O Mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam – Evandro Afonso Ferreira


ISBN-13: 9788501096418
ISBN-10: 8501096415
Ano: 2012 / Páginas: 128
Idioma: português 
Editora: Record

O premiado Evandro Affonso Ferreira escreve sobre um homem atormentado que experimenta a proximidade dolorosa do mundo. O romance emociona pela forma como fala da loucura, do amor, do abandono e da solidão, enquanto espera - andando e observando os escombros da vida urbana em detalhes - o retorno de sua amada, a que lhe deixou bilhete dizendo ACABOU-SE, - ADEUS.




RESENHA

“A loucura às vezes chega quando se é tragado pela perda, é cegueira lúcida que despedaça a alma.” Najla Assy

Ensaio? Monólogo? Loucura?

Sim! Loucura!

O livro número 5 do  Projeto Literatura Verde e Amarela em parceria com amiga afinada na literatura Cilene Resende - Meu Vício Literário, resenha de sua autoria Clique Aqui.

Um narrador maníaco, que deixa qualquer leitor perturbado; é inteligente, pois ele sabe, sente a sua realidade, condição de vida e, mesmo no meio da loucura, ele aceita de um modo próprio; literato, pois suas referências chegam a ser surreais para os padrões dele; porém estimulante, mostrando que, mesmo no meio de uma batalha consigo mesmo, seu conhecimento e gosto pela literatura é abundante.

“Quando tenho um pouco de dinheiro, compro-me livros. Se sobrar algo, compro-me roupa e comida.”(25)

Foto: Jornal Rascunho
Evandro Afonso Ferreira é o autor dessa obra delicada e vencedora do Jabuti em 2013 Seu histórico na literatura iniciou após abandonar a publicidade por consequência de um infarto. Assim, em São Paulo abriu um Sebo Sagarana, pondo à venda o seu acervo pessoal 3 mil volumes. Manteve a loja até 2002. Em 2005, voltou à atividade de livreiro, com o sebo Avalovara. Sua jornada como autor principiou com o livro de humor “Bombons Recheados de Cicuta”, que mais tarde renegou. Explorou a sonoridade da língua portuguesa, e suas interseções com o tupi-guarani e o iorubá, nos livros de contos que publicou nos anos seguintes. Ganhou o Prêmio APCA de melhor romance de 2010 com Minha Mãe se Matou Sem Dizer Adeus e o Prêmio Jabuti de 2013 com está obra.

“A dor do outro tem para nós a duração do fogo-fátuo.”(16)

Mas neste post especial da LVA, não iremos só conhecer um autor, mas sim dois autores. Um é o proprietário da obra e o outro é o  inspirador do mesmo.

Erasmo de Roterdã (ou Rotterdam, ou Roterdão) foi um humanista e filósofo holandês famoso pelo seu amplo conhecimento, dos mais diversos assuntos ligados a gnose humana, além de um dos maiores críticos do dogma católico romano e da imoralidade do clero. Entre os vários ramos do conhecimento, que interessaram a Erasmo, destaca-se sua dedicação instrutiva das línguas antigas, o que semeou o terreno para o estudo do passado, em particular dos relatos do Novo Testamento e dos primeiros pensadores da Fé Cristã. Inspirados nos clássicos greco-romanos, os intelectuais da época como Erasmo defendiam a exaltação da beleza e do prazer, considerados mais interessantes do que as abstrações da filosofia escolástica. Outras expressões humanas condenadas pela Igreja, como o prazer físico e o bom humor não conflitam com o cristianismo em sua moderna visão. Convites de nobres e atividades acadêmicas levaram Erasmo a viajar pela Europa até sua morte, em 1536, em Basiléia, na Suíça.

Suas obras popularizaram-se pela imaginação e estilo claro e descritivo, e suas sátiras lhe renderam bastantes inimigos. Entre seus trabalhos mais importantes estão:  O Elogio da Loucura (1509); De Duplici Copia Verborum et Rerum (1511); Os Pais Cristãos (1521); Colóquios Familiares (1516-1536); De Libero Arbitrio (1526); As Navegações dos Antigos (1532) e Preparação para a Morte (1533).

O motivo de falar em Erasmo de Rotterdam é simples, em toda essa obra vencedora do Ferreira, o mendigo idolatra, conhece e tem como um "mantra" o nome deste autor do quinhentismo.

“A-hã: Erasmo de Rotterdam. Observador implacável. Nossa trajetória de vida é mesmo inexorável.” (17)

A loucura é protagonista. “O mendigo” é uma leitura delicada, fantasiosa e filosófica, porém bem compreensiva. Não sei se pela condição do personagem de morar pelas ruas da cidade ou pelo fato da loucura.

A loucura por um amor;
A loucura por um autor;
A loucura pelos amigos e companheiro de rua;

Os apelidos que ressoa mais como mantras:
Menino-borboleta;
Mulher-molusco;
N ou Ns;
Maltrapilho acoolotra;

ACABOU-SE, ADEUS


ACABOU-SE, ADEUS - tudo culpa dessa pequena frase, deste bilhete, a narrativa é toda voltada para essas duas palavras, que muda a vida do protagonista.

Contêm várias revelações de desabafos e explanações sobre suas condições e delírios.

“Não ando a trouxe-mouxe pelas ruas da cidade, numa desvairança sucessiva por obra do acaso. Perdendo-a perdi ato contínuo o juízo a prudência o bom-senso” (28)

A realidade é algo sofrido na leitura, doe cada desopressão.

“No anoitecer a sensação de abandono é ainda maior. O frio também. O Medo também... deveriam desinventar para nós esse espaço em que o sol está abaixo do horizonte.” (33)

Mas, o delicioso da obra é a inteligência do escritor em deixar suspense e nada definitivo em cada página;  até o final nunca saberemos se a consequência de cada fato foi loucura, delírio ou foi um acontecimento isolado, uma escolha.

Literatura Verde Amarela  número 5 foi uma leitura devoradora. Como leitora amei poder conhecer, admirar e ter saudade desta obra. Como escritora, que acaba de iniciar sua jornada, fiquei horada de analisar e estudar uma obra com referências literárias cativante e uma escrita peculiar, com um enredo singular.

O Vencedor do jabuti conquistou e encantou-me.  O seu reconhecimento é digno e merecedor.



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O Lado Escuro da Madrugada – Roberto Giacundino



ISBN-13: 9788584422050
ISBN-10: 8584422056
Ano: 2017 / Páginas: 272
Idioma: português
Editora: Pandorga

SINOPSE:
Sandra Garcia é uma jornalista conhecida por seu ótimo faro investigativo. Agora ela se encontra diante da mais intrincada trama de sua carreira: um colega de emissora é assassinado logo após receber um prêmio por uma campanha contra todo tipo de preconceito. Uma abotoadura com uma suástica em relevo é encontrada perto do corpo.

Esse é apenas o primeiro de uma série de assassinatos que desafia a polícia e a própria Sandra, que decide tomar o caso para si e passa a investigar por conta própria. Percorrendo diversos pontos da cidade de São Paulo, acompanhada de três aliados: o irmão da vítima, um suposto pretendente e um jovem hacker, Sandra vai destrinchando cada pista enquanto luta contra seu passado e recebe ameaças de morte.

Com uma trama repleta de suspense, reviravoltas e um final de gelar o sangue, 'O lado escuro da madrugada', é um romance vigoroso que ficará na memória do leitor muito tempo após virar a última página.

***

Roberto Giacundino descobriu desde criança o gosto pela leitura e o prazer de criar e escrever suas próprias histórias. Aos dezesseis anos passou a colaborar para pequenos jornais e periódicos de São Paulo, atuando como colunista de literatura e redigindo reportagens sobre assuntos locais. Formado em Gestão de Recursos Humanos e com MBA em Gestão da qualidade e Produtividade, ocupou diversos cargos de liderança ao longo da carreira. É natural de São Paulo, cidade que serviu de cenário para O lado escuro da madrugada, seu romance de estreia. Mora com a esposa e seus dois cachorros, Marley e Scooby.(Fonte: Skoob)


RESENHA
DEEP WEB
NEONAZISMO
LUNÁTICO

Três assuntos polêmicos que envolvem este romance policial, onde o título pode ter dupla (ou até mais) interpretações.

O romance é bem escrito e editado. Narrador em terceira pessoa, mesmo sendo um observador, às vezes deixa o leitor na dúvida se não é um narrador onisciente neutro.

A edição é caprichosa, fazendo a leitura ficar também fluida, além do simples entusiasmo com o zelo com a arte do miolo.

Sandra Garcia é a protagonista da história. O enredo inicia em uma festa de premiação estilo Hollywood, com  o glamour do artístico, imprensa e tudo que o meio proporciona.

No final da premiação, quando ficam apenas aqueles mais ilustres, o principal fato do livro  ocorre.

Evandro Jordel publicitário premiado por uma campanha contra preconceito, está morto.

Evandro era irmão mais novo de Simão, juntos, administravam uma agência de publicidade bem renomada na alta sociedade, com premiações e reconhecimento.

A campanha premiada, além de preconceito, tinha apelo contra os nazistas. E o mais surpreendente é que, após todo glamour de receber a premiação, antes da sua morte, Evandro comenta com a amiga e parceira Sandra Garcia o atentado que sofreu com um grupo neonazista.

Os neonazistas são adeptos do nazismo da Segunda Guerra Mundial. O nazismo é uma ideologia política racista que emergiu nos anos 20, cujo mentor foi Adolf Hitler. Já o neonazismo é o resgate do nazismo para a atualidade. De acordo com seus integrantes, existe apenas uma raça soberana: a “raça pura ariana”. A partir desse pressuposto, eles são extremamente racistas. De maneira específica, os principais alvos de discriminação são: comunistas, judeus, índios, negros e homossexuais.

E neste ponto, logo no início da leitura, o leitor perceberá que não  se trata de uma obra simples de romance policial com apenas algumas quantidades de mortes e investigações dispersas.

O autor nos surpreende dividindo a obra em três momentos.

Primeiro – Premiação glamurosa seguida de morte;

Segundo – A sofrida vida de Sandra Garcia em Serra Negra, com pai alcoólatra e sem condições financeiras apropriadas para lutar por seus sonhos.

Terceiro – Sandra já consagrada como Jornalista, também recebendo prêmio na mesma noite do assassinato, passando  a detetive teimosa por querer desvendar o mistério da morte de Evandro.

Todo o enredo gira em torno da tentativa de descobrir a morte deste personagem. Os principais personagens são: o Matarazzo, policial experiente que cuida deste caso específico; Ronil ; Elcy Fanny, apresentadora de Talkshow; Rogério Freitas, repórter esportivo; Fábio Guedes, diretor de externas de Sandra.

À medida que os capítulos avançam, fatos novos surgem, mortes surpreendentes ocorrem e o quebra-cabeça da morte de Evandro fica cada vez mais misterioso.

Algumas cenas previsíveis ocorrem, mas é pura brincadeira de bom gosto do autor, proposital, para deixar o leitor bem confuso.

Além do preconceito, neonazismo, alguns outros assuntos polêmicos são tratados nesta obra, como:

DEEP WEB
Segundo o site tecmundo a internet como a conhecemos, também chamada de Surface Web e que compreende sites como o TecMundo e o Baixaki, representa apenas a ponta do iceberg – ou seja, uma porção muito pequena do que a grande rede realmente é. Já o resto da massa de gelo, aquela que está submersa, corresponde à Deep Web, parte da internet que exige métodos específicos para ser acessada e que é capaz de proporcionar certo grau de anonimato para os usuários. A internet que exploramos todos os dias compreende apenas 4% do todo – o restante pertence à porção submersa do iceberg. O uso da Deep Web é bastante variado, e é aqui que reside a polêmica. Por causa da privacidade, muitas pessoas e instituições usam essa rede para compartilhar e hospedar arquivos sigilosos e que não podem estar disponíveis na “internet convencional”. No entanto, o anonimato também permite a proliferação de uma série de atrocidades e coisas bizarras. O comércio de drogas ilegais, órgãos, armas e até mesmo pessoas, além da pornografia infantil e a encomenda de assassinos de aluguel, são apenas alguns dos exemplos.

É destas últimas linhas  que O lada escuro da madrugada tenta explanar. Quem desconhece fica assustado, este “lado escuro” da internet é perigoso ao ponto de ser assustador comentar.
E também somos apresentados aos lunáticos, que são os excêntricos; diz-se de quem tende a divagar ou vive no mundo da lua. Maluco; que se comporta de modo ilógico, sem racionalidade. Indivíduo que é excêntrico ou maluco. (Fonte: https://www.dicio.com.br/lunatico/)
A maestria do escritor com esta obra de estreia  não está somente nos assuntos abordados, na escrita zelosa, mas sim, na forma como conduziu o “desfecho” da história. Portanto, leitores, preparem-se e apreciem com cuidado, pois o final é algo muito inesperado, diante de todo o conteúdo que a obra apresenta.
As surpresas de cada capítulo, a teimosia de Sandra; a revelação de Fábio, os capítulos curtos. Tudo isso influencia o leitor a devorar e se tornar investigador também a cada página do livro.
Para quem aprecia mistério com alta dose de surpresa, essa é uma leitura muito recomendada.

***
Patrícia Brito
www.patriciabritto.com








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História do Universo - Edmac Trigueiro


ISBN-13: 9788576795506
ISBN-10: 8576795507
Ano: 2011 / Páginas: 176
Idioma: Português
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira



Durante muito tempo na história da humanidade, a religião encarregou-se de explicar o sobrenatural. Naquele passado não tão distante, não havia escolha, pois não existia ciência. Assim, a única forma de acedermos as origens do Universo era apegando-nos ao que nos ensinava a mitologia e o que nos legava a religião. Hoje, entretanto, parte deste espaço é ocupado pela ciência.

O crescimento e a consolidação da cosmologia produziram uma enorme gama de textos científicos, que consultamos com o intuito de produzir este trabalho.

Foi muito gratificante descobrir que hoje a ciência já permite que se conte o desenrolar da historia do Universo.
Como somos privilegiados por vivermos na época atual! Lembremo-nos daqueles que subiam nos zigurates, na antiga Babilônia, só para apreciarem melhor o céu, na tentativa de desvendar seus mistérios.

Falando de Livro

Quer um livro inteligente e um tanto polêmico, porém, convincente e sem ser questionável? 

História do Universo

Se for para resumir em uma pensamento, o livro trata dos mistérios da Cosmologia...

"A Cosmologia é a Ciência que estuda o Universo na sua origem, estrutura, evolução e composição. A Cosmologia é estudada desde muito tempo como um esforço humano para tentar entender o Universo nas suas questões de base. A confusão com a Astrofísica se dá pelo fato das duas seguirem caminhos paralelos, mas a principal diferença é que a Astrofísica estuda a estrutura e as propriedades dos objetos celestes." Fonte: http://www.infoescola.com/astronomia/cosmologia/

Antes apresento o escritor,
Foto: Orelha do Livro História do Universo
Edmac Lima Trigueiro passando dos 40 anos e reside com a mulher e três filhos em Fortaleza. É bacharel em Direito, com especialização e mestrado pela Universidade Federal do Ceará. Foi bolsista do BNB (1984-1986), servidor da Justiça Federal (1993-1995), Promotor de Justiça (1996-1999) e Procurador da República (1999); aprovado também nos concursos de Delegado de Polícia Federal (1995) e Juiz Federal (1999). Nas horas vagas, dedica-se à prática de esportes (natação e corrida) e aos estudos das questões fundamentais das origens (do universo, da vida e do homem). É também autor de História do Universo. Fonte: http://www.gruponovoseculo.com.br/autores/edmac-lima-trigueiro.html

Os motivos do autor investir seu tempo, em escrever esta obra, segundo suas próprias palavras,
Foto pág 20
Considero um livro astuto, pois a sua forma de explicar o universo, é por etapas e quase linear, ou seja, com alguns retornos ao passado.

Começa por Aristóteles e muitos outros filósofos são citados logo no início da obra, como Leucipo (séc V a.C.)

"...Tudo o que existe no universo era feito de átomo." (p.24)

Demócrito comparece em seguida e muitas outras referências são mencionadas, sempre referida com uma grande história sobre o assunto.

No primeiro e o mais importante, devido a base que ele proporciona, para toda leitura da obra, é dividido em:
Erro de Aristóteles;
Dalton redescobre o átomo em 1808;
O tamanho do átomo;
O universo é feito de átomo;
A descoberta do próton, do nêutron e do elétron;
A estrutura interna do átomo;
Do átomo clássico ao átomo quântico;
As partículas fundamentais do universo; 
As forças elementares do Universo e as partículas de que as unem;
A partícula fundamental seria uma corda?


É um capítulo base, muito bem explicativo, com escala de tempo dos fatos ocorridos e descobertas. Por isso, é essencial prestar bem atenção nestas páginas iniciais, para compreender o que será relatado nas páginas seguinte.

Já o livro é dividido em:
Prefácio;
Introdução;

O prefácio é maravilhoso, do Cláudio Lens Cezar, professor do Instituto de Física da UFRJ, onde ele  fala da importância da obra, recomendando este, para não só uma simples leitura, mas pra as escolas adotarem como fonte de estudo. E ele com sua grande experiência acadêmica, está correto. Pois cada capítulo, são argumentos estudados, com parâmetros de muita qualidade.

 São:
I - Em busca da partícula elementar do universo;
II - os precursores de Isaac Newton e Albert Einstein;
III - Newton, Einstein e a Teoria Gravitacional;
IV - Newton e Einstein: um olhar pessoal
V - A composição do Universo;
VI - A origem do Universo;
VII - Em busca de uma teoria final de tudo
VIII - Somos especais?

Uma obra pesquisada e até mesmo fundamentada, orientada e recomendada para estudos em escolas bases, mas não deixa de ser polêmica, principalmente aos religiosos extremistas, que resolverem querer lê-lo.

É preciso maturidade e mente aberta, para apreciar a obra com sapiência pra vida e surpreender-se com os argumentos e comprovações registrados.

Em particular, (não sou fã de colocar meu lado pessoal, mas este livro mexeu um pouco comigo, por isso irei deixar registrado minha reação intrínseca com a leitura) por ser religiosa e espiritualista, acreditando em uma força superior movendo o Universo, apreciei a obra como um conhecimento e mesmo espantada ou não, aceitando alguns trechos, apenas amei o discernimento desta leitura

"Nossa espécie cresceu e evoluiu há alguns milhares de anos em um lugar com características bastante singulares no Universo e que não se repetem em nenhum um outro local. Vivemos, aqui na Terra, no fundo de um oceano de ar e, se, de alguma forma, a gravidade de nosso planeta fosse "desligada", as moléculas da atmosfera se dispersariam e desapareceriam da vizinhança da Terra." (159)


Esse trecho tem olhar físico e cientifico. E vai de cada leitor aceitar e interpretar a obra lida. Para este trecho, meu olhar é mais espiritual e Fé "É Deus, é força superior", algo muito maior que todas comprovações da ciência físicas. 

Um livro que recomendo ler de mente aberta, por conhecimento e curiosidade. Uma fonte rica de estudos com a ciência. Linguagem simples, informativa, explicativa, leitor de 17 aos 80 anos irão aprecia-lo sem dificuldades.

É uma leitura para todos, não importando idade, crenças ou nível de conhecimento, pois este é alicerce da sabedoria e não somente para os estudiosos e entendedores do assunto. 


By: Patrícia Brito
Escritora

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YOGA - SATSANGA - ENTREVISTA COM HELENA MARQUES


Foto: Helena Marques
Leitura Plus agora tem uma  nova colunista. 

No decorrer de 2017 e 2018, Helena Marques irá falar um pouco de Yoga, de uma forma mais literária e convidativa.

Porém, para que possamos abrir este quadro, para que consigamos fazer um trabalho bonito e conhecer os benefícios da saúde, com a prática do Yoga, iremos antes, conhecer um pouco da profissional Helena.

Graduada em Letras, ex-bancaria do Banco do Brasil, onde atuou por 26 anos e aposentou em 10/2014.


Desde então, passou dedicar a dar aulas de HATHA YOGA, prática que começou há 18 anos como aluna; amando os resultados logo na primeira semana, saindo assim, da posição aluna, para professora e começando a ministrar aulas na MAISON ACADEMIA, em Teixeira de Freitas-BA. 

Ainda não satisfeita e querendo espalhar os benefícios do Yoga, Helena também dedica a dar aulas do mesmo, para crianças no espaço de convivência infantil Sementinhas Livres. 


ENTREVISTA

Foto: Helena Marques

Leituras Plus:
Somos um site literário e sabendo da sua formação acadêmica, em letras, gostaríamos de saber, você é uma leitora ativa?
Helena: Sim, nosso intelecto precisa ser estimulado diariamente com conteúdos literários que têm a capacidade de mudarem nossa realidade mantendo nossa mente focada em pensamentos e emoções positivas. Procuro difundir entre meus alunos este  provérbio de autor desconhecido: “Se Você acha caro o preço da informação, experimenta pagar o preço da ignorância.”
Fonte: Google

Leituras Plus: Quais são suas preferências literárias? 
Helena: Na tradição Védica(estilo de vida descrito nos textos sagrados dos Vedas e Yoga Sutras de Patanjali-filósofo, que primeiro sistematizou a prática do Yoga), encontramos mestres que são mensageiros de Deus na terra. Dentre tantos temos nosso yoguim brasileiro, que deixou este mundo em 2014 – Prof. Hermógenes que da sua vasta obra literária destaco: Auto perfeição com Hatha Yoga e o Bestseller- Yoga para nervosos.

Leituras Plus: Conta um pouco como você foi apresentada ao Yoga? O que te motivou a procurar a prática?
 Helena: Minha primeira Mestra Lea Carneiro que apesar de ter ficado cega ainda jovem, não perdeu o encanto pela vida e hoje aos 90 anos é dona de uma saúde física e psicológica invejáveis,  foi quem me iniciou nesta prática, que logo na primeira semana, senti os benefícios e descobri que seria uma poderosa ferramenta para conquistar uma mente quieta, um corpo saudável e um coração tranqüilo.

Leituras Plus: Por quanto tempo você ficou praticando com aluna?
Helena: 14 anos.

Fonte: Google

Leituras Plus:
Quais os benefícios que você sentiu nos primeiros meses de prática:
Helena:  Mais consciência e concentração nas tarefas diárias, pois levando a vida no “piloto automático” não percebemos as sutilezas que vão em nossos corações. Flexibilidade e força física, mais qualidade no sono e principalmente a respiração consciente que aos poucos vai naturalmente se tornando calma e ritmada.

Leituras Plus: Quando você decidiu mudar o rumo e investir como professora? E qual o motivo levou a decidir isso?
Helena: Aconteceu quando ficamos sem prof. De Yoga na Maison e em uma apresentação publica, para o dia internacional da mulher, minha segunda Mestra Katia Souza (Teixeira de Freitas) a quem serei eternamente grata pelos preciosos conhecimentos passados, sua generosidade e exemplo de pessoa ética e por ter me incentivado a buscar um curso de formação. 

Leituras Plus: Quais cursos você recomenda, para quem tem este mesmo anseio, de profissionalizar com o YOGA?
Helena: Depois de bastante prática com mestres tradicionais recomendo uma consulta na organização Aliança do Yoga para buscar o curso ideal para o tipo de Yoga que deseja trabalhar.

Leituras Plus: Você tem um trabalho enriquecedor, que é o espaço de convivência infantil Sementinhas Livres. Fale um pouco deste projeto, benefícios e como nasceu?
Helena: Foi uma experiência que durou apenas 4 meses e ficará para sempre marcada em mim pelo quanto, as crianças podem se beneficiar com a Yoga, em termos de lidar com os desafios diários, emoções confusas e ajuda para retomar o caminho da essência de ser criança, com brincadeiras e encanto pela vida, animais e natureza. Foi um convite da pedagoga Enaide que tentou transformar o Sementinhas Livres em uma fundação e infelizmente não tendo sucesso o projeto ficou inviável. 
Fonte: Google

Leituras Plus:
Quais os objetivos que podemos esperar com este quadro, Satsanga em Yoga
Helena:  Satsanga (sânscrito sat = verdade, sanga = companhia) traduzido como "Encontro com a Verdade" Onde abordaremos temas sobre o auto-conhecimento, clarear pontos obscuros sobre a Yoga e motivar os leitores a buscarem conhecimento filosófico desta tradição e iniciarem a prática em busca de uma mente tranquila e um corpo saudável.

Leituras Plus: Deixe uma mensagem aos leitores? 
Helena: Tem um do Prof. Hermógenes:


 “ É na queda que o rio ganha força.” 

***
Mês que vem, iremos entender um pouco da história do Yoga.
Aguardem!

Fonte: Google


By: Patrícia Brito
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O Ritual dos Chrysântemos - Celso Kallarrari


ISBN-13: 9788580880816
ISBN-10: 8580880815
Ano: 2013 / Páginas: 281
Idioma: português
Editora: Reflexão

Sinopse

O Ritual dos Crisântemos conta a história amorosa e trágica de Eurico, filho de pai sírio e de mãe índia guarani, e Poliana, filha de pai japonês e mãe paraguaia. Desde a infância, os dois fizeram um pacto de castidade, de fidelidade até o seu casamento, ritualizado numa inscrição num pé de erva-mate, num morro de uma cidadezinha no interior do Mato Grosso do Sul. A história se desenvolve a partir da morte de Poliana, na Avenida Paulista, num apartamento, onde Eurico, o namorado, residia. A morte de Poliana é envolvida por mistério, isto é, pela simbologia dos crisântemos (planta que acompanha misteriosamente a vida do casal), que são despetalados e semeados no corpo de Poliana (primeira vítima) e depois, durante um período de três anos, nos corpos das outras seis vítimas encontradas mortas nos parques de São Paulo. Nesse ínterim, a causa mortis de Poliana, a primeira vítima, torna-se um suspense, principalmente porque o narrador deixa o leitor a todo o momento em dúvida, sem saber, ao certo, se Poliana fora assassinada ou se suicidou. E, ainda, se fora morta, quem, possivelmente, seria o autor do homicídio e, consequentemente, dos outros assassinatos que envolvem, misteriosamente, a planta crisântemos. No momento da morte das sete jovens virgens nos parques de São Paulo, os crisântemos fazem parte desse ritual macabro. Torna-se necessária à polícia a investigação dos crimes e à associação com o primeiro crime, o de Poliana, acontecido no apartamento de Eurico. Desde então, Eurico é o principal suspeito e, por conta de um mandado judicial, é solto da delegacia, porque seu advogado, a partir de exames médicos, comprovou que Eurico sofria de esquizofrenia. A princípio, não se sabe, pois, se Poliana fora assassinada ou se cometeu suicídio e o leitor só irá descobrir se conseguir adentrar o jogo narrativo que o autor faz com maestria. 

RESENHA

Imagem do livro

“Você sabia, poli, que Khusánthemon é um nome do grego e que no latim se chama 
chrysanthemum? Ele é cultivado na China há mais de 2.500 anos? Foi levado pelos budistas para o Japão e, por isso, ficou conhecido lá como um dos símbolos do país chamado Sol Nascente.” (p.171)

Ao iniciar a leitura desta obra, de imediato, surgiu um questionamento:

Qual o limite do conhecimento que a leitura lhe proporciona?

Com esta obra iniciei este questionamento e finalizei a leitura sem resposta.
Motivos?
  1.  O conhecimento que a obra propicia é muito além do esperado que, se for pontuar aqui, a resenha ficaria extensa, podendo resultar em fadiga no leitor. Então, só lendo para se deliciar com a obra.
  2. A narrativa é não linear, mesmo todas as cenas contendo registro de período. O autor brinca bastante com o texto, com idas e vindas entre o presente e pretérito.
  3. Tem elementos básicos de um romance, claro, como: tempo, espaço, enredo e personagens. Mas cada elemento tem suas peculiaridades próprias na escrita de Kallarrari.
  4.  Quanto ao estilo da narrativa, logo no início o autor deixa claro que quem narrará a história é o “Eulíricus” e aí fica uma dúvida: o Eulíricus é um narrador Onisciente ou é mais uma “brincadeira” do Kallarrari?

“Depois da sua morte, eu assumi, quase que, psicograficamente, as vontades de Eurico e, por isso, escrevi, de modo biográfico.”(p.18)



Vamos por partes.
O conhecimento é algo que você encontra em todas as páginas de “O Ritual dos Chrysântemos”. Desde a explicação e origem da planta, que leva o título da obra, até a cultura de vida dos índios e japoneses, já que todos os personagens têm seus descendentes bem ativos.

Poliana dimana de uma família japonesa. Neste trecho, o leitor pode sentir como a cultura e as tradições são fortes.

Apreciando esta leitura, rememoro um outro Livro, o “Nihonjin” de Oscar Nakasato, vencedor do prêmio Jabuti de 2012, onde narra com muita riqueza, detalhes da cultura japonesa (Resenha NIHONJIN – OSCAR NAKASATO - Clique aqui), Poliana é uma jovem que ama Euricus, porém ela é obediente a seus pais e a sua cultura, isso dificulta a relação amorosa entre os protagonistas.

Já Euricus tem sua descendência: sírio com índia guarani.

“... ele se tornou um mito, no nosso mundo secular e desigual, aos índios guaranis, um grupo desprovido, afavelado, ilhado pela metrópole paulistana” (p.18)

Com os personagens, temos longos trechos de leitura com consideráveis informações culturais, cheias de detalhes, em cada cena.
Imagem do livro

Mas a obra vai muito além da cultura dos personagens, tem variados fatos históricos como:

      História de Ponta Porã (cidade de Eurico e Poliana);
Rios: Paraguai; Rio Miranda; Rio Aquidauna (uma boa oportunidade de ser curioso e pesquisar sobre cada rio mencionado);
      Final dos anos 70 à história “Trem do Pantanal”.

Isso tudo e muito mais é encontrado apenas na primeira parte da obra “PREAMBULA”, onde é apresentada toda a vida de Eurico.

“...o Brasil era visto como terra das oportunidades, porque passava por um período de urbanização e industrialização, oportunizando a muitos as atividades comerciais...”. (p.127)

Em CENARIUS – Avenida Paulista, somos apresentados:
 Zaqueu;
Guerra Guasú (1864-1870);
Júlio Prestes – Presidente recém-eleito em 1930;
E muito mais...

“Mas o tempo tem lá os seus tempos pretéritos, não se interessa conosco, com as coisas amiúdes, com as cartas descartadas do baralho da vida, com a garrafa na sarjeta.” (p.189)

A morte de Poliana se dá com intenso mistério em cada página, a forma como o autor escolheu de narrar este enigma supera alguns livros policiais contemporâneo.

A terceira e última parte fica com EPILOGA – Os crimes do Chrysãntemos, contando um pouco da vida de Poliana e o desfecho trágico do casal, mencionado no início do livro.
Imagem do livro

Nesta resenha, não mencionei nem a 1/3 da metade do que esta obra oferece, em termo de conhecimento e cultura.

No início fiquei confusa com a narrativa, pois existem muitos fatos narrados “entre linhas”, existem cantigas da tradição cultural do índio, de difícil leitura.

Imagem do livro

Não é uma leitura comum, com clímax, narrativa e final clichê, mas é uma leitura que você encontra um momento de virada surpreendente e o melhor é exposto apenas no final da obra. Fazendo a narrativa dar uma guinada, deixando qualquer leitor aturdido, conforme a história e o assassinato vão se revelando em cada página.
Imagem do livro

A última parte é de muito suspense, instigando, o apreciador da leitura devorar cada testemunho. Entram personagens figurantes que enriquecem o drama dos protagonistas.

Por fim, é uma leitura erudita, escrita com maestria, recomendada a todo e qualquer leitor que aprecia suspense, história de amor, narrativa inerente, que gosta de conhecer história, cultura, tradições peculiares de um determinado povo.

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Celso Kallarrari nasceu no Mato Grosso do Sul, em 1973, e vive na Bahia desde 2000. É escritor, professor titular da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Licenciado em Letras e graduado em Teologia, mestre em Educação e doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica – PUC-Goiás. É autor de três livros de poesia: A Porta Remendada (2003) e As Últimas Horas (2009) e As Últimas Palavras, (2013), e estreou no gênero romance no mesmo ano com o livro O Ritual dos Chrysântemos (2013). (Fonte: Skoob)
Site Autoral: http://www.celsokallarrari.com/
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By: Patrícia Brito





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