela literatura.
 
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Você encontrou dificuldades de viver da literatura no Brasil? Fale suas experiências. Você ainda acha possível sobreviver da escrita no nosso país?

É muito difícil viver de literatura no Brasil. Para começar, aqui o mercado ainda está engatinhando no que diz respeito à valorização do autor e não temos contratos como os internacionais, com adiantamentos e grandes tiragens que possibilitem uma boa renda anual para o autor. Particularmente, tudo o que recebo com literatura acabo reinvestindo, esperando conquistar cada vez mais leitores. Por enquanto, não penso muito em retorno financeiro e me alegro em saber que estou fazendo algo que amo. O que me deixa feliz de verdade é receber o apoio e carinho de cada leitor e saber que minhas obras estão tocando o coração de cada vez mais pessoas.

Quanto a marketing e editora, qual dificuldade você encontra para lançar e divulgar seus livros e textos?

Como eu disse, viver de livros no Brasil é complicado. Entrar em uma editora que faça um bom trabalho de marketing e distribuição, também. O autor precisa ter um número considerável de leitores e obras vendidas para atrair a atenção dos grandes editores. Como eu publiquei através de um selo literário de pequeno porte, fiz e faço boa parte da minha divulgação sozinha, banco minhas viagens do meu bolso, assim como as impressões dos livros e confecção de brindes. É uma luta, mas, se fosse fácil, não teria o mesmo valor. E o amor dos leitores compensa tudo!

Cristiane e Lycia

Quais autores são referência para o seu trabalho?

Lycia Barros é minha maior referência, porque ela foi a primeira escritora com algum reconhecimento que tive o prazer de conhecer e com quem aprendi muito. O trabalho dela é exemplar, pois além de bem escritos, seus livros são lindos e passam boas mensagens.
Se for citar uma referência internacional, escolho o inglês David Nicholls, pois quando li Um dia, me encantei com o romance que achei tão parecido em alguns pontos com o meu livro, por abordar temas como perdas e amadurecimento de forma bastante realista. Também gosto muito da escrita da autora Emily Giffin, por abordar tão bem dramas bastante cotidianos. Por último, não posso deixar de citar Nichollas Sparks. Nem todos os livros dele me agradam tanto, mas ele narra suas histórias com um romantismo que por vezes me encanta.



Você fez o curso de escrita com Lycia Barros, conte um pouco sua experiência, como surgiu e como foi o curso?

Conheci a Lycia através do Facebook. Nos tornamos amigas após eu curtir algumas postagens dela, e eu logo soube que ela dava cursos de escrita para autores iniciantes. Na época eu estava escrevendo Cinco Anos e sonhava poder fazer o curso, mas não tinha como ir ao Rio de Janeiro. Foi quando a Lycia soube do meu desejo e me convidou para fazer o curso com ela via Skype. Foi uma alegria. Lembro-me de que eu estava enrolada com a história e que cheguei a cogitar desistir dela. A Lycia me disse que a história era muito boa e que eu não deveria desistir dela, apenas estrutura-la melhor. Eu ainda não tinha escrito o final do livro. Quando ela me fez montar o argumento do livro contendo um resumo com os detalhes mais importantes da obra, fui obrigada a planejar o final, que saiu melhor que o que eu esperava. Até hoje ela me diz que eu fui a única aluna dela a montar um argumento ao vivo, durante a aula. Foi o empurrãozinho que eu precisava para terminar.

O mais importante que aprendi no curso foi justamente essa questão do planejamento. Porque mesmo que algumas coisas mudem ao longo do caminho e que a história siga outra direção, ele me dá um norte, me possibilita estudar mais e me aprofundar nas personagens e  acontecimentos da trama. Recomendo a todos que estão começando a procurar cursos de escrita. Eles fazem toda a diferença na qualidade final da obra.   


O leitor é a peça primordial para o sucesso de um escritor. Como você cultiva a relações com seus leitores? Você procura saber dos resultados das leituras dos seus livros? Troca ideias sobre assuntos como: personagens ou cenas?

O leitor é um amigo com o qual compartilhamos um pedacinho de nossa alma através da escrita. Ele é o objetivo final de qualquer projeto literário, tudo é pensado para a sua felicidade.
Amo quando meus leitores entram em contato para me dizer o que acharam do livro, quando brigam por eu fazer determinada personagem sofrer, e revelam que a obra os fez refletir. Não existe nada melhor do que saber que aquilo que você faz deixa as pessoas felizes e acrescenta às suas vidas. Para mim os leitores são parceiros de caminhada. Gosto de dividir todas as minhas vitórias com eles.

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cinco Anos - Cristiane Broca
Como você avalia o cenário dos e-books no Brasil?

O mercado de ebooks do Brasil ainda é pequeno, mas está em franca expansão. Eu tive o prazer de utilizar a plataforma da Amazon para vender a versão digital do meu livro e conquistei muitos leitores por lá. A grande vantagem, na minha opinião, é poder definir um valor acessível para a obra. Isso atrai os leitores que desejam conhecer o trabalho de determinado autor, mas sem precisar investir muito por isso.


Você crê que existe preconceito contra algum gênero literário no Brasil?

Creio que não, porque, para todo livro existe um público pré-determinado. O preconceito é com o livro nacional em geral. O brasileiro tende a acreditar que tudo que vem de fora é melhor do que o que temos em casa. Todos que trabalham com literatura nacional, sejam eles escritores, editores, agentes literários, livreiros, entre outros, tem a missão de mudar esse cenário. Muita coisa vem evoluindo nessa área. É só questão de tempo até chegarmos lá.

Como você vê as feiras literárias? O que isso beneficia no mundo dos escritores?

As feiras são maravilhosas, pois possibilitam que autores e leitores possam se encontrar e estreitar seu relacionamento. Uma feira literária é o lugar perfeito para se fazer novas amizades, saber mais sobre os autores e conhecer novas histórias. Eu moro no interior de São Paulo e não tenho a possibilidade de participar de muitas feiras, mas por amor a meus leitores e ao meu trabalho, sempre dou um jeito de ir ao menos às Bienais principais, no Rio e em São Paulo.
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Na Bienal do Rio desse ano vivi um momento especial. Conheci uma leitora que comprou o meu livro, e quando perguntei se ela queria dedicatória, ela ficou muito feliz e me disse que aquele era o seu primeiro livro autografado. Na hora pensei: Numa feira desse tamanho, com tantos autores talentosos e de destaque, o meu livro foi o primeiro que ela levou autografado para casa. Para mim, isso mostra que, ainda que o mercado literário continue crescendo, sempre haverá novos leitores para serem conquistados.

Hoje a febre entre o mundo da comunicação são os blogs. Os blogs literários são cada vez mais crescentes e sempre cheios de novidades. No seu ponto de vista, como escritora, como você analisa os blogs literários?

No cenário literário, os blogs são fundamentais. É neles que os leitores vão procurar dicas e informações sobre livros que os interessem. A opinião do blogueiro é muito respeitada por aqueles que o seguem e confiam no seu trabalho. O profissional blogueiro abre portas e serve como uma ponte entre o autor e o leitor.
Em dois anos de carreira tive várias experiências com blogues literários e me tornei amiga íntima de vários blogueiros que acreditaram em mim e em minha obra. Os melhores são aqueles que, após ler o livro e publicar a resenha, continuam próximos do autor. São blogueiros como a Patrícia Obs. Eles vestem a camisa da literatura nacional e estão sempre divulgando e apoiando o trabalho do autor. Sou muito feliz e satisfeita com os blogueiros que me acompanham!

Quais são seus próximos projetos como escritora? Podemos esperar novidades?

Ainda nesse fim de ano, pretendo finalizar Cinco Anos – Os desafios da vida a dois. O livro começará após o final do primeiro, e será uma história totalmente nova com muito romance, drama, humor e reflexões.
Além do novo Cinco Anos, estou trabalhando atualmente em um romance cristão que pretendo finalizar para o começo do ano. O livro não tem título definido ainda, mas posso adiantar que ele contará a história de uma jovem obscura com um passado difícil, que precisará recomeçar sua vida do zero para seguir adiante e ser feliz. Pela primeira vez estou escrevendo em terceira pessoa e tem sido incrível estar na mente da protagonista e acompanhar de perto a recuperação da sua vida e relacionamentos.  

Para o próximo ano, enquanto lanço os dois livros, tenho mais dois para desenvolver. E além deles, ainda tenho o projeto para outros livros e recentemente venho pensando em uma ideia excelente para uma trilogia. Vamos ver como as coisas se desenrolam.



Escritora Cristiane Broca vai conquistar o mundo
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2 comentários:

  1. Planejamento é tudo para quem quer ser escritor, como a Cristiane falou. Mesmo se você for passar 5 anos escrevendo um livro, que sejam 5 anos de história planejada, para saber de onde está saindo e para onde está indo, sem deixar buracos pelo caminho. Ótima entrevista!


    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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    Respostas
    1. Você sabe, não é, Laplace, porque também fez o curso e aprendeu a planejar.
      Em pensar que eu cheguei a ter vontade de desistir de Cinco Anos, e hoje ele só me enche de alegrias.
      Um beijão e obrigada por me acompanhar. Você é um escritor muito bacana e talentoso. Beijão!

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