Trabalhar para crescer - TMartins



Tento imaginar atrás de cada olhar cansado na correria do dia a dia quais foram ou ainda são os sonhos dessas pessoas, sempre cansadas da mesmice cinza do cotidiano. Se, são realmente felizes com as consequências de suas escolhas. O destino tem uma mania estranha de tempo em tempo jogar na nossa cara quão longe estamos do que um dia desejamos... Em cada rosto amassado uma história. Em cada trabalhador um sonho escondido, entre as responsabilidades de adulto sério e a criança perdida nesses olhares. 

Uma reflexão filosófica diária na fila do ônibus: que merda estou fazendo com minha vida? Rugas, calos, as marcas das opções. Não sei até que ponto eu levo e onde começo ser levada pelas situações do meu destino. Momento de pensar e rever os caminhos percorridos, trabalhar é crescer correndo riscos de ganhar e perde-se. Resolver problemas, construir casa, ensinar a ler, informar, criar, escrever, dançar, consertar, etc., etc. Trabalhar é bom, ser útil é ótimo, todavia o consumismo veio para vulgarizar as profissões; não é mais pelo dom/amor são sempre escolhas financeiras e a maioria acaba exercendo a mais antiga profissão do mundo. Vendendo os próprios sonhos por alguns trocados.

Há quem escolheu em quê trabalhar e quem teve como única escolha trabalhar, uma linha igualmente crucial para ambos. Em algum momento, por algum motivo, a gente acaba tendo de assumir responsabilidades, inclusive para certificar que chegou finalmente na fase adulta, agora, com seu próprio dinheiro podendo pagar a cerveja do final de semana ou ir ao cinema sem implorar a grana pro pai. Esse é um tipo de satisfação que não tem preço monetário. O prazer em comprar com meu primeiro salário foi algo que nunca vou esquecer. (um cd da legião urbana, um All Star e um sorriso cheio de orgulho) acho que é assim para todo mundo, é muito bom se sentir suficientemente capaz de “bancar” a vida ou parte dela.

E é aí que mora o perigo. Acabamos prisioneiros de um sistema sem saída. Trabalhamos para sermos independentes e livres, nos vemos presas as responsabilidades, metas, indicadores, papeis, rotinas intermináveis; a crueldade não estar na segunda-feira, e sim, na certeza que não estamos fazendo o que queremos a produtividade não gera resultados dos quais nos orgulhamos. A vontade é colocar meia dúzia de roupa e ir dá à volta ao mundo, descobrindo cores, gostos, costumes... No fim os anseios simples que importam e o tempo anda passando de pressa. Corre! Ainda dá tempo de ser você e fazer o seu melhor!  Ter como consolo o Happy hour de sexta-feira não dá mais!

TMartins 

2 comentários:

  1. Nossa, realmente, o tempo é algo que nos cobras decisões rápidas, mas nem sempre estamos prontos. Será que é isso que quero? E se eu escolhesse outro curso? Me pego pensando nisso em várias ocasiões, principalmente no ônibus ou ao observar as pessoas no centro da cidade . Belo texto!
    Abraços!
    coisasdeumleitor.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico aliviada em saber que não estou sozinha nessas questões infinitas sobre os rumos e circunstancias da vida...

      Obrigada!

      Excluir


© BOLG DA MARY - 2015-2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: MARY DESGN.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo