Entre prefixo e sufixo





O acaso se encontra nas entrelinhas das nossas palavras... Faz-se por entre verbos e substantivos, e insiste em se adjetivar. É que amor além de ser um verbo intransitivo tem tanto o que conversar com o papel e a caneta, o dialogo funciona de forma magistral. 

É como se existisse um corta caminho entre o que se sente e o que quer falar, eu Já disse em escritos tantas verdades, jurei amor, chorei em palavras sem ter forças para reler, deixei de dizer tantas coisas e apenas escrevi. Talvez não suportasse ouvir o eco da minha voz transmitindo minhas angustias, meus medos, meus desamores. Acostumei em fingir que sou intocável, que não fraquejo e que não sinto o baque do silencio depois de uma briga ou que não vou chorar escondida no escuro. 

A gente senti tudo, eu sinto muito, digo a gente porque sei que somos um grupo fechado e que é formado de anônimos, ninguém fala sobre esse grupo, mas ele existe é formado por pessoas que se esconde por trás do silencio do sarcasmo ou da ironia, não existe reunião até porque é um grupo de pessoas que não gostam de conversas logo não faria sentido uma reunião, também não é preciso uma carteirinha de membro, pois normalmente não gostamos de ser identificado, o sistema é simples: entra quem quer e sai quando quer. 


Nunca ouvir falar de algum tipo de autorização, é um grupo liberal, Somos uma grande armadura recheada de angustia e fraquezas. Mas enfim não é sobre isso que quero falar, quero falar sobre o que estou sentindo talvez assim eu consiga organizar essa bagunça. 

É que quando nossos assuntos não parecem importar muito, fazemos do silencio nosso maior dialogo até que este silencio vire um constante eco a ponto de a fala desaparecer, acabei me adaptando com os meus barulhos e eles não me dizem nada. 

Acho que faltei na aula de como me expressar e acabei tirando nota vermelha nesta pratica, e neste caso o vermelho é da ferida que causo em quem gosto, como não consigo formar palavras expressivas acabo magoando as pessoas, quando estou feliz me atrapalho e acabo colocando prefixo onde deveria ser sufixo e com esse erro gramatical lá se vai mais uma chance de ser simplesmente feliz, do adjetivo, mas simples, no Máximo transformando o adjetivo no substantivo felicidade.



Acredito que presto tanta atenção na estrutura gramatical que o que eu falo acaba saindo sem essência, não faço de propósito simplesmente acontece e quando percebo já falei meia dúzia de palavras bonitas e despedacei mais um coração. 

Percebem agora o motivo de eu me calar e tentar sempre escrever? É que pelo menos cartas de amor ficam guardadas em velhas caixas por anos. Esse é meu jeito de jurar o para sempre.             


  Kati Martins


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