Semana Laplace Entrevista III


E continua...


Laplace e sua vida de Escritor....


21. O seu livro A página Certa, é sucesso em e-book e na versão física. Conte como foi escrevê-lo? Como criou os personagens? Quanto tempo demorou no trabalho dessa obra?


A primeira versão de A Página Certa foi concluída em 9 meses, e eu a comecei no último semestre da faculdade, então veio em um ótimo momento para aliviar a tensão da correria que é para concluir uma graduação. Eu estava cansado de sempre nas histórias o casal se apaixonar a primeira vista, se tornar a razão de existir um do outro e estar certo que ficarão juntos por toda a eternidade. Para mim isso soa até meio irreal. Então eu pensei: “E se eu criasse uma história onde o amor não explode logo de cara, mas é construído com o tempo, e o casal resolve ficar junto por se gostarem e quererem isso, sem que um morra se o outro falecer?”. E também resolvi humanizar os personagens, adicionar defeitos e manias a eles. Outra coisa que não gosto são personagens perfeitos, são monótonos, e nas histórias de amor nós costumamos ter protagonistas cujo único defeito é ser bom demais, e só errarem quando tentam agradar os outros. Então eu saí elencando defeitos e manias meus e de pessoas que conheço e os distribui entre os personagens.

22. Como você recebe as críticas das suas obras?

Eu sei que não posso agradar todo mundo, e que sempre há algo que preciso melhorar. Então procuro aprender com elas, estudar os pontos que destacam que deveriam ser aprimorados e vejo como trabalhar isso.

23. Neste intervalo de publicações entre os livros, sem dúvidas, sua bagagem de leitura e escrita aumenta. Você adquire mais facilidade para desenvolver a narrativa entre intervalo de uma escrita a outra?

Com certeza, e eu tive uma noção disso bem recentemente. Um livro que me ensinou muito foi Silo, do Hugh Howey. Nenhum livro de dica para escritores me ensinou tanto quanto a distopia escrita pelo Hugh. O livro que escrevo agora é uma distopia, eu escrevi metade dele no ano passado, empregando conhecimentos que aprendi com o Hugh, e deixei esse trabalho de lado para focar em outro, que também era uma distopia. Como eu já havia começado uma obra do mesmo gênero, foi mais fácil iniciar a nova, e eu tinha o pensamento de que com o trabalho anterior já havia aprendido o grosso dessa área, digamos assim. Até que umas semanas atrás eu voltei para a primeira distopia — após finalizar a segunda —, e me dei conta que o meu crescimento escrevendo a segunda distopia foi bem maior do que quando escrevi a primeira, e que eu precisava consertar muita coisa dessa primeira. Eu estava certo que tinha aprendido mais com meu primeiro contato com o gênero (já que tudo era novo para mim), mas concluí que não, que foi com o aperfeiçoamento da prática do que aprendi com o Hugh que mais evoluí.

24. Você é nordestino, nascido em João Pessoa. Mora fora dos centros Urbanos onde a literatura acontece. Tem vontade de mudar em busca de novos caminhos com a profissão de escritor. Ou ainda não sentiu essa necessidade e simplesmente não pensa nessa possibilidade?

Pelos próximos anos eu ficarei por aqui, mas no futuro não descarto a possibilidade de me mudar, se eu tiver condições. Amo João Pessoa, porém aqui é meio isolado de todo. E eu sou apaixonado pelo frio (aqui quando faz muito frio, faz 20 graus, e acreditem, as pessoas congelam), então eu cogitaria me mudar para São Paulo ou para o sul. Se for para ir para fora do país eu iria para o Canadá.

25. Como conversado anteriormente, você iniciou cedo, aos 8 anos e aos 13 anos ganhou o primeiro prêmio. Com essa experiência a seu favor, como você observa a literatura, escrita infantil e dos jovens no Brasil atualmente? Acredita que os avanços da tecnologia e vícios como as redes sociais, prejudicam ou incentivam a leitura e a escrita?

Observando de forma geral, eu acho que prejudicam. Para as crianças que gostam de ler, as vantagens da tecnologia são ótimas, instiga-as a se aprofundarem na área. O problema é que a maioria das crianças não gosta de ler, e por isso acabam não aproveitando essa facilidade que a tecnologia proporciona. E elas não são culpadas por isso, porque criança não nasce sabendo, tem que ser instruída, e se os pais e o nosso sistema de ensino não as motiva a ler, dificilmente elas farão por conta própria.

26. Como você avalia o cenário dos e-books no Brasil?

Promissor, vem crescendo cada vez mais e acredito que a tendência é continuar assim. Contudo não acho que isso eliminará o livro impresso, não nos próximos anos, pelo menos.

27. Você tem dois contos escritos? (Amores Impossíveis e Segredos de Família). Como foi fazer parte desses trabalhos? Já que ambos têm uma mistura de escritores nacionais consagrados e escritores iniciantes.

Tenho três, além dos pertencentes a essas duas antologias tem também o conto Mestre de Marionetes, que está disponível gratuitamente no Wattpad. Foi uma experiência sensacional e única em cada caso. Amores Impossíveis foi minha primeira publicação como escritor, então tudo foi muito novo e os demais contistas foram fantásticos, principalmente os experientes, que me deram muitas dicas. Em Segredos de Família eu já deixei de ser um completo novato e tive a oportunidade de ajudar o pessoal que estava chegando. E esses momentos são interessantes porque esse universo da carreira de escritor é tão vasto, que por um momento você não sabe como se adaptará a ele, pelo menos comigo foi assim quando comecei. Até que você conhece alguém que chegou depois de você, e aí você entende que já está se adaptando ao meio — mesmo sem perceber — porque já tem algumas coisas que você pode ensinar para quem veio depois.

28. Você crê que existe preconceito contra algum gênero literário no Brasil?

Não, o que acho que existe são leitores muito fiéis a seus gêneros. A questão é que há gêneros que ficam mais em evidência que outros em determinados períodos, então da a entender que há um preconceito que alguns.


29. Como você ver as feiras literárias? O que isso beneficia no mundo dos escritores?

Feiras literárias são grandes oportunidades para os escritores, principalmente os novos, ampliarem seus contatos, aprenderem mais sobre a carreira e o mercado, e divulgarem seu trabalho. Tive a oportunidade de ir a Bienal de São Paulo de 2014 e foi uma experiência singular.

30. Hoje a febre entre o mundo da comunicação, são os blogs. Os blogs literários são cada vez mais crescentes e sempre cheios de novidades. No seu ponto de vista, como escritor, como você analisa os blogs literários?

Feliz é o escritor que tem blogueiros ao seu lado. Os blogs são primordiais em nossa carreira, o escritor que não tem contato com blogs está fora do mercado.

31.Quanto aos eventos e encontros literários; acha uma oportunidade dos escritores expor seus trabalhos? E dos leitores aproximarem dos escritores? E a organização compensa o esforço do escritor em fazer parte dos eventos literários.

No final de 2014 eu tive a oportunidade de conhecer um grupo de blogueiros e leitores da minha cidade que promovem e participam de muitos eventos e encontros literários, e meu único arrependimento é não tê-los conhecido antes. Eventos literários, mesmo não sendo uma Bienal, são muito bons e merecem a atenção dos escritores. Mesmo que não seja algo sobre o seu livro, vale a pena você prestigiar o trabalho dos colegas. Você conhece potenciais leitores e parceiros, fica mais entrosado com pessoas que gostam da mesma coisa que você, consegue dicas de leitura e em outras áreas, só tem a ganhar. O único evento literário que eu organizei por conta própria foi o lançamento de A Página Certa, nos demais eu tive ajuda, e em todos os casos, apesar do trabalho e cansaço no fim do dia, valeu a pena.

32.Quais dicas você deixa para escritores iniciantes?
Duas dicas que acho muito importante para os escritores iniciantes, pois a grande maioria tende a enfrentar isso, são: continue escrevendo, mesmo que você ache que seu livro está ruim. Seu texto nunca ficará perfeito, sempre haverá algo a ser melhorado, então engula o perfeccionismo e escreva. Quando finalizar a obra você se preocupa em lapidá-la. E a outra dica é: escreva, independente de inspiração, escreva. Você não precisa estar inspirado para escrever um bom livro, o que você precisa é de determinação e acreditar no que está fazendo. Como disse o autor Josh Malerman:

"Não espere por inspiração. A inspiração é um monstro. Engana-se quem a espera, ela o acalma até você dormir. Se você escreveu todos os dias durante um mês, inspirados ou não, você provavelmente não será capaz de ver a diferença quando voltar a ler. A inspiração é algo subjetivo."

33.Quais são seus próximos projetos como escritor? Podemos esperar novidades?

Com certeza! Esse ano pretendo lançar um livro, sobre o qual tudo que posso adiantar até o momento é que será uma distopia (a segunda em que trabalhei, que falei na pergunta 23). E pretendo publicar um miniconto gratuito, chamado A ESTRADA, no Wattpad até junho.






Um comentário:

  1. Foi ótimo participar dessa semana especial! Muito obrigado! :)

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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