Semana Escritor - Semana M.Pattal - Entrevista II




Conhecendo um pouco da  carreira do escritor Pattal.

"Eu procuro desmistificar essa coisa e me aproximar dos leitores o quanto for possível."


     Como surgiu seu amor  pela escrita?

Comecei a escrever um livro de auto-ajuda no final de 2013 e o concluí no início de 2014. A partir daí, surgiram algumas ideias para um único livro, mas que depois acabaram se tornando a Série Promessas. Eu não era daquelas pessoas que sempre escreveram alguma coisa até que partiu para seu primeiro Romance. Até esse livro de auto-ajuda nunca escrevi nada, nem artigo, nem conto ou coisa do tipo.

     Qual foi seu primeiro texto  publicado?

“A Promessa” foi meu primeiro texto e obra publicados.


     Qual a maior dificuldade você encontrou para escrever o primeiro livro?

Sempre li muito, no entanto, passar ideias para o papel é algo bem diferente. A parte técnica, incluindo a construção de um parágrafo e das falas, foram grandes desafios. O maior talvez tenha sido escrever sobre uma protagonista feminina e começar na escrita com uma Série, o que muitos não recomendam. Construir e apresentar vários personagens no primeiro livro da Série e criar as conexões entre eles foi bem complicado, mas acredito que deu certo.

     Quanto tempo você demora em escrever um livro?

“A Promessa” e “O Passo”, que são os primeiros da Série, foram terminados em um mês cada. O terceiro da Série levou uns dois meses. Meu livro de Fantasia demorou um pouco mais, pois precisei criar um mundo fantástico bem diferente do nosso; gastei uns quatro meses.


Você tem alguma preferência? Contos, romances ou não fixação. Se sim, qual? E o motivo. E qual estilo você não gosta de trabalhar?

Admiro quem consegue escrever contos. Praticamente todos os colegas que conheço de início da carreira já escreveram um. Eu simplesmente não consigo. As ideias vão surgindo e minhas estórias sempre acabam virando Romances. Não é questão de preferência, é que minha capacidade de síntese ainda não foi bem desenvolvida (risos). Já pensei em me arriscar nas Crônicas. Acredito que conseguiria, mas ainda não tentei.  Talvez em breve.

     Você tem uma rotina para escrever? Sendo, Como é a rotina de compor os personagens? Você observa suas amizades? Tem um pouco de você?

Prefiro escrever no período da manhã, funciona melhor comigo. No entanto, quando estou na reta final de um livro, não tenho horário definido; escrevo até de noite. Não costumo planejar um livro, compondo personagens com antecedência. A partir de uma ideia inicial, sento na frente do notebook e deixo a estória fluir. Claro que a observação do ser humano no cotidiano é fundamental. Exercito isso nos relacionamentos.

     Paralela à profissão de escritor, você tem outra profissão como fonte de renda?

Tenho o privilégio de ser escritor em tempo integral, pois recebo uma renda vitalícia. 


      Você encontrou dificuldades de viver da literatura no Brasil? Fale suas experiências.

Ainda não dá pra pensar sobre isso, pois sou iniciante. Até mesmo alguns autores com anos de estrada ainda não vivem apenas de Literatura. No Brasil, esse tipo de escritor é exceção.

     
       Ainda referente às dificuldades da profissão de escritor; você ainda acha possível sobreviver da escrita no nosso país?

Nos últimos anos, o mercado editorial têm observado e dado oportunidade a Autores Nacionais de uma forma mais expressiva. Alguns já chegaram a Best-Seller, algo que sempre foi comum entre autores estrangeiros, que já chegavam por aqui nesta condição. De forma que sou otimista e acredito que  o número de escritores capazes de viver apenas da escrita tende a aumentar.

     Quanto a marketing e editora, qual dificuldade você encontra para lançar e divulgar seus livros e textos?

O mercado literário é muito concorrido. Não basta você ter uma boa estória, você precisa ter “a estória”. Há muita literatura excelente no Brasil, mas que ainda não tiveram uma oportunidade ou simplesmente ainda não foram descobertas pelas grandes Editoras. Por causa disso, muitos tem lançado mão da autopublicação, tanto o livro físico como ebook, e disponibilizando seus textos na Amazon ou Wattpad de forma gratuita. Esse é o caminho que tenho trilhado até aqui.

    Quais autores são referência para o seu trabalho?

Lycia Barros, minha madrinha literária, Lu Piras, Felipe Colbert, Maurício Gomyde, Tammy Luciano e Leila Rego são alguns deles. Autores que tem lutado pela Literatura Nacional, abrindo portas e que me inspiram.

     Você fez o curso de escrita com Lycia Barros, conte um pouco sua experiência, como surgiu e como foi o curso?


Pattal e Lycia Barros
A Lycia é uma excelente escritora e domina aquilo que faz. Sua maior contribuição no que diz respeito ao início do meu trabalho, foi perceber a riqueza dos personagens que eu tinha nas mãos e sugerir que, ao invés de apenas um livro, eu explorasse cada um em um livro diferente. Daí surgiu a ideia da Série Promessas. 
Serão cinco livros com protagonistas diferentes.

      Durante esse seu caminho como escritor, cultivou relações ou conhecimentos com alguns desses escritores?

A própria Lycia Barros me deu uma abertura muito grande. Todos que citei anteriormente me receberam muito bem e foram bastante solícitos, inclusive retornando as mensagens ou comentando minhas postagens. É uma turma muito humilde e simples.

     O leitor é a peça primordial para o sucesso de um escritor. Como você cultiva a relações com seus leitores? Você procura saber dos resultados das leituras dos seus livros? Troca ideias sobre assuntos como: personagens ou cenas?

Meu relacionamento com os leitores é bem aberto. Alguns já se tornaram até amigos e muitos se abrem conversando sobre seus dilemas e conflitos. Sou muito simples e procura atender a todos muito bem. Alguns terminam de ler o livro e não dão o feedback por acreditarem que vão me incomodar ou que não terei tempo para dar atenção. Eu procuro desmistificar essa coisa e me aproximar dos leitores o quanto for possível.

    O seu livro A Promessa é uma série, é um livro muito rico em detalhes, fala um pouco da fé sem ser chato ou fanático e também é muito bem trabalhado, tendo até música para o livro. Conte um pouco de como nasceu esta estória?

Acredito que cada ser humano não está na Terra por acaso. Todas as pessoas têm um propósito a cumprir e uma contribuição a ser dada para a sociedade. A partir daí, decidi criar cinco protagonistas que, com o desenrolar da estória, acabam por descobrir seus propósitos na vida e como podem contribuir para um mundo melhor, ao mesmo tempo em que tentam resolver seus conflitos pessoais.

    A promessa fala um pouco do universo dos músicos e da vida de famosos, você pesquisou? Como foi a pesquisa? Inspirou-se em alguma história?

Graças à internet temos acesso a muitas informações que nos ajudam a construir nossas estórias. No entanto, é preciso conferir cada conteúdo para não passarmos informações erradas aos nossos leitores. Eu me preocupo muito com isso. Utilizo muito o momento atual da história como pano de fundo; eventos, curiosidades, situações reais que aconteceram no mundo, etc. Logo, preciso pesquisar muito. Em “A Promessa” especificamente, assisti a filmes que mostravam os bastidores da música, mas não há uma cantora específica na qual a Polly tenha sido inspirada.

     Muitas cenas são de imprensa no pé dos protagonista, como foi poder narrar um pouco sobre o mundo deste universo dos paparazzi?

Não foi tão difícil por vermos muita cobertura na mídia sobre celebridades. Logo, só precisei ser um bom observador e pesquisador.

     
Você mora no Rio de Janeiro no centro Urbanos onde a literatura acontece. Isso facilita seu trabalho? Seu contato e divulgação da sua obra? 

No início a crítica negativa me incomodava mais, pois era fruto de uma visão pessoal, que na maioria das vezes não era compartilhada por outros. Hoje não me incomodo mais. Até porque as críticas positivas superaram, e muito, as negativas. Gosto não se discute. O que não concordo são leitores se baseando em Resenhas para decidirem se lerão ou não uma obra. Já teve leitor que decidiu não ler meu livro por causa de uma resenha, depois mudou de ideia e amou o livro. Acredito que se a obra despertou algum interesse, é importante o leitor dar uma chance para a leitura.
Há muitos eventos literários no Rio e isso contribui bastante para conhecermos muitas pessoas do universo literário, mas o autor também precisa criar meios de expor a sua obra de alguma forma. Apenas ser morador do Rio de Janeiro não adianta muito, se o autor não trabalhar duro para divulgar o seu trabalho.


     Como você avalia o cenário dos e-books no Brasil?

Em crescimento, mais ainda aquém do potencial que possuiu. Terminei meu primeiro livro de fantasia juvenil e, segundo algumas pesquisas, os adolescentes não consomem muito nesta plataforma, preferem o livro físico. Nem todo mundo se adapta aos leitores digitais, mas é uma ferramenta da qual o escritor não pode abrir mão. Precisamos oferecer várias opções para vários tipos de leitores.

     Você crê que existe preconceito contra algum gênero literário no Brasil?
O maior preconceito que vejo hoje é acerca da Literatura Nacional. Muito já foi superado, mas vez ou outra ainda leio pessoas que só leram seu primeiro Nacional recentemente, após dezenas de estrangeiros. Depois que esse preconceito for superado, ou pelo menos reduzido bastante, os preconceitos quanto a gêneros serão superados.


    Como você vê as feiras literárias? O que isso beneficia no mundo dos escritores?

Fundamental. Não apenas para venda de livros, mas principalmente para nos aproximar dos leitores. Esse contato é muito importante. O leitor não compra apenas os seus livros, ele compra você. Se ele cria uma conexão com o autor, a possibilidade de você conquistar um leitor para o resto da vida é muito grande. Nesse ponto, nós, autores nacionais, saímos na frente. Os leitores não têm esse acesso facilitado quando se trata de autores estrangeiros, a não ser em Bienais.

    Hoje a febre entre o mundo da comunicação são os blogs. Os blogs literários são cada vez mais crescentes e sempre cheios de novidades. No seu ponto de vista, como escritor, como você analisa os blogs literários?
Blogs são parceiros essenciais, principalmente para nós, iniciantes. Mesmo grandes Editoras continuam usando esse tipo de parceria, mostrando a força que os blogs têm. O blogueiro é formador de opinião e tem contribuído bastante na expansão da Literatura, em especial a Literatura Nacional.

    Quais dicas você deixa para escritores iniciantes?

Leia o livro “Sobre a Escrita” de Stephen King. Uma das chaves que ele cita para ser um bom escritor, eu reproduzo aqui: “Leia muito e escreva muito”. A leitura é essencial para a escrita. A escrita se aperfeiçoa com a prática. Sou prova disso. Desde a primeira edição de “A Promessa” até meu último livro de fantasia, a melhora na escrita é visível. Essa é a minha dica.

  Quais são seus próximos projetos como escritor? Podemos esperar novidades?

Meu livro de Fantasia que deve se tornar uma Trilogia é um deles. Tenho esperanças de alguma Editora se interessar. O terceiro livro da Série Promessa está finalizado, mas deve ficar apenas para o próximo ano. No momento, estou escrevendo uma ficção que deve se tornar meu primeiro livro de volume único, pelo menos é o que pretendo (risos).







Parabéns M. Pattal por todo talento, inspiração e dedicação!

Leituras Plus deseja todo sucesso para ti. Que Deus abençoe sempre você e tenha infinitas novas inspirações, para que possamos apreciá-las.

Posso dizer que amei os dois primeiros livros da série e estou louca para apreciar a leitura e o desfecho dessa linda estória. 

3 comentários:

  1. Fantástica a entrevista com o Pattal. Concordo com ele que os blogs são essenciais no universo literário e que têm ajudado bastante a propagar a literatura nacional. O número de blogs interessados por autores brasileiros crescer a cada dia.

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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    Respostas
    1. você: "O número de blogs interessados por autores brasileiros crescer a cada dia".
      Eu: Eu sou uma dessas, que apaixono e sou viciada pelo mundo da literatura nacional contemporânea, e preciso sempre de dicas de novos escritores nacionais.
      Obrigada pela linda participação.

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  2. Obrigado pelo apoio, Laplace. Vamos seguir juntos nessa caminhada. Agradeço também a você, Patrícia, e ao Leituras Plus pela Semana Pattal e pelo carinho. Sucesso pra vocês!

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