Nós matamos o Cão Tinhoso! – Luís Bernardo Honwana

ISBN-13: 9788568846308
ISBN-10: 8568846300
Ano: 2017 / Páginas: 145
Idioma: português
Editora: Kapulana
Livro de contos do moçambicano Luís Bernardo Honwana.
Inclui os contos: Nós matamos o cão tinhoso! e Rosita, até morrer.

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RESENHA

“O volume é composto por sete contos que, de modo geral, recriam a atmosfera asfixiante vivida pelos trabalhadores colonizados e suas famílias e acabam por operar uma denúncia da violência material e simbólica, do racismo e de toda a sorte de injustiça a que era submetida a população moçambicana pobre em meados do século passado.”
(p.134 – Vima Lia de Rossi Martin – Doutora em Letras).


Ler Nós matamos o Cão Tinhoso! é uma oportunidade de estudo - única - para entender a escrita e uma época delicada da história de um país, ou mesmo mundial. Não é uma leitura simples, e sim um verdadeiro ensinamento.

Peculiar, a obra pode ser apreciada de duas formas.

O leitor pode começar do início e, no decorrer da leitura ir descobrindo em cada conto as mensagens “entrelinhas” e até mesmo mensagens escancaradas.

Ou simplesmente ir para página 133 e compreender do que se trata a obra, assim apreciar a leitura com mais entendimento de cada conto exposto e de como a realidade de uma era é relatada em meio a ficção.

Nós matamos o Cão Tinhoso! é de autoria de Luís Bernardo Honwana, um marco  na literatura moçambicana. Publicada em Moçambique em 1964 em uma edição própria do autor.

LUÍS BERNARDO HONWANA nasceu em 1942, na cidade de Lourenço Marques (atual Maputo), e cresceu em Moamba, cidade do interior onde seu pai trabalhava como intérprete.

Em 1964, ano da primeira publicação de Nós matamos o Cão Tinhoso!, Honwana tornou-se militante da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). No mesmo ano, foi preso por suas atividades anticolonialismo de Portugal, e permaneceu encarcerado por três anos.

Em 1970, foi para Portugal estudar Direito na Universidade Clássica de Lisboa. Após a Independência de Moçambique, em 1975, foi nomeado Diretor de Gabinete do Presidente Samora Machel, e participou ativamente da vida política do país a partir disso: em 1982, tornou-se Secretário de Estado da Cultura de Moçambique e, em 1986, foi nomeado Ministro da Cultura. (Fonte:  http://www.kapulana.com.br/biografia-de-luis-bernardo-honwana/)

Os contos da obra são:
  1.  Nós matamos o Cão Tinhoso!
  2. Inventário de imóveis e jacentes
  3. Dina
  4. A velhota
  5. Papá, cobra e eu
  6. As mãos dos pretos
  7. Nhingutimo
  8. Rosita, até morrer
A idiossincrasia fica por conto da narrativa. A maioria em primeira pessoa, contendo em dois âmbitos, narrador-protagonista e personagem-observador, às vezes em um único conto contém os dois estilos de narrativa.

O destaque da narrativa fica por conta do Português personalizado,

“... Honwana optou por representar o contexto sociocultural a partir da incorporação de palavra, expressões e modos de fala tipicamente moçambicanos...”
 (p. 135 - Vima Lia de Rossi Martin – Doutora em Letras).

Encontra-se palavras características da população do país, fazendo a leitura ficar interessante. Porém, supera com as “brincadeiras” que o autor faz com algumas palavras, obrando junção do português com outros idiomas que África tem como influência.

Cada conto tem seu traço, uma mensagem mais específica. O contexto da obra trabalha uma época difícil do colonialismo e que o próprio autor sofreu as consequências. 

Cada leitor terá seu conto predileto.

Aqui, pode-se destacar o que leva o nome do título, trabalhando bem a rejeição, prejulgamento, perversidade e o comportamento diferenciado de cada personagem. E também destaca-se a delicadeza do “Inventário de imóveis e jacentes”

“O ar está pesado neste quarto, porque além de estar tudo fechado, dorme aqui, incluindo-me, 5 pessoas. Às vezes somos 6 e isso dá-se mais frequentemente, porque a cama agora ocupada pelo Papá é normalmente ocupada pela Tina e pela Gita, que agora dorme com a Mamã no outro quarto” (p.51)

E a realidade do conto Dina,

“Dobrado sobre o ventre e com as mãos pendentes para o chão, Madala ouviu a última das doze badaladas do meio-dia. Erguendo a cabeça, divisou por entre os pés de milho a brancura esverdeada da calça do capataz, a dez passos de distância. Não ousou endireitar-se mais porque sabia que apenas devia largar o trabalho quando ouvisse a ordem traduzida num berro. Apoiou os cotovelos aos joelhos e esperou pacientemente.” (p.57).

Leitores precisam conhecer ou reler esta obra; a nova edição encontra-se bem trabalhada e perceptível, contendo uma extensa biografia do autor e uma análise rica de Vima - Doutora em Letras.

Estudantes de Letras precisam reler ( ou mesmo conhecer), não por ser uma simples clássico de uma era importante, mas ainda mais, por ter uma narrativa e escrita bem característico de Honwana, amadurecendo qualquer estudioso da literatura.

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Cem dias na PRISÃO - Marcos A Junior


ISBN-13: 9788551601174
ISBN-10: 8551601172
Ano: 2017 / Páginas: 223
Idioma: português
Editora: Giostri
Thomaz é um jovem de 18 anos, aspirante a escritor, e conta aqui a história mais marcante que já viveu. Durante cem dias ficou preso à sanguinária batalha entre o bem e o mal. Seus sentimentos foram embaraçados e o único desejo que possuía era de livrar-se de tal obscuridade com a tradução de pensamentos em palavras. Suas lembranças foram alteradas. O gênio do mal brincou com as suas suposições. O ambiente no qual esteve foi o pior. Foi largado na imensidão do esquecimento. Abandonado aos seus pensamentos mais trágicos. Destinado a viver toda a vida longe dos pais, irmãos, mulher e sem poder conhecer o filho que estava por nascer nos próximos meses. Tudo o que necessitava era uma saída. Algo que o livrasse da tragédia que é viver preso às grades. As palavras foram o seu refúgio durante dias, mas ele começou a absorver o que o ambiente mais propagava o mal. Que os pensamentos bons carreguem-no por todo o tempo de sanidade que ainda o resta. Cem dias, noventa horas ou apenas cinco minutos.

RESENHA
“Não suportava mais a vida da forma que estava.
Não aceitava o rumo que estava sendo tomado por todos.
Porém, contrariando a expectativa geral, tudo pode piorar.
Hoje meu sonho é estar lá fora.
Recuperar aquela liberdade disfarçada”. (p.51)

Existem momentos bons e ruins na vida. Existe mudança repentina.
E como aceitar essa mudança?
Como conduzir sem enlouquecer?
Marcos Junior é natural de Recife – PE. É formado em análise de sistemas e administração, mas só encontrou o verdadeiro prazer da vida quando teve sua primeira obra publicada, Herbert Flinch – O manipulador de Sonhos (Giostri, 2016).

Sua segunda obra “Cem dias na Prisão” é uma narrativa em primeira pessoa, pelo protagonista Thomas.

O grande gancho dessa obra é a narração.

Não é uma narrativa análoga aos romances tradicionais, a qual o leitor já se encontra bem acostumado de apreciar. Em um formato de diário, desabafo, o personagem Thomas conta toda sua experiência de passar 100 dias na cadeia.

Em formato poético, orações e parágrafos curtos, de uma até duas linhas, o autor Marcos escreve um livro com astúcia.

Apenas iniciando sua jornada autoral, o escritor nos surpreende com cada página descrita e nós leitores sentimos cada dor, a cada dia, que Thomas conta sua labuta carcerária.

Contada desde seu primeiro dia, porém, as revelações de como os fatos ocorreram, para ele encontrar-se nessa atual condição, levam dias e dias para serem apresentados. Fazendo com que o leitor fique angustiado a cada página lida.

O livro não tem diálogo, é quase um monólogo, pois os personagens paralelos existem e fizeram parte do contexto, mas todos na visão e descrito pelo personagem Thomas.

O cenário é único. A cadeia. O ambiente muito bem relatado mostra um lado sombrio e desconhecido, por muitos. A realidade do local exteriorizada dia-dia, é algo denso. Resultando em martírio a cada fragmento, a cada oportunidade superada.

“Na situação ocorrida, não aceitar as desculpas seria como atestar a influência efetiva e duradoura do mal em meu ser.” (p.122)

Não é um enredo com momento de virada, mas tem um embate bem descrito e resolução plausível.
Alguns fatos com Thomas nos deixam sensibilizados, outros nos assombram. Como a resistência da própria família, as mortes, que ele encontra nos primeiros dias, ou a morte que insiste em visita-lo. Nenhum dia é comum, mesmo sendo todos em um mesmo ambiente, com a mesma rotina. Um dia calmo, outro turbulento. Um dia esperançoso, outro dia atormentado. O leitor mergulha realmente na experiência de Thomas e percebe seu amadurecimento do primeiro até o dia 99 ou até mesmo antes, já que o final é uma revelação bombástica e surpreendente.

A escrita é impecável. Marcos conduz bem à escrita, o enredo e contexto da sua obra.

“Aqui ou lá fora.
Fraquezas humanas.
Achar que fazer com os outros o mesmo que lhes foi feito vá curar os traumas de psique” (p.96)

É uma leitura melancólica, mas prazerosa e impactante. A obra deixa uma lição, fazendo o leitor compreender como uma injustiça, ou o pouco caso das autoridades - na qual deveríamos confiar; ou como não confiar 100% em quem confiamos, pode transformar uma ou muitas vidas.

Culpa que nem sempre é de autoria própria, porém tem que ser paga até provar o contrário. Em se tratando do Brasil, isso é comum e infelizmente uma realidade quem nem sempre é possível lutar.
Uma verdadeira crítica a sociedade e comportamento alheio.  Marcos foi sábio em toda desenvoltura com “Cem dias na PRISÃO”.

Informações sobre o livro:
Instagram: @maj_oficial
                  https://www.facebook.com/majoficial/?pnref=lhc

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ATL - Evento solene - Encerramento das atividades - 2017

Almir Zarfeg
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E ACADEMIA TEIXEIRENSE DE LETRAS - ATL convida moradores da região para o encerramento das atividades 2017.
Foi um ano de conquistas, boas novidades e parcerias. Em 2018 a ânsia é que, as novas atividades e projetos continuem disseminando cultura e leitura por toda região.
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A ACADEMIA TEIXEIRENSE DE LETRAS tem a honra de convidar Vossa Senhoria e Digníssima família para sessão solene que acontece no dia 02 de dezembro com a seguinte programação. Lançamento da antologia ATL em verso e prosa - volume II, convocação para o Prêmio Castro Alves de literatura 2018, celebração dos dez anos Projeto Clube Resgate de Itanhém, concessão da Comenda Benfeitor Cultural da Humanidade, outorga de títulos de nobreza, receitais, homenagens e muito mais.
* Dia 02/12/2017
* Horário 19:00
* Local: Câmara Municipal de Teixeira de Freitas


A Presença mais esperada da noite é do Príncipe Dom Alexandre Carvalho
"Além de chefe da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, ele preside a Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA). Na oportunidade, ele irá homenagear os acadêmicos e, também, outorgar alguns títulos de nobreza para membros da ATL e personalidades teixeirenses." 
***
A Antologia a ser lançada no dia, já tem capa.  A edição é limitada, portanto ainda não será comercializada. Além dos escritores Membros Efetivos, incluem textos dos autores vencedores do Concurso Externo. 

"A expectativa para este evento solene, portanto, é a melhor possível. Desde já, todos estão convidados, confrades, confreiras, amigos e o público em geral”, convidou Almir Zarfeg. (Da redação TN)."


Igor Mascarenha
1º Lugar - Crônica
Patrícia Brito
3º Lugar - Conto


                                                                                                                     










Evento aberto ao público - Espero vocês!
                  
  ***                                                                                       

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O Menino de Boa Esperança - Sérgio Douglas

ISBN-13: 9788551803851
ISBN-10: 8551803859
Ano: 2017 / Páginas: 282
Idioma: português
Editora: Autografia



O romance conta a história de um garoto da periferia do Rio de Janeiro que lutou para vencer a barreira da miséria. Filho de mãe solteira, o rapaz não teve referências familiares em que pudesse se inspirar. Ao longo da vida, foi conhecendo pessoas e passando por situações que o fizeram acreditar que tinha inteligência suficiente para conseguir ir longe. Dotado de uma determinação implacável, este herói popular teve a audácia de determinar claramente, ainda na adolescência, seus ambiciosos objetivos pessoais. Munindo-se de muita coragem, força de vontade e fé no que não podia ver, ele usou toda sua garra e talento para deixar de lado os mais duros empecilhos da vida e tornar-se um homem realizado.

RESENHA
“... se o que você escreve é autobiografia, você não é um artista. Eu penso o contrário; a autobiografia (busca obstinada da verdade) pode ser uma arte...”
(Entrevista com Philippe Lejeune – teórico e crítico – pai do pacto autobiográfico)

Se um livro é considerado literário quando há teor crítico dentro da narrativa; então, pode-se dizer que a leitura autobiográfica é considerada literatura? Já que em toda apreciação biográfica, existem fundamentos, comprovações de uma realidade, existindo assim, fatos históricos vivenciados em um determinado momento.

Antes existiam escolas literárias, hoje existem gêneros literários, escritores contemporâneos. Biografia é um gênero bom para ser apreciado quando buscamos adquirir lucidez, vivenciar uma realidade, emocionar com experiências, a labuta do autor e de quem conviveu; afinal, para decidir escrever sua história, pessoas admiráveis ou não, passaram pelo autor e algo importante foi vivenciado, marcando assim, a sua vida  ao ponto de querer compartilhar sua existência.

Apreciar este estilo literário é adentrar na vida real de uma pessoa na qual fez diferença na sociedade, em um determinado espaço de tempo. Um bom amante da leitura aprende e adquire  grandiosos conhecimentos com obras sobre "a vida".

“A diferença entre eles não estava no próprio texto, mas no que Gérard Genette chamou de paratexto, no compromisso do autor com o leitor em  dizer a verdade sobre si mesmo. É completamente diferente do compromisso do autor com o leitor em dizer a verdade sobre si mesmo...”
 (Entrevista com Philippe Lejeune – teórico e crítico – pai do pacto autobiográfico, falando da diferença de leitura ficcional e autobiográfica)

Sérgio Douglas nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1979. Cresceu no bairro Boa Esperança, na Baixada Fluminense, Nova Iguaçu. Estudou em escolas públicas conhecidas como “brizolões” e se formou em técnico em contabilidade no ensino médio. Em fevereiro de 2000 ingressou como funcionário de carreira no Banco do Brasil, no cargo de escriturário. Formou-se em Direito graças a uma bolsa de estudo e, na sequência, fez pós-graduação em gestão Empresarial. Posteriormente especializou-se em Economia e Finanças e Gestão de fortunas. Atualmente é consultor financeiro do Banco do Brasil Private.

O Menino de Boa Esperança é um livro que narra os de percursos difíceis de um jovem, uma leitura de superação e desafio, uma obra com erudição e compreensão sobre “saber viver”.

Na primeira parte da obra o autor explana o histórico dos seus ascendentes, começando pela “A Vó” - Marieta, passando pelos filhos  até chegar aos momentos de conquistas. Entretanto a verdade é que a cada capítulo, é uma provocação da vida conquistada, quase um convite para sua desistência.

“Apesar de dedicada filha, apanhava bastante. Como todo aprendiz, fazia coisas erradas e erros nos afazeres não eram considerados parte do processo, mas sim, desobediência passível de exemplar punição para não voltar a repeti-los” (p.18)

Por causa da vida um pouco desumana que Marieta foi educada, sua frieza acabou passando adiante, aos seus filhos. Ela não foi uma mãe amorosa, não por maldade, mas sim pela circunstância da vida. Fazendo assim, que seus filhos, ao menos os mais velhos, escolhessem em batalhar pelo seu destino, almejando sair daquela vida mediana. 

Foi o que ocorreu com Benedita ou Bené, moça de pouco amor pelos estudos, mas de afinco, corajosa, firme no caminhar da vida. Sem grandes opções, começando labutar cedo.
 
“Ela era uma pessoa conformada com a vida que levava até os 16 anos, momento em que tudo começou a mudar na sua percepção.” (p.20)

Neste ciclo enfrentado com muita coragem e nenhuma alternativa, surgem as consequências. Vida doméstica, mulher de bar, paixões, dois filhos, faxineira. Mas ao contrário do exemplo de D. Marieta, sua mãe, Bené seguiu na educação e zelo com seus filhos, mesmo que, precisasse entregar aos cuidados de terceiro e ficar dias sem vê-los.

Os leitores irão encontrar uma vida difícil, de muitos desafios nesta primeira parte da obra.

“A casa era infestada de ratos, que se aglomeravam entre uma quantidade enorme de carretéis de linha de crochê e tricô...” (p.42)

Se a vida de Bené não foi fácil, imagine como foi a vida de Chico e seu irmão mais velho. 
Assim começa o segundo momento da obra; chegando assim, na metade. Momento em que o enredo centraliza a tenacidade em Chico.

Chico tem também uma vida sofrida. Entretanto, foi uma criança amável, um jovem esforçado, um adulto persistente.

“Afinal, de tudo se deve tirar algum aprendizado” (p. 212)

Uma criança assídua, família, estudiosa e diferente. Desde cedo percebendo que sua vida não seria nada fácil, ele fez escolhas árduas e no seu entendimento necessário, como por exemplo: deixar de brincar para ler.

A vida continua e Chico cresce cada vez mais focado. Na adolescência vêm as responsabilidades -de  trabalhos informais ao primeiro trabalho formal.

Ao chegar na fase adulta, a labuta continua e a sede de crescer aumenta, seja profissionalmente, seja nos estudos.

“Tinha tido uma infância muito difícil e não estava muito interessado em aventuras de adolescente.” (p.195)

Este livro tem todo segredo de uma leitura enriquecedora. Proporcionando oportunidade a cada leitor, de aprender com o "saber viver". 

Narrativa romanceada da própria vida do autor. 

Um livro refinado, linguagem simples, com palavras bem posicionadas, fazendo a leitura ficar prazerosa.

Acreditar, saber escolher e dedicar-se ao seu objetivo, independente da condição vivenciada.  Este é segredo e o maior aprendizado que esta leitura deixa aos leitores.

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CONTO: 15 de Dezembro de 1997 - Lavínia Soares. 1º Lugar

Arte: larissa Dutra
http://duaslivreiras.blogspot.com.br/


Ainda me lembro perfeitamente da extrema angústia que sentia em meu peito naquela noite de 15 de dezembro de 1997, em uma banheira com água morna no quarto 230 do Hotel Valenttine. Hoje quase 20 anos depois, minha mente parece um toca fitas e as lembranças de Elizabeth Rose são um k7, com uma música docemente depressiva.
Aqui, sentado na lanchonete da Rua Quatro, lembro-me de como conheci Beth. Terceiro ano do colegial, primeiro dia de aula, era pra ser mais um dia medíocre com a professora de química tentando me fazer entender fórmulas que nunca mais usaria na minha amarga vida. Quando então, a porta abriu e o mundo parou. Um presente de Deus vindo do Alasca, eu nem sabia que existiam seres humanos lá, quanto mais uma escultura humana, de cabelos ondulados, pele de pétalas de copo de leite, olhos negros como preciosas pérolas negras e um sorriso tão radiante que derreteria toda a Antártida, como o de Elizabeth Rose.
No intervalo, sentei-me no mesmo lugar de sempre, lendo um livro para a aula de literatura, mais umas das odiáveis historinhas de amor platônico; estava quase vomitando em cima das páginas, mas em meu coração pressentia que logo iria vivenciar aquela história. Ela estava lá, sentada do outro lado do refeitório, perdida, sem ter com quem desabafar sobre a tristeza que foi ter que abandonar seus amigos, colégio e lugares preferidos da antiga cidade. Tomei coragem, respirei fundo, fui falar com ela.
- Oi! Elizabeth, não é?
- Isso! Olá...Desculpe, são muitos nomes novos para decorar...
- Júlio.
E conversamos. Aquele dia, no outro e no outro, quando percebemos não ficávamos um dia sem nos falar. Meu pressentimento estava errado, ela também se apaixonou. Demos nosso primeiro beijo. Éramos namorados.
Chegou o dia da nossa formatura  e como ótimos odiadores de festas que éramos nem pisamos os pés naquele ginásio cheio de balões, confetes e polaroids de pais orgulhosos. Fomos para Londres, ela e eu. Andamos de mãos dadas nas ruas frias e mesmo em uma temperatura de menos cinco graus, suávamos com o calor da nossa paixão, eu podia ver o brilho no olhar dela olhando para o céu, para as pessoas, para o Big Ben. Eu pertencia somente à Elizabeth Rose, mas ela não pertencia a mim, e sim ao mundo.
Fomos para o hotel. E foi um ataque tão rápido... Quando percebi o amor da minha vida estava caída no chão, sem vida. Seus lindos olhos negros já não brilhavam... 15 de Dezembro de 1997, em um chão frio, no quarto 230 do Hotel Valenttine, estava a mais bela mulher, morta e eu em uma banheira com água morna, com lágrimas nos olhos e uma dor enorme no peito.
Hoje estou aqui na mesa da lanchonete da Rua Quatro, com a vigésima primeira Elizabeth à minha frente. No rádio está tocando “Don’t Speak” da banda No Doubt, era a música preferida da minha amada Beth. Quando a música acabar, vou deixar o dinheiro em cima da mesa e sair sem me despedir de mais uma tentativa fracassada de achar outra como minha amada. Vou para o refeitório daquele colégio, me sentar no lugar onde conversamos pela primeira vez, até me expulsarem de lá pela vigésima primeira vez, ou até eu dar um ataque, como aquele que dei no dia 15 de Dezembro de 1997, quando matei Elizabeth Rose, com a ideia de que se ela não me pertencia, também não pertenceria ao mundo.
***

Este projeto foi realizado em Ouro Verde - Minas Gerais, com idealização da professora Sandra Paula Xavier Santos Lewicki - E. E.VEREADOR LUZO FREITAS ARAÚJO. 

Foram expostos uma vez por semana, três, dos seis vencedores do concurso de escrita - Conto Psicológico e Conto Social, na qual mediei uma palestra e entreguei os certificados .
Nesta posição, forma três vencedores. Porém, apenas o de Lavínia foi exposto.
Este é o último conto a ser apresentado. 
Obrigada, por todo carinho com o projeto, os contos e os autores estudantis. Cada mensagem recebida foram devidamente repassada, enchendo o corações dos escritores. 

                                  ***
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Escritora Teixeirense lança livro Decidir - os caminhos da vida

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Cartas de Elise - Luis Lacombe. Revista Avessa



ISBN-13: 9788559080056

ISBN-10: 8559080058
Ano: 2016 / Páginas: 256
Idioma: português 
Editora: Tinta Negra


"Cartas de Elise - uma história brasileira sobre o nazismo" é o quarto livro de Luís Ernesto Lacombe, jornalista e apresentador, e sua primeira experiência na prosa. O autor refaz a trajetória de sua família que viveu na Alemanha e foi separada durante o regime de Hitler. Ernst Heilborn, avô paterno de Lacombe, desembarcou no Rio de Janeiro, em 1934. Fugia do nazismo. Na Alemanha, ficaram sua mãe, Elise, seu irmão, tios, primos e amigos. Era uma época em que a distância dividia realmente e a comunicação era difícil. Cartas, telegramas... Foi justamente a correspondência trocada por Ernst com a Alemanha que permitiu a Lacombe se aproximar de uma parte de sua família, da qual tão pouco sabia, e a desenvolver o enredo. A viúva de Ernst, que viveu até os 96 anos, sempre disse que não guardara nenhuma das cartas trocadas entre o marido e seus parentes e amigos na Alemanha. Quando Lisette morreu, em 2006, as correspondências foram encontradas em seu apartamento em Copacabana. Centenas delas, a grande maioria cartas enviadas por Elise ao filho. Tudo foi entregue à irmã caçula de Lacombe, que mora na Alemanha desde 1992. Cristina Heilborn-Guenther começou a fazer a tradução para o português e uma grande pesquisa sobre a família... Ao mesmo tempo, tentava convencer o irmão a escrever um livro sobre o assunto, contando a saga da família. Algumas cartas se transformaram em diálogos, outras serviram apenas como fonte de informação, mas várias aparecem na íntegra. A narrativa vai revelando como a vida de Elise, na Alemanha, e de Ernst e Lisette, no Brasil, é alterada durante todo o processo nazista de perseguição aos judeus. A mãe de Ernst demora a se convencer de que precisa deixar seu país. No início, não reconhece o perigo, talvez se ache inatingível. Depois, momentos de preocupação e desespero. De vez em quando, alguma esperança, nada que dure muito. Precisa fugir e não consegue. Os nazistas não deixam. A história se passa entre a Europa e o Rio de Janeiro. A Copacabana do início do século XX aparece logo no segundo capítulo. O bairro é quase um personagem. Foi onde Ernst conheceu sua mulher, Lisette. Ela cresceu num casarão em frente a essa praia, uma das mais famosas do mundo, foi uma das primeiras banhistas cariocas... O pai dela, Gastão Bahiana, foi pioneiro entre os moradores de Copa e também no ensino da arquitetura no Brasil. Primeiro presidente do que hoje se chama de Instituto de Arquitetos do Brasil, ele dá nome a uma rua importante que liga Copacabana à Lagoa.

A Edição ficou linda, para baixar de graça, 

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Vejam as imagens da arte e como ficou a resenha. 






DEPOIMENTO DA EDITORA MAYARA

E com essa edição, nos despedimos de 2017. Um ano cheio de dificuldades, mudanças e aprendizados. A família Avessa aumentou, fizemos novas amizades e começamos a pensar em novos projetos. Ano que vem queremos voltar firme e fortes e com novidades para todos que nos acompanham.
É muito bom olhar pra trás e ver o caminho que trilhamos até aqui, as pessoas que conhecemos, as oportunidades que tivemos.
O tema dessa edição foi uma experiência e ficamos muitos felizes com os textos, apesar de ter tido pouca inscrição. Mesmo quando lançamos um tema mais difícil, vocês nos surpreendem. Por favor, continuem assim.
E em 2018 vamos nos esforçar para deixar a revista ainda melhor! Temos planos, nos aguardem!
Mayara BarrosEditora-chefe
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