Asiáticos Podres de Ricos (Podres de Ricos # 1) - Kevin Kwan


Ano: 2018 
Páginas: 490
Idioma: português
Editora: Record
Sinopse:
Best-seller internacional que inspirou uma das mais aguardadas adaptações cinematográficas do ano. Quando Rachel Chu chega a Cingapura com o namorado para o casamento de seu melhor amigo, imaginava passar dias tranquilos com uma simpática família. Só que Nick não mencionou alguns detalhes, como o fato de sua família ter muito, muito dinheiro, que ela viajaria mais em jatinhos particulares do que de carro e que caminhar de mãos dadas com um dos solteiros mais ricos da Ásia era como ter um alvo nas costas. Logo, Rachel percebe que não será poupada das fofocas e intrigas. Isso sem falar na mãe de Nick, uma mulher com opiniões bem fortes sobre com quem o filho deve – ou não – se casar. Um passeio pelos cenários mais exclusivos do Extremo Oriente – das luxuosas coberturas de Xangai às ilhas particulares do mar da China Meridional –, Asiáticos Podres de Ricos é uma visão do jet set oriental por dentro. Com seu olhar satírico, Kevin Kwan traça um retrato engraçadíssimo do conflito entre os novos-ricos e as famílias tradicionais em seu romance de estreia, que já fez milhares de leitores chorarem de tanto rir no mundo todo.

Resenha:
O livro inicia com uma cena que nos dá a dimensãode como será. Uma família asiática aparentemente simples chega à Inglaterra para hospedar-se em um dos melhores hotéis da cidade. 

Mas o gerente do hotel se recusa a hispedá-los, pois está preocupado com a imagem do hotel. É nessa hora que, um simples telefonema de uma das mulheres ao seu marido para que o cenário mude completamente. 

Em não mais que trinta minutos, a família volta ao hotel, agora como donos dele, e despedem o gerente. No meio destas famílias, estão as crianças Nicholas Young, Astrid Leong e Edison Cheng. 

Eles são filhos das famílias mais ricas da China, mas aprendem desde cedo que não devem ostentar isso. 

Eles não são como os novos ricos da China, extravagantes e pretensiosos, eles têm tradição, e não precisam mostra-se, pelo contrário, prezam pela discrição. O tempo passa e essas três crianças tornam-se adultos muito diferentes um do outro. 

Astrid torna-se uma linda mulher, casada com um homem sem muito prestígio, que não aceita que ela gaste seu dinheiro com o sustento da família. 

Devido a isso, ela tem uma vida relativamente simples em Cingapura, mas foge discretamente duas vezes por ano e volta à Inglaterra para comprar centenas de roupas de exclusivas dos melhores estilistas, roupas essas que ela mantém escondidas do marido. 

Ediee é o oposto da prima. Está sempre em busca de visibilidade na mídia, ostentando o dinheiro que tem, e faz a mulher e o filho passarem por situações extremamente constrangedoras. E por fim, Nick é o que vive de maneira mais simples. 

Professor em uma universidade nos Estados Unidos, divide apartamento com a Rachel, com quem namora há dois anos, e que também é professora universitária. Mas a vida pacata de Nick e Rachel muda quando ele é convidado para o casamento do amigo Colin, que acontecerá em Cingapura. 

Ele acha que pode ser a oportunidade perfeita de mostrar a namorada um pouco do seu mundo, e que ela desconhe completamente. 

Quando chegam a Asiá, Rachel fica surpresa com a riqueza de toda a família, e também sofre uma pressão por parte de toda uma sociedade, que não aceita que o universo herdeiro de uma fortuna inestimável se envolva com um marido mulher que vem de uma família nada tradicional, e ela, que foi criada por uma mãe solteira, é taxada de aproveitadora. 

Na ânsia de acabar com o relacionamento, a mãe Nick, Eleonor, traz a tona um passado que a própria Rachel desconhecia, e que traz a ela imenso sofrimento. 

Em função de todos esses acontecimentos, ela e Nick tem sua relação destruída, e Rachel já não sabe se o amor que sentem resistirá a tudo isso. Tudo que ela quer é voltar aos Estados Unidos e esquecer que todas essas pessoas existem.

Sobre a autora: Kevin Kwan

Nasceu em Cingapura, onde passou a infância e a adolescência. Atualmente mora em Manhattan, nos Estados Unidos. É um romancista cingapuriano-americano mais conhecido por seus romances satíricos Crazy Rich Asians , China Rich Girlfriend e Rich People Problems . 

Em 2014, Kwan foi nomeado como um dos "Cinco Escritores para Assistir" na lista dos Autores Mais Poderosos de Hollywood, publicada pelo The Hollywood Reporter .  Em 2018, Kwan fez a lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time e foi introduzido no Asian Hall of Fame, um projeto da Fundação Robert Chinn estabelecido em 2004. 

                                                                                                                     Por
Cristina Daitx 
Contato: cristina.scheffer@hotmail.com


A menina Má - William March


ISBN: 9788566636819
Páginas: 272
Edição:
Tipo de capa: Capa Dura
Editora: Darkside Books
Ano:  2015
Assunto: Romances
Idioma: Português
SINOPSE: Há 62 anos, um livro de suspense psicológico faria com que milhões de leitores discutissem apaixonadamente essa questão. Que livro era esse? MENINA MÁ, mais um clássico que a DarkSide Books desenterra para os fãs do que há de melhor, e mais sombrio, na literatura mundial. Publicado originalmente em 1954, MENINA MÁ se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro “apavorantemente bom”. 

Ernest Hemingway se declarou um fã. Em menos de um ano, MENINA MÁ ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark. Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. 

Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também. MENINA MÁ é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter. O romance de William March, que chega as livrarias em 2016, é ainda uma excelente dica de leitura para os fãs da coleção Crime Scene, da DarkSide Books, que investiga casos reais de psicopatas. A ficção nunca antes foi tão assustadoramente real como em MENINA MÁ.

RESENHA


Quando nasce a maldade? Nascemos todos inocentes e somos corrompidos pelo mundo à nossa volta? Ou será a maldade uma espécie de semente que carregamos dentro de nós, capaz de brotar mesmo na mais adorável das crianças? Essa é uma pergunta que nos fazemos já nas primeiras páginas deste clássico MENINA MÁ, de William March. Confesso que iniciei a leitura com muitas ressalvas pois o tema é muito perturbador e imaginei que a leitura não seria agradável, contudo o autor nos envolve de tal maneira que é simplesmente impossível largar a leitura.

A narrativa gira em torno da pequena Rhoda Penmark, uma garotinha de oito anos de idade, linda, adorável, extremamente educada, organizada e responsável, muito amada pelos pais Christine e Kenneth Penmark. Rhoda é adorada pelos adultos e temida pelos coleguinhas de escola, tendo sido inclusive convidada a se retirar de algumas das instituições de ensino que frequentou. Desprovida de escrúpulos, dissimulada, manipuladora, a menina é incapaz de sentir empatia ou qualquer tipo de sentimento, não consegue se colocar no lugar do próximo, e se mostra uma verdadeira atriz, refletindo as emoções que ela percebe que esperam dela, valendo-se de sua inteligência excepcional. Trata-se de uma criança assassina em série de sangue-frio, que é capaz de matar sem titubear, com uma crueldade inimaginável para atingir seus objetivos e saciar sua ganância, pois é amados, é uma história de arrepiar. Em determinados aspectos, a história é ainda mais estranha e incômoda agora do que na época de sua primeira publicação.

MENINA MÁ surgiu durante a era de ouro da psicanálise nos Estados Unidos, em um momento onde havia bastante receptividade às interpretações freudianas. Apesar disso, naquela época, discutir homossexualidade ainda era tabu, de modo que as alusões requintadas de March sobre homens gays, sobre a homossexualidade feminina e sobre a castração de mães e esposas podem ter passado despercebidas pelos leitores dos anos 1950 ou terem parecido completos disparates. Notamos na obra uma verdadeira fascinação do autor pela violência sexual e perversidade, o que pode ser entendido quando analisamos relatos da vida do próprio William March.

            Na narrativa, Kenneth, o pai de Rhoda (nossa pequena assassina), se encontra fora do país a trabalho, então sua mãe, Christine, se vê sozinha diante de acontecimentos estarrecedores, chocantes e fica arrasada com a incapacidade da filha de nutrir qualquer tipo de sentimento. Christine começa então a pesquisar sobre a mente doentia de assassinos em série e acaba por descobrir a face real da filha. Diante do impasse entre entregar a filha ao sistema e salvar outras pessoas da maldade da menina, e proteger o sangue de seu sangue, Christine se depara com uma inesperada revelação sobre seu próprio passado, que abala suas estruturas, seria ela a culpada pela malignidade da filha? Teria ela transmitido “the bad seed”, a “semente do mal” à menina?

            Com um desfecho a meu ver perfeito, MENINA MÁ é uma leitura sensacional, apesar de bastante assustadora. A narrativa toda é cheia de tensão e muitos temas pesados e polêmicos, no entanto a leitura flui com facilidade devido a grande habilidade e objetividade do autor. Recomendo fortemente aqueles que apreciam um bom thriller e até mesmo aqueles que apesar de não serem fãs do gênero mas que desejem se aventurar nessa atmosfera maligna e cruel da obra. A Darkside nos trouxe a história da semente do mal em uma edição impecável e imperdível. Procurei não me estender muito nos detalhes da história para não privá-los de algumas surpresas da narrativa, mas espero que tenham gostado! 

SOBRE O AUTOR:
William March

Nasceu em uma família pobre no Alabama, em 1893. Alistou-se na Marinha e combateu na Primeira Guerra Mundial, tendo recebido condecorações dos governos norteamericano e francês. Largou a farda logo após o conflito, e os horrores do confronto lhe inspiraram a escrever seu primeiro romance, Company K. 

Publicou seis romances e quatro compilações de contos. Morreu em 1954, um mês após o lançamento do seu livro mais celebrado, Menina Má.

Até breve! Beijos!
By: Thaísa Salvador
e-mail: thaisaelloa@gmail.com

A Revolução dos Bichos - George Orwell


Ano: 2007
Páginas: 152
Idioma: português
Editora: 
Companhia das Letras
Sinopse:
Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, A Revolução dos Bichos' é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.

De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stalin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, a obra passou a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell repetiria o mesmo gesto anos mais tarde com seu outro romance 1984, finalizado-o às pressas à beira da morte para que o mesmo service de alerta ao ocidente sobre o horrores do totalitarismo comunista.

É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo.

Resenha:
Os animais de uma fazenda estão cansados de viver a mercê de seu dono e resolvem fazer uma revolução. Durante essa revolução eles criam algumas leis próprias e expulsam os humanos da fazenda.

Para conseguir viver de uma maneira sustentável sem depender dos humanos alguns deles, a maioria os porcos, aprendem a ler para entender melhor o andamento da fazenda. 

Os porcos então tomam a frente da situação e os animais obtém imenso sucesso vivendo sozinhos. 

Porém, um dos porcos planeja secretamente tomar o poder na fazenda, e assim acontece. Gradativamente ele começa a distorcer as leis criadas por eles em benefício próprio. 

Na sua ignorância, os animais sentem-se felizes por não mais serem escravizados pelos humanos e não percebem que agora estão sendo escravizados por sua própria raça. 

A história é extremamente reflexiva, e nos remete a diversas situações que vivemos no cotidiano, seja na política, no trabalho, na família. 

Como se estivesse intrínseco nos seres vivos a tendência a ser explorado, ou até mesmo, mudar totalmente sua índole quando é, de alguma forma, oportunizado-lhe alguma forma de poder.

Sobre o autor: Eric Arthur Blair 
Foi um jornalista, ensaísta e romancista britânico, que escreveu sob o pseudônimo George Orwell.

Sua escrita é marcada por descrições concisas de eventos e condições sociais e o desprezo por todos os tipos de autoridade. 

É mais conhecido por suas duas obras maiores: 
  • Nineteen Eighty-Four, crítica ao autoritarismo, 
  • Animal Farm, uma sátira ao stalinismo.
                                                                                                                     Por
Cristina Daitx 
Contato: cristina.scheffer@hotmail.com



AS FÚRIAS INVSÍVEIS DO CORAÇÃO – JOHN BOYNE

Título original: THE HEART'S INVISIBLE FURIES, 
Autor: John Boyne
Lançamento: 06/10/2017 
Editora: Companhia das Letras 
Páginas: 536.
SINOPSE:
Cyril Avery não é um Avery de verdade ou, pelo menos, é o que seus pais adotivos lhe dizem. E ele nunca será. Mas se não é um Avery, então quem é ele? Nascido nos anos 1940, filho de uma jovem solteira expulsa de sua comunidade e criado por uma família rica irlandesa, Cyril passará a vida inteira à mercê da sorte e da coincidência, tentando descobrir de onde veio — e, ao longo de muitos anos, lutará para encontrar uma identidade, uma casa, um país e muito mais. 

Além das incertezas de sua origem, ele tem de enfrentar outro dilema: é gay numa sociedade que não admite sua orientação sexual. Autor do best-seller O menino do pijama listrado, John Boyne nos apresenta à sua maior empreitada literária até então, construindo uma saga arrebatadora sobre aceitar-se e ser aceito num mundo que pode ser cruelmente hostil. Uma leitura necessária para os dias de hoje, que reitera o poder do amor, da esperança e da tolerância.

RESENHA:
            Meus amados, hoje venho indicar a vocês essa obra maravilhosa “As fúrias invisíveis do coração”, do escritor John Boyne, que também nos presenteou com o maravilhoso e devastador “O menino do pijama listrado”. Ao ler a sinopse já me arrepiei e logo desconfiei que uma grande experiência literária me aguardava e eu estava certa.

A história é narrada em primeira pessoa, o que instantaneamente faz com que criemos uma ligação muito forte com o narrador. Cyril começa a narrativa contando como sua mãe, Catherine Goggin, uma adolescente de 16 anos, grávida foi humilhada, execrada pelo padre James Monroe perante toda a paróquia e expulsa da comunidade, rejeitada até mesmo por seus pais e irmãos. Considere o ano de 1945 e um vilarejo nos confins de uma Irlanda onde o catolicismo imperava e já de início sentimos o impacto da cena nauseante, muito bem norteada pelo autor em linguagem direta e franca:
“Muito tempo antes que descobríssemos que ele tinha dois filhos com mulheres diferentes (...), o padre James Monroe usou o altar da igreja de Nossa Senhora, Estrela do Mar, paróquia de Goleen, West Cork, para denunciar minha mãe como puta. (...)”   
            Catherine é jogada á própria sorte e tendo sido expulsa da comunidade onde viveu por toda a vida é obrigada a partir, de modo que pega suas economias e parte para Dublin em busca de trabalho. No trem Catherine conhece Sean MacIntyre, que também está indo para Dublin para encontrar o amigo Jack Smoot, que lhe providenciou um trabalho.É Sean quem a ajuda a enfrentar a cidade grande, juntamente com seu  Jack Smoot, os três se tornam inseparáveis e moram em um minúsculo apartamento onde os dois rapazes dividem o quarto e sem que Catherine desconfie mantém um relacionamento amoroso.

            Manter um relacionamento homoafetivo naquela época poderia significar uma sentença de morte, um pai preferia matar seu próprio filho a aceitar que o mesmo fosse homossexual (seria absolvido pelo júri por ter cometido o crime em circunstâncias extremas de ter um filho doente mental), Catherine descobriria isso da forma mais trágica possível. Cyril nasce em meio a luta de sua mãe para sobreviver e salvar seus amigos:
“ (...) E então ela deve ter perdido os sentidos, pois o silencio voltou a reinar na sala até o minuto seguinte, quando eu aproveitei a paz e quietude para acabar de sair, e o meu corpinho caiu no tapete imundo do apartamento do primeiro andar da Chatham Street, numa poça de sangue, placenta e muco. (...) abri os pulmões pela primeira vez e, com um poderoso bramido, que os homens no pub lá embaixo devem ter ouvido, pois subiram a escada correndo para descobrir a causa de tamanha algazarra, anunciei ao mundo que havia chegado, que havia nascido e finalmente fazia parte disto tudo(...)”
            Cyril nasceu e foi adotado pela abastada família Avery, apesar de receber toda a assistência financeira, seus pais adotivos nunca esconderam a verdade a respeito da adoção e deixavam bem claro que ele não era um “Avery de verdade”, que eles não eram de fato seus pais. Mantinham um relacionamento frio e distante. Sua mãe adotiva, escritora excêntrica, vivia em seu próprio mundo e seu pai adotivo, no mundo dos negócios, fraudes e muitas mulheres:
“(...) eu aceitava que era apenas uma criatura viva dividindo a casa com dois adultos na maior parte do tempo alheios um ao outro. Davam-me comida, roupa e escola, e queixar-me seria mostrar um nível de ingratidão que decerto desconcertaria os dois (...)”
            Cyril descobre seu interesse por garotos muito cedo, ainda na infância conhece Julian, que se torna seu amor platônico, objeto de fascínio e desejo. Durante mais de trinta anos de sua vida esconde sua essência e conforma-se com encontros fugazes, com a promiscuidade, colocando sua própria vida em risco toda vez que sai em busca da satisfação de seus ímpetos sexuais. A vulnerabilidade emocional, o desamparo em que este homem forte se encontra emociona demais durante todo o livro. Chega um momento no entanto em que Cyril se dá conta de que ao não se assumir, ele está prestes a estragar não só a sua vida, mas de uma pessoa pela qual tem muito carinho.  
“Era uma época difícil para ser irlandês, ter vinte e um anos e ser um homem que sentia atração por outros homens. Ser as três coisas simultaneamente exigia um nível de subterfúgio e astúcia incompatível com a minha natureza. Eu nunca havia me considerado uma pessoa falsa, detestava me imaginar capaz de tanta mendacidade e hipocrisia, porém, quando mais examinava a arquitetura da minha vida, mais me dava conta do quanto os seus alicerces eram fraudulentos. A certeza de que passaia o resto do meu tempo na terra mentindo para as pessoas pesava muito sobre mim e, nessas ocasiões, eu pensava seriamente em acabar com a vida.” (BOYNE, 2017, p. 190). 
            A narrativa cobre um período de 70 anos da vida de Cyril. A trama é sensacional e de uma sensibilidade incrível. A forma como a vida dos personagens se cruzam, mostrando os impactos que causaram na vida um do outro é genial. Existem momentos em que coincidências improváveis acontecem no livro, mas nada que atrapalhe ou desmereça a obra. O fato de Cyril ter sofrido tudo o que sofreu, ter perdido muitas pessoas que amava de forma trágica e violenta e ainda ser uma pessoa doce e não guardar mágoas é uma verdadeira lição e certamente foi o amor que o manteve vivo.

Trata-se de uma história maravilhosa, tocante, crua, que escancara a hipocrisia com a qual muitas vezes nos deparamos, por exemplo, dentro da própria igreja, da própria família que deveria acolher e amar. Uma narrativa que mostra que a intolerância, o preconceito, a negação e a hipocrisia matam. 

A leitura desta obra foi uma verdadeira montanha russa de emoções e inúmeras reflexões. 

Confesso que ao finalizar a obra eu estava com um sorriso no rosto, apesar de toda a feiúra, mostra que ainda há esperança, que ainda existe o amor. O amor que não tem idade para acontecer, o amor que não tem gênero, o amor que supera tudo, o amor que liberta, o amor que permanece. Recomendo fortemente...uma leitura para a vida, que acalenta a alma!

Autor: JOHN BOYNE
Nasceu na Irlanda, em 1971, e mora em Dublin. Escreveu diversos romances que já foram traduzidos para mais de quarenta idiomas. Seu livro mais célebre, O menino do pijama listrado (2007), lhe rendeu dois Irish Book Awards, vendeu mais de 5 milhões de exemplares pelo mundo e foi adaptado para o cinema em 2008.

                                                                                                               Beijos e até breve!
                                                                                                      Por
Thaisa Salvador 
Contato: thaisaelloa@gmail.com


A Trégua - Mario Benedetti


Ano: 2007 
Páginas: 184
Idioma: português
Editora: Alfaguara
Sinopse:
Escrito em formato de diário e com fina ironia, A Trégua traz a história de Martín Santomé, um homem maduro, de muita bondade, meio apagado, mas inteligente. Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina monótona e cinzenta. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria; mas não tem idéia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante. Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então triste e opaca. Mas será que essa relação conseguirá ir adiante? Muito mais do que uma história de amor, A trégua é um questionamento sobre a felicidade e um retrato às vezes bem-humorado, às vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos.


Resenha:
Escrito como se fosse um diário, esse homem, que está com quase cinquenta anos e prestes a se aposentar faz uma reflexão de sua vida e de seu trabalho. 

Ele que muito o descanso, mas também não sabe o que fazer com ele. Isto porquê sente-se extremamente só. Após ficar viúvo, criou seus três filhos sozinho, e sempre trabalhou muito. Já pode dizer que háuma relação boa com seus filhos. 

Estes, já adultos, têm uma sua personalidade. Estevão é o mais velho, e o filho com o qual tem menos afinidade. Blanca, a filha do meio, é a mais carinhosa e companheira. 

E Jaime, o mais novo, é o que ele pensa amar mais, mas então ele se revela homossexual, sai de casa e nem dá a chance ao pai de terem uma conversa. 

Nesse turbilhão de acontecimentos, ele apaixona-se por Avellenada, uma colega de trabalho de vinte e quatro anos. A partir daí ele redescobre o sentido da vida. Ele anseia pela aposentadoria para dedicar-se totalmente a esse amor. 

Mas Deus novamente lhe prega uma peça, e ele se vê novamente sozinho, aposentado e sem perspectiva nenhuma de futuro. 

O personagem vai ao longo do livro nos revelando suas angústias diante da vida, angústias essas que são comuns a todos nós, reflexões sobre a família, as relações entre pais e filhos, sobre o amor e sobre a morte, momento que nos desestabiliza, mas que é inevitável a todos.

Sobre o autor: 
Mario Benedetti 

(Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. 

Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.

Dentre as diversas honrarias que recebeu destacam-se o 
  • Prêmio do Ministerio de Instrução Pública (1949) conquistado em função de sua primeira compilação de contos, Esta Mañana; 
  • Prêmio Jristo Botev da Bulgaria (1986) pelo conjunto de sua obra; 
  • Prêmio Ibero-americano José Martí (2001); 
  • Prêmio Internacional Menéndez Pelayo (2005) que é dado em reconhecimento ao esforço de personalidades em âmbito artístico e científico em prol dos idiomas ibéricos.
                                                                                                                      Por
Cristina Daitx 
Contato: cristina.scheffer@hotmail.com



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